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domingo, 24 de maio de 2015

26 DE MAIO DE 2015


ALMA EM SUPLÍCIO (1945)

"Mildred Pierce" é outro romance negro do escritor James M. Cain (“O Carteiro Toca Sempre Duas Vezes” ou “Pagos a Dobrar”, entre outros), desta feita adaptado ao cinema por Ranald MacDougall, que teve a colaboração ainda (não creditada no genérico) de William Faulkner, Margaret Gruen, Albert Maltz, Louise Randall Pierson, Catherine Turney, Margaret Buell Wilder e Thames Williamson. A realização esteve entregue a Michael Curtiz, que três anos antes tinha assinado “Casablanca”. Este húngaro, naturalizado norte-americano, é um cineasta que assinou várias obras-primas, mas que permanece não muito valorizado por certa crítica que não vê nele um “autor”. Um filme como "Mildred Pierce" é mais um bom atestado do seu talento, sensibilidade e, inclusive, uma demonstração de algumas constantes autorais que mereceriam um estudo mais alargado. Trata-se seguramente de uma obra-prima que fica devendo muito ao seu argumento, aos seus técnicos principais, ao seu elenco, em particular a Joan Crawford, mas certamente mais ainda ao realizador que reuniu as peças e as conjugou de forma notável. Comecemos, pois, por sublinhar a excelência da realização, sobretudo na criação de ambientes, onde Curtiz é mestre. A utilização da iluminação, criando zonas de luz e sombra é magnifica e ajuda habilmente a definir dramaticamente certas situações, impondo um clima de mistério e por vezes de certa perversidade.


O romance de James M. Cain é fértil em peripécias, mas revela-se algo diferente da adaptação que dele foi feita para cinema. Passa-se em Glendale, na Califórnia, durante a década de 1930, um período difícil, marcado pela Grande Depressão. Mas o estrato social afasta-se claramente dos pobres de “As Vinhas da Ira”, por exemplo, e localiza-se numa classe média com problemas, mas relativamente desafogada. Mildred Pierce, a protagonista, descobre-se sozinha, com duas filhas para educar (uma das quais acaba por falecer), depois do seu divórcio. Encontra trabalho como empregada de mesa num restaurante, mas a filha, Veda, não lhe perdoa a queda social. Ambiciosa e snob, Veda é uma menina mimada que exige sempre mais da mãe. Esta assume a direcção de um restaurante de sucesso, multiplica o negócio, dispõe já de desenvoltura económica, arranja um “boyfriend”, Monty, com quem casa, mas a sorte vira-lhe as costas quando descobre que a filha a chantageia com uma falsa gravidez e Monty delapida a sua fortuna, com contabilidade enganosa. Para mais, descobre ainda Veda e Monty na mesma cama, o que destabiliza por completo a família. Mildred muda-se para Reno, Nevada, afasta-se da filha, mas os problemas regressam mais tarde. O romance não contém nenhum crime, mas, ao ser transposto para cinema, o “Motion Picture Production Code”, a impiedosa censura da altura, fez constar que existiam 11 temas tabus em filmes produzidos pelos membros associados, e mais 25 outros assuntos que deveriam merecer especial atenção. O que tornava impossível a adaptação do romance, sobretudo por questões sexuais, e levou os argumentistas a imaginar um crime, com que abre o filme, passando toda a narrativa subsequente a ser conduzida por Mildred Pierce (Joan Crawford) que surge como a principal suspeita da morte de Monte Beragon (Zachary Scott), sendo investigada pela polícia, que não deixa nunca de tomar em consideração ainda a conduta de Veda Pierce (Ann Blyth). Como obra de mistério e suspense, não se pode adiantar mais em descrições sem quebrar o segredo, pelo que por aqui nos quedamos, sublinhando mais uma vez a solidez da narrativa, que instala a ansiedade e mobiliza as emoções dos espectadores de forma notável, através da excelência da realização, da belíssima fotografia a preto e branco de Ernest Haller, onde nunca será demais apontar a brilhante iluminação, com as sombras projectadas nas paredes, o que liga imediatamente este título a outros de Curtiz, como o próprio “Casablanca”, e ainda a magnifica música de Max Steiner, como sempre um inspirado compositor que soube servir admiravelmente os filmes a que ligou o seu nome.
“Mildred Pierce” foi nomeado para seis Oscars, entre os quais o de Melhor Filme, Melhor Argumento, Melhor Fotografia a preto e banco, Melhor Actriz Secundária (duas nomeações, Ann Blyth e Eve Arden) e Melhor Actriz (Joan Crawford), única nomeação transformada em estatueta, o que permitiu à actriz relançar uma carreira que por essa altura não andava muito bem. Mas Crawford tem efectivamente um trabalho notável, com discretas mudanças de registo, mantendo o filme entre o melodrama e o filme negro, com uma incrível subtileza. Crawford ainda nos viria a dar algumas outras contribuições de altíssima qualidade, como o seu desempenho em “Johnny Guitar”, talvez o seu papel mais recordado.
Nota: em 2010, o realizador Todd Haynes rodou “Mildred Pierce”, uma mini-série em cinco partes, para a HBO, com Kate Winslet como Mildred, Guy Pearce como Monty Beragon, e Evan Rachel Wood como Veda. Esta nova adaptação do romance de James M. Cain é muito mais fiel à obra literária (mudaram os tempos, e desapareceu o Código Hays) e consegue ser igualmente um título muito interessante.

ALMA EM SUPLÍCIO
Título original: Mildred Pierce
Realização: Michael Curtiz (EUA, 1945); Argumento: Ranald MacDougall, e ainda (não creditados) William Faulkner, Margaret Gruen, Albert Maltz, Louise Randall Pierson, Catherine Turney, Margaret Buell Wilder, Thames Williamson, segundo romance de James M. Cain ("Mildred Pierce"); Produção: Jerry Wald, Jack L. Warner; Música: Max Steiner; Fotografia (p/b): Ernest Haller; Montagem: David Weisbart; Direcção artística: Anton Grot, Bertram Tuttle; Decoração: George James Hopkins; Guarda-roupa: Milo Anderson, Clayton Brackett, Joan Crawford, Jeanette Storck; Maquilhagem: Perc Westmore, Edwin Allen, Geraldine Cole, Bill Cooley; Direcção de Produção: Louis Baum; Assistentes de realização: Frank Heath, Dick Moder; Departamento de arte: Herbert Plews, Levi C. Williams;  Som: Oliver S. Garretson, Gerald W. Alexander, Robert G. Wayne; Efeitos especiais: Willard Van Enger, Harry Barndollar; Efeitos visuais: Russell Collings, Paul Detlefsen, Mario Larrinaga; Companhia de produção: Warner Bros.-First National Pictures; Intérpretes: Joan Crawford (Mildred Pierce), Jack Carson (Wally Fay), Zachary Scott (Monte Beragon), Eve Arden (Ida Corwin), Ann Blyth (Veda Pierce), Bruce Bennett (Bert Pierce), Lee Patrick (Mrs. Maggie Biederhof), Moroni Olsen (Inspector Peterson), Veda Ann Borg (Miriam Ellis), Jo Ann Marlowe (Kay Pierce), William Alcorn, Betty Alexander, Ramsay Ames, George Anderson, Robert Arthur, Lynn Baggett, Leah Baird, Dorothy Barrett, Barbara Brown, Wheaton Chambers, John Christian, Wallis Clark, Chester Clute, John Compton, David Cota, James Flavin, Bess Flowers, Manart Kippen, Robert Loraine, Jean Lorraine, Butterfly McQueen, Jack O'Connor, George Tobias, Charles Trowbridge, Joan Wardley, Joan Winfield, etc. Duração: 111 minutos; Distribuição em Portugal: Sociedade Importadora de Filmes (SIF), Suevia Films (DVD); Classificação etária: M/ 12 anos; Data de estreia em Portugal: 2 de Dezembro de 1946.


JOAN CRAWFORD (1905-1977)
Joan Crawford e Bette Davis protagonizaram o mais feroz confronto de personalidades em toda a história de Hollywood. Ao que consta, tudo começou por causa de um homem o actor Franchot Tone, que Bette Davis amava e que Joan Crawford “roubou”. Contam os mentideiros da época, que quando andava no ar o romance de Bette Davies com o seu partenaire Franchot Tone, no filme de 1935 “Dangerous”, Joan Crawford, então sex symbol da MGM, o terá convidado para jantar, aparecendo-lhe toda nua a recebê-lo em casa, o que terá “perturbado” o actor. Obviamente. Joan Crawford fez questão de fazer saber a Bette Davis, que nunca mais lhe perdoou. “Fiquei ciumenta, claro”, confessou. Bette passou a dizer coisas bonitas de Crawford, como por exemplo “que teria dormido com todos os actores da MGM, com excepção de Lassie”, famosa cadela estrela de cinema. Crawford responde na mesma moeda: “Coitada da Bette, parece que nunca teve um dia, ou noite, feliz na sua vida”.
A rivalidade arrastou-se ate que Robert Aldrich, em 1962, as convidou para actuaram num filme de terror, “Whatever Happened to Baby Jane”. Era uma história de duas velhas irmãs a viverem juntas na mesma casa, odiando-se. Mantiveram um profissionalismo a toda a prova, mas não evitaram a agressão verbal: Disse Bette Davis: “O melhor tempo que passei com Joan foi quando a atirei pelas escadas abaixo em “Whatever happened to Baby Jane”. Quando Bette Davis foi nomeada para o Oscar de Melhor Actriz por esse papel, Joan não foi mas imaginou uma vingança terrível. Combinou com as outras quatro nomeadas do ano que seria ela a receber o Oscar, caso alguma delas o viesse a ganhar. Bette Davis julgava-se a eleita, mas foi preterida por Anne Bancroft, em “Miracle Worker”, e assim Crawford subiu ao palco para receber a estatueta de Bancroft. Bette confessa: “Quase morri”. Mas quem morreu primeiro foi Joan Crawford, o que levou Bette a comentar: “Não digam que a morte não tem coisas boas. A de Joan Crawford foi uma delas”. Há quem diga, porém, que grande parte desta disputa era forjada em nome da publicidade. A verdade é que forma dois dos maiores monstros sagrados de Hollywood.
De seu verdadeiro nome Lucille Fay LeSueur, Joan Crawford terá nascido a 23 de Março de 1905, em San Antonio, Texas, EUA, e faleceu a 10 de Maio de 1977, com 72 anos, em Nova Iorque, NY, EUA. Há dúvidas quanto à data precisa do seu nascimento. Ela afirmava que teria sido em1908. Quem pesquizou em registos, e na ausência da certidão de nascimento, calcula 1905, baseando-se num censo de Abril de 1910, quando ela tinha cinco anos. Christina Crawford relata em “Mommie Dearest” que, de acordo com a "avó" de Christina, Joan teria na verdade nascido em Dezembro de 1904. Teve, de certeza, uma infância difícil e uma vida esmaltada de casos e escândalos. Cedo se tornou dançarina, o que lhe garantia a sobrevivência. Trabalhava num bar, dirigido por Henry Richman, quando conheceu Nils Granlund, um dos amantes da actriz Clara Bow. Como precisava de andar bem vestida, conta-se, Granlund facultou-lhe o dinheiro para ela comprar o que precisava e, quando Lucille foi ao seu escritório para passar o modelo, e se encontrava despida a prová-lo, entrou, sem bater à porta, Marcos Loew, da MGM, que gostou tanto do que viu que a contratou por cinco anos para a Metro Goldwyn Mayer. Assinou contrato em 1925 e estreou-se no cinema em “Pretty Ladies”, ainda na época do cinema mudo. Lucille Fay LeSueur aprendeu rapidamente a subir na vida, e como o fazer, o que era uma quase norma na Hollywood de então. Lá foi demonstrando o seu talento, de responsável em responsável. Mas o nome não agradava e havia que mudá-lo. A revista “Movie Weekly” organizou um concurso e a proposta vencedora foi a que Lucille adoptou, Joan Crawford.
Nomeada por três vezes para o Oscar de Melhor Actriz: em 1945, por “Mildred Pierce” (Alma em Suplício), de Michael Curtiz, que venceu; em 1947, por “Possessed” (Loucura de Amor), de Curtis Bernhardt; e, em 1952, por Sudden Fear (Medo Súbito), de David Miller. Uma das suas coras de glória é “Johnny Guitar”, mas, curiosamente, um dos seus filmes mais queridos, que se tornou um cult movie, é “What Ever Happened to Baby Jane?” (Que Teria Acontecido a Baby Jane?), de Robert Aldrich, de 1962, quando já nela nada refulgia como nos seus tempos de juventude, e se encontrava, mais um vez, em confronto, desta feita directo, com a sua rival de sempre, Bette Davis.
Foi casada quatro vezes. Com os actores Douglas Fairbanks Jr., Franchot Tone e Philip Terry e, o quarto casamento, com o empresário Alfred Steele, o maior accionista da Pepsi Cola, de quem ela ficou viúva em 1959, herdando o cargo de presidente do conselho da empresa. Não teve filhos, mas adoptou quatro crianças: Christina, Christopher e as gémeas Cynthia "Cindy" e Cathy. No seu testamento, escrito pouco tempo antes de sua morte, Joan Crawford deserdou os seus dois filhos mais velhos, Christina e Christopher, legando uma parcela ínfima da sua fortuna, avaliada em cerca de dois milhões de dólares, aos outros dois. Morreu em 1977 e encontra-se sepultada no Ferncliff Cemetery, Hartsdale, Condado de Westchester, Nova Iorque, EUA. Após a sua morte, a filha mais velha, Christina Crawford, publicou “Mommie Dearest”, um livro autobiográfico que se tornou rapidamente “best-seller”, onde descrevia Joan como uma megera, alcoólica e péssima mãe, cujos filhos teria adoptado com fins apenas publicitários. O livro foi mais tarde adaptado ao cinema, com Faye Dunaway no papel de Crawford.



Filmografia:
Filmes mudos: 1925: Pretty Ladies de Monta Bell (com o nome de Lucille Le Sueur); Lady of the Night (A Ave Nocturna), de de Monta Bell; Proud Flesh (Orgulho Vencido), de King Vidor; A Slave of Fashion (A Escrava da Moda), de Hobart Henley; The Merry Widow (A Viúva Alegre), de Erich von Stroheim; Pretty Ladies (A Mosca Negra), de Monta Bell; The Circle (A Eterna História), de Frank Borzage; The Midshipman (O Guarda-Marinha, de Christy Cabanne; Old Clothes (O Trapeiro), de Edward F. Cline; The Only Thing, de Jack Conway; Sally, Irene and Mary (A Lindíssima Trindade), de Edmund Goulding; Ben-Hur: A Tale of the Christ, de Fred Niblo, e ainda Charles Brabin, Christy Cabanne, J.J. Cohn e Rex Ingram (não creditados); 1926: Tramp, Tramp, Tramp (Sempre a Andar), de Harry Edwards; The Boob (Como se Faz um Herói), de William A. Wellman; Paris (Uma Aventura em Paris), de Edmund Goulding; 1927: Winners of the Wilderness (A Conquista da América), de W.S. Van Dyke; The Taxi Dancer (Castelo de Cartas), de Harry F. Millard; The Understanding Heart, de Jack Conway; The Unknown (O Homem Sem Braços), de Tod Browning; Twelve Miles Out (Fora da Lei Seca), de Jack Conway; Spring Fever (O Rei do Golf), de Edward Sedgwick; 1928: West Point (Cadete de West Point), de Edward Sedgwick; The Law of the Range, de William Nigh; Rose Marie (Rosa Maria), de Lucien Hubbard; Across to Singapore (Uma Noite em Singapura), de William Nigh; Four Walls (Prisão Redentora), de William Nigh; Our Dancing Daughters (Meninas da Moda), de Harry Beaumont; Dream of Love (Sonho de Amor), de Fred Niblo; 1929: The Duke Steps Out (O Novo Campeão), de James Cruze ;Tide of Empire, de Allan Dwan; Our Modern Maidens (Mocidade Ardente), de Jack Conway;
Filmes sonoros:
1929: The Hollywood Revue of 1929, de Charles Reisner; Untamed (Indómita), de Jack Conway; 2930: Great Day, de Harry Beaumont; Montana Moon (O Coração Manda), de Malcolm St. Clair; Our Blushing Brides (Três Destinos), de Malcolm St. Clair; Paid (Dentro da Lei), de Sam Wood; 1931: The Stolen Jools (curta-metragem); Dance, Fools, Dance (Virtudes Modernas), de Harry Beaumont; Laughing Sinners (Pecadores Alegres), de Harry Beaumont; This Modern Age (Esta Idade Moderna), de Nick Grinde; 1931: Possessed (Fascinação), de Clarence Brown; 1931: The Slippery Pearls, de William C. McGann (cameo); 1932: Grand Hotel (Grande Hotel), de Edmund Goulding; Letty Lynton (Enfeitiçados), de Clarence Brown; Rain (Chuva), de Lewis Milestone; 1933: Today We Live (A Vida É o Dia de Hoje), de Howard Hawks; Dancing Lady (O Turbilhão da Dança), de Robert Z. Leonard; 1934: Sadie McKee (Uma Mulher Que Venceu), de Clarence Brown; Chained (Os Dois Amores de Diana), de Clarence Brown; Forsaking All Others (Os Noivos de Mary), de W.S. Van Dyke; 1935: No More Ladies (Basta de Mulheres), de George Cukor e Edward H. Griffith; I Live My Life (Quero Viver a Vida), de W.S. Van Dyke; 1936: The Gorgeous Hussy (A Alegre Locandeira), de Clarence Brown; Love on the Run (Doidos & Cª), de W.S. Van Dyke; 1937: The Last of Mrs. Cheyney (A Última Conquista), de Richard Boleslawski; The Bride Wore Red (A Noiva de Vermelho), de Dorothy Arzner; Mannequin (Manequim), de Frank Borzage; 1938: The Shining Hour (Tentação), de Frank Borzage; 1939: Ice Follies of 1939 (O Turbilhão de Gelo), de Reinhold Schünzel; The Women (Mulheres), de George Cukor; 1940: Strange Cargo (Os Fugitivos da Guiana), de Frank Borzage; Susan and God (As Teorias de Susana), de George Cukor; 1941: A Woman's Face (A Cicatriz do Mal), de George Cukor; When Ladies Meet (Quando Elas se Encontram), de Robert Z. Leonard; 1942: They All Kissed the Bride (Quem Manda sou Eu), de Alexander Hall; Reunion in France (Encontro em França), de Jules Dassin; 1943: Above Suspicion (Insuspeitos), de Richard Thorpe; 1944: Hollywood Canteen (Sonho em Hollywood), de Delmer Daves; 1945: Mildred Pierce (Alma em Suplício), de Michael Curtiz; 1946: Humoresque (Fascinação), de Jean Negulesco; 1947: Possessed (Loucura de Amor), de Curtis Bernhardt; Daisy Kenyon (Entre o Amor e o Pecado), de Otto Preminger; 1949: Flamingo Road (O Caminho da Redenção), de Michael Curtiz; It's a Great Feeling, de David Butler; 1950: The Damned Don't Cry!, de Vincent Sherman; Harriet Craig (A Última Mentira), de Vincent Sherman; 1951: Goodbye, My Fancy (Sonho Desfeito), de Vincent Sherman; 1952: This Woman is Dangerous (Esta Mulher é Perigosa), de Felix Feist; Sudden Fear (Medo Súbito), de David Miller; 1953: Torch Song (Corpo Sem Alma), de Charles Walters; 1954: Johnny Guitar (Johnny Guitar), de Nicholas Ray; 1955: Female on the Beach (A Casa da Praia), de Joseph Pevney; Queen Bee (A Abelha Mestra), de Ranald MacDougall; 1956: Autumn Leaves (Folhas de Outono), de Robert Aldrich; 1957: The Story of Esther Costello, de David Miller; 1959: The Best of Everything, de Jean Negulesco; 1962: What Ever Happened to Baby Jane? (Que Teria Acontecido a Baby Jane?), de Robert Aldrich; 1963: The Caretakers (Mulheres Sem Destino), de Hall Bartlett; 1964: Della, de Robert Gist; Strait-Jacket (Volúpia do Crime), de William Castle;   Hush... Hush, Sweet Charlotte, de Robert Aldrich; 1965: I Saw What You Did (O Telefone Fatal), de William Castle; 1967: The Karate Killers, de Barry Shear; Berserk!, de Jim O'Connolly; 1970: Trog, de Freddie Francis; 1971: Journey to Murder, de John Gibson e Gerry O'Hara;

Televisão e documentários: 1953: The Revlon Mirror Theater - Série de TV (1 episódio); 1954: General Electric Theater – Série de TV (3 episódios); 1959: Woman on the Run – Teledramático; 1959 - 1961: Zane Grey Theater - Série de TV (2 episódios); 1959: On Trial - Série de TV (1 episódio); 1961: The Foxes – Teledramático; 1962: Your First Impression - Série de TV (1 episódio); 1962: Lykke og krone – Documentário; 1963: Route 66 - Série de TV (1 episódio); 1964: The Big Parade of Comedy – Documentário; 1967: The Man from U.N.C.L.E. - Série de TV (1 episódio); 1968: The Secret Storm - Série de TV (5 episódios); 1969: Journey to the Unknown – Teledramático; Night Gallery – Teledramático; 1970: The Virginian - Série de TV (1 episódio); 1971: The Name of the Game - Série de TV (1 episódio); 1972: Beyond the Water's Edge – Teledramático; The Sixth Sense - Série de TV (1 episódio) ; Hollywood: The Dream Factory - Documentário TV; 1974: That's Entertainement Part I, de Jack Haley Jr; 1976: That's Entertainment, Part II, de Gene Kelly; 1977: That's Action – Documentário; 1984: Terror in the Aisles – Documentário; 1985: That's Dancing ! – Documentário; 1988: Going Hollywood: The War Years – Documentário; 1995: Legends of Entertainment Video - Documentário TV; 1995: The Casting Couch - Documentário TV; 1997: Judy Garland's Hollywood - Documentário TV; 1998: Warner Bros. 75th Anniversary: No Guts, No Glory - Documentário TV. 

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

DIA 3 DE FEVEREIRO DE 2015


À BEIRA DO ABISMO (1946)

"The Big Sleep" parte de um romance de Raymond Chandler e tem o argumento assinado por William Faulkner, além de Jules Furthman e Leigh Brackett. O realizador é Howard Hawks, que o dirigiu em 1946, dois anos depois de ter reunido pela primeira vez Humphrey Bogart e Lauren Bacall em “Ter ou não Ter”. Reunião explosiva que haveria de levar os dois actores a um casamento que duraria até à morte de Bogey, em 1957. Raymond Chandler, juntamente com Dashiell Hammett, são os maiores escritores de policiais deste período. Criando, entre outras personagens, dois detectives privados inesquecíveis, que Bogart interpretou de forma magistral: Philip Marlowe e Sam Spade. Ambos podem ser considerados os principais cultores do romance negro norte-americano, abastecendo abundantemente o cinema com obras que se tornariam clássicos deste género. No caso de Dashiell Hammett, “Relíquia Macabra” ou “The Thin Man” são dois bons exemplos. Quanto a Philip Marlowe, “À Beira do Abismo” e “A Dama do Lago” bastam para assegurar uma posição notória.
Howard Hawks não foi um realizador para se manter fiel a um género, preferindo vogar livremente ao sabor da inspiração e das encomendas de ocasião. Tinha o condão de transformar em obras de autor todos (ou quase todos) os filmes que dirigia. Comédias, policiais, westerns, ficção científica, dramas, filmes históricos contam-se na sua filmografia. “Ter ou não Ter” e “À Beira do Abismo” bastaram para lhe criar um lugar essencial na história do filme negro, ainda que não respeitasse integralmente as regras do género, coisa que aliás nunca respeitou em nenhum outro. Uma das suas características será mesmo essa indisponibilidade para respeitar regras. Raros são os seus filmes onde as relações humanas são convencionais. Casais bem casados quase não existem. Mas relações de amizade e camaradagem podem ver-se amiúde, ainda que sempre observadas por um prisma de certa originalidade. Mas violência, traições, hipocrisia, cinismo, um olhar distanciado sobre a realidade, dado através de uma ironia fina e uma crítica mordaz são constantes. As suas personagens gostam de acção, movimento, diálogos curtos, poucas explicações, entrechos complexos, por vezes confusos, dando a impressão de que o cineasta prefere aprofundar mais as figuras que as situações.

“À Beira do Abismo” é um excelente exemplo desta prática. A intriga é particularmente intrincada e, mesmo depois de duas ou três visões, o espectador ficará com dúvidas sobre o que aconteceu. Numa entrevista dada alguns anos depois da conclusão de “The Big Sleep”, Howard Hawks confessava que ainda não sabia quem teria assassinado um dos sete indivíduos transformados em cadáveres que aparecem ao longo da obra. Julgamos que se referia a um motorista que é dado como morto e de quem pouco mais se sabe. Não interessa, também. O que importa neste filme, que quase ninguém hesita em classificar como uma obra-prima, são realmente as personagens, entre elas a estranha relação que se estabelece entre Philip Marlowe (Humphrey Bogart) e Vivian Rutledge (Lauren Bacall), os diálogos, tensos, nervosos, irónicos, cínicos, o clima denso, pesado, soturno que rodeia esta história viciosa e violenta, bem como a arte da narração e a fotografia enevoada e cinzenta. De resto, a ambiguidade é a certeza com que nos defrontamos ao longo da projecção. Nunca se sabe bem quem é quem, o que o move, qual o passo seguinte. 
Philip Marlowe, detective privado, ex-polícia aposentado por não se dar bem com as regras do sistema, é convocado pelo velho general Sternwood (Charles Waldron) para o visitar na sua mansão em Los Angeles. Sternwood recebe-o numa estufa, com um calor sufocante, por entre orquídeas e cobertores que o envolvem na sua cadeira de rodas. Sternwood está doente, oferece uma bebida ao visitante, e bebe-a ele próprio com os olhos. Ele vive através dos outros. O encontro é para contratar Marlowe para este tentar resolver um caso de chantagem que tem como alvo a filha mais jovem do general, Carmen Sternwood (Martha Vickers), uma (pouco mais que adolescente) ninfomaníaca destrambelhada, perdida no jogo e na droga. Quando se apresta a deixar a mansão, Marlowe é interpelado pela outra filha de Sternwood, Vivian, que quer saber o que o pai tem em mente. Depois há um pouco de tudo, bibliotecas e livrarias que o são, e outras que o são apenas na aparência, casinos e jogo, ciladas e traições, casas isoladas onde acontecem estranhas sessões fotográficas e ocorrem assassinatos, com o defunto a aparecer e desaparecer, cenas de sedução e outras de violência verbal, Marlowe preso, Marlowe solto, Marlowe à frente dos acontecimentos, Marlowe perseguindo os acontecimentos e, sobretudo, Marlowe e Vivian a começar por se insultarem insolentemente e acabarem nos braços um do, outro (para o que os argumentistas e Howard Haws tiveram de alterar substancialmente o desfecho do romance de Raymond Chandler).


De resto, o filme tem situações magníficas de humor e invenção. Arthur Geiger, um dos suspeitos, possui uma livraria que Marlowe vista. É recebido por Agnes Louzier (Sonia Darrin), a quem pergunta por uma terceira edição de "Ben Hur", de 1860, com a errata na página 116, o que a empregada de Geiger desconhece, pois a livraria não é mais do que máscara para negócios ilícitos. E vão surgindo o desaparecido Sean Regan, o violento Joe Brody, o bem-apessoado Eddie Mars, que dirige o casino, e alguns cadáveres a entremearem as situações.
Howard Hawks serve-se de um estilo nervoso, sincopado, elíptico, numa narrativa enxuta, planos fixos, raros movimentos de câmara, apenas os necessários para acompanhar personagens, que todavia conferem uma ambiência sólida e inquietante, misteriosa e exaltante.
Curiosamente, Lauren Bacall não assina o retrato de uma mulher fatal habitual, mas de alguém de uma sensualidade furtiva, que se adivinha mais do que mostra (todo o contrário da oferecida irmã, que se atira literalmente para o colo de quem está mais próximo). Esta personagem, perante o distante e cínico Marlowe acaba por vivenciar momentos de alta voltagem erótica, o que não será de estranhar dado que o casal Bacall-Bogart vivia na vida real uma lua-de-mel de contagiante felicidade
Curiosidade: em 1978 surgiu uma nova versão de "The Big Sleep" (O Sono Derradeiro, em português), dirigida por Michael Winner, com Robert Mitchum, Sarah Miles, Richard Boone, entre outros. Uma desilusão.


À BEIRA DO ABISMO
Título original: The Big Sleep
Realização: Howard Hawks (EUA, 1946); Argumento: William Faulkner, Leigh Brackett, Jules Furthman, segundo romance de Raymond Chandler ("The Big Sleep"); Produção: Jack L. Warner, Howard Hawks; Música: Max Steiner; Fotografia (p/b): Sidney Hickox; Montagem: Christian Nyby; Direcção artística: Carl Jules Weyl,Max Parker; Decoração: Fred M. MacLean; Maquilhagem: Perc Westmore; Direcção de Produção: Eric Stacey; Assistentes de realização: Chuck Hansen, Robert Vreeland; Som: Robert B. Lee;  Efeitos especiais: Roy Davidson, Warren Lynch; Efeitos visuais: Paul Detlefsen; Companhia de produção: Warner Bros.-First National Pictures Inc.; Intérpretes: Humphrey Bogart (Philip Marlowe), Lauren Bacall (Vivian Rutledge), John Ridgely (Eddie Mars), Martha Vickers (Carmen Sternwood), Dorothy Malone (empregada de livraria), Peggy Knudsen (Mona Mars), Regis Toomey ( Inspector Bernie Ohls), Charles Waldron (Gen. Sternwood), Charles D. Brown (Norris), Bob Steele (Lash Canino), Elisha Cook Jr. (Harry Jones), Louis Jean Heydt (Joe Brody), Trevor Bardette, Joy Barlow, Max Barwyn, Deannie Best, Tanis Chandler, Jack Chefe, Joseph Crehan, Oliver Cross, Sonia Darrin, Carole Douglas, Jay Eaton, etc. Duração: 114 minutos; Distribuição em Portugal: Warner Bros.; Classificação etária: M/ 12 anos; Data de estreia em Portugal:14 de Janeiro de 1948.


LAUREN BACALL (1924 - 2014)
Lauren Bacall, de seu nome verdadeiro Betty Joan Perske, nasceu a 16 de Setembro de 1924, na cidade de Nova Iorque, EUA. Oriunda de uma família de judeus, o pai, William Perske, nascido na Polónia, a mãe, Natalie Weinstein Bacal, na Roménia, a jovem Betty teve uma infância discreta, nos bairros de Nova Iorque, onde o pai era vendedor e a mãe secretária. Com seis anos de idade o divórcio do casal leva-a a ficar com a mãe. Estudou dança, foi modelo, chegou a ter aulas na Academia Americana de Artes Dramáticas e iniciou-se no teatro, na Broadway, em 1942, como o nome de Betty Bacall, na peça “Johnny Two By Four”. Uma foto sua, aparecida no “Harper's Bazaar”, interessou Slim Keith, mulher de Howard Hawks, que a mostrou ao cineasta, na altura em que este procurava actriz para o seu novo projecto, “Ter ou Não Ter”. Este convidou-a a fazer um teste em Hollywood, quando ela contava apenas 17 anos. Foi aceite, passou a usar Lauren como nome próprio, e foi baptizada por Hawks com o diminutivo de "Slim", que a torna célebre no seu filme de estreia. Hawks ensinou-a ainda a tirar partido do seu rosto e cabelo, o que permitiu criar o chamado “look” de Bacall que não mais a deixaria. Bogart, então casado com Mayo Methot, não resistiu ao pedido de lume de Bacall e pouco depois assobiava-lhe para sempre. Casaram. Formaram um dos casais mais sedutores de Hollywood. Depois do seu brilhante trabalho em “To Have and Have Not” (1944), surgiram ambos em “The Big Sleep” (1946), “Dark Passage” (1947) e “Key Largo” (1948), outros sucessos retumbantes. Iniciava-se assim uma carreira notável, no cinema, no teatro e na televisão. Os prémios e honrarias multiplicaram-se: em 1970, “Tony” para Melhor Actriz em “Applause”, e, em 1981, para “Woman of the Year”. Em 1997, em “The Mirror Has Two Faces”, de Barbra Streisand, ganhou um Globo de Ouro e um SAG e foi ainda nomeada para o Oscar de Melhor Actriz. Em 1993, conquistou um Globo de Ouro honorífico, pelo conjunto da sua obra, bem como um Oscar, em 2009. Escreveu “By Myself” (1978), Prémio Nacional para o Melhor Livro de Não-Ficção, “Now” (1994) e “By Myself and Then Some” (2004).


Filmografia

1944: To Have and Have Not (Ter ou não Ter), de Howard Hawks; 1945: Confidential Agent, de Herman Shumlin; 1946: The Big Sleep (À Beira do Abismo), de Howard Hawks; 1947: Dark Passage (O Prisioneiro do Passado), de Delmer Daves; 1948: Key Largo (Paixões em Fúria), de John Huston; 1950: Young Man with a Horn (Duas Mulheres e Dois Destinos), de Michael Curtiz; Bright Leaf (Fumos da Ambição), de Michael Curtiz; 1953: How to Marry a Millionaire (Como Se Conquista Um Milionário), de Jean Negulesco; 1954: Woman's World (O Mundo é das Mulheres), de Jean Negulesco; 1955: The Cobweb (Paixões Sem Freio), de Vincente Minnelli; Blood Alley (Aldeia em Fuga), de William A. Wellman; Producers' Showcase (série de TV) – episódio The Petrified Forest; 1956: Patterns (Os Gigantes Dominam), de Fielder Cook; Written on the Wind (Escrito no Vento), de Douglas Sirk; Blithe Spirit (teledramático); Ford Star Jubilee (série de TV) – episódio Blithe Spirit; 1957: Designing Woman (A Mulher Modelo), de Vincente Minnelli; 1958: The Gift of Love, de Jean Negulesco; 1959: North West Frontier (Sangue Sobre a Índia), de J. Lee Thompson; 1963: The DuPont Show of the Week (série de TV) – episódio A Dozen Deadly Roses; Dr. Kildare (série de TV) – episódio The Oracle; 1964: Shock Treatment, de Denis Sanders; Sex and the Single Girl (A Solteira e o Atrevido), de Richard Quine; Mr. Broadway (série de TV) – episódios Something to Sing About e Take a Walk Through a Cemetery; 1965: Bob Hope Presents the Chrysler Theatre (série de TV) – episódio Double Jeopardy; 1966: Harper (Harper, Detective Privado), de Jack Smight; 1973: Applause (teledramático); 1974: Murder on the Orient-Express (Um Crime no Expresso do Oriente), de Sidney Lumet; 1976: The Shootist (O Atirador), de Don Siegel; 1978: Perfect Gentlemen (teledramático); 1979: The Rockford Files (série de TV) – episódios Lions, Tigers, Monkeys and Dogs: 1 e 2; 1980: Health, de Robert Altman; 1981: The Fan (O Admirador), de Ed Bianchi; 1983: Parade of Stars (teledramático); 1988: Appointment with Death (Morte Entre as Ruínas), de Michael Winner; Mr. North (Um Homem de Sonho), de Danny Huston; 1989: Tree of Hands, de Giles Foster; Dinner at Eight (teledramático); 1990: Misery (Misery - O Capítulo Final), de Rob Reiner; The Real Story of the Three Little Kittens (video curta-metragem); A Little Piece of Sunshine (teledramático); 1991: All I Want For Christmas (Aventura num Natal), de Robert Lieberman; 1993: Screen One (série de TV) A Foreign Field, de Charles Sturridge; A Star for Two, de Jim Kaufman; Great Performances (série de TV) – episódio Leonard Bernstein: The Gift of Music – narradora; The General Motors Playwrights Theater (série de TV) – episódio The Parallax Garden; The Portrait (teledramático); 1994: Prêt-à-Porter (Pronto-a-Vestir), de Robert Altman; 1995: From the Mixed-Up Files of Mrs. Basil E. Frankweiler (teledramático); 1996: The Mirror Has Two Faces (As Duas Faces do Espelho), de Barbra Streisand; My Fellow Americans (Politicamente... Incorrecto!), de Peter Segal ; 1997: Le jour et la nuit, de Bernard-Henri Lévy ; 1998: Chicago Hope (série de TV) – episódios Absent Without Leave e Risky Business; 1999: Madeline: Lost in Paris, de Marija Miletic Dail (voz); Diamonds, de John Mallory Asher; The Venice Project, de Robert Dornhelm; Too Rich: The Secret Life of Doris Duke (teledramático); Presence of Mind, de Antoni Aloy; 2000: Scene by Scene (série de TV); 2003: The Limit, de Lewin Webb; Dogville (Dogville), de Lars von Trier; 2004: Amália Traïda, de Francesco Vezzoli (curta-metragem); Hauru no ugoku shiro (O Castelo Andante), de Hayao Miyazaki (voz); Birth (Birth - O Mistério), de Jonathan Glazer; 2005: Manderlay (Manderlay), de Lars von Trier; 2006: These Foolish Thing' (À Procura de Sucesso), de Julia Taylor-Stanley; 2007: The Walker (O Acompanhante), de Paul Schrader; 2008: Eve, de Natalie Portman (curta-metragem); 2008: Scooby-Doo and the Goblin King (vídeo) (voz); 2009: Wide Blue Yonder, de Robert Young; 2012: The Forger, de Lawrence Roeck; 2012: Ernest & Célestine, de Stéphane Aubier, Vincent Patar e Benjamin Renner (voz); 2014: Family Guy (série de TV) episódio Mom's the Word (voz).