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domingo, 14 de junho de 2015

17 DE JUNHO DE 2015


ENTRE DUAS LÁGRIMAS (1952)

“Carrie” (Entre Duas Lágrimas) parte de um romance de Theodore Dreiser ("Sister Carrie"), um dos mais importantes escritores norte-americanos do início do século XX. Theodore Herman Albert Dreiser (1871—1945) pertenceu ao naturalismo social, de tendência socialista e mesmo comunista (filiou-se no partido comunista norte-americano alguns meses antes de morrer), sendo “Sister Carrie” (1900) o seu primeiro romance, a que se seguiram outros que tiveram igualmente adaptações cinematográficas, como “An American Tragedy”, de Josef von Sternberg (1931), mais tarde outra vez adaptado, em 1951, com o título “A Place in the Sun”, por George Stevens.
"Sister Carrie", passado ao cinema por Ruth Goetz e Augustus Goetz, sofreu várias alterações, desde logo no título que, no cinema, perdeu o “Sister” para não ser tomado como obra religiosa. Mas o férreo código Hays exerceu ainda forte censura durante a adaptação que inicialmente foi proibida. Mas, de concessão em concessão, lá se conseguiu um argumento que passou, surgindo sobretudo muitos acertos na figura de Carrie, que foi muito nuanceada na descrição da sua personalidade. Carrie Meeber (Jennifer Jones) é uma jovem que vive numa pequena cidade da província e parte para Chicago para melhorar a sua vida. Instala-se em casa de uma irmã, mas rapidamente se deixa seduzir por um pequeno industrial, Charles Drouet (Eddie Albert), que a põe por conta e a leva a jantar a um restaurante sofisticado, dirigido por George Hurstwood (Laurence Olivier), homem muito mais velho que ela, casado com Julie Hurstwood (Miriam Hopkins) e pai de filhos, que se apaixona e deixa a família para vir viver com ela. O desenrolar da trama funciona como um melodrama de paixões intensas, com trajectos de vida desencontrados, enquanto Carrie sobe na vida como artista de music-hall, George afunda-se na mais completa indigência moral e física. A história, sem a grandeza “épica” de um “O Anjo Azul”, aproxima-se deste, com a figura feminina a ostentar um comportamento de compaixão muito diferente. Mas a grandeza da obra está na forma como descreve o ambiente social do século XIX nos EUA, como acompanha a evolução das personagens, mas também na hábil realização de William Wyler e dos seus colaboradores, desde o director de fotografia, Victor Milner, magnífico na fotografia a preto e branco, ao compositor David Raksin, aos directores artísticos Roland Anderson e Hal Pereira, aos figurinos da eterna Edith Head. Todos concorrem para uma obra de grande qualidade plástica, que se pressente, aqui e ali, quase totalmente rodada em estúdio (Paramount Studios - 5555 Melrose Avenue, Hollywood, Los Angeles), mas que mantém uma plausibilidade evidente.
Curiosamente, e apesar do rigor da censura, “Entre Duas Lágrimas” ainda deixa passar muitos sintomas de uma sociedade hipócrita e de falsa moral, onde a chantagem económica prevalece e arruína estatutos sociais, onde a mulher é vista como elemento a valorizar em função do seu físico, onde a vida familiar vive da aparência, onde a miséria se instala em todos os estratos sociais, da miséria económica à miséria moral.
William Wyler é um cineasta dos mais interessantes neste período (dos anos 40 a 60), com uma filmografia que fez frente a John Ford, causando até certa polémica nos meios da crítica internacional, que opunha um ao outro, como o mestre incontestável do cinema norte-americano. Na verdade, a sua obra é impressionante de qualidade e vigor, de sensibilidade e de interesse humano e social, denotando mesmo um certo estilo muito próprio, pela delicadeza dos movimentos de câmara, a justeza dos planos-sequência, e sobretudo a discreta mas perturbante direcção de actores. Tudo o que se pode admirar nesta obra de uma envolvência emocional extrema, galopando serenamente para o melodrama, sem nunca retirar os pés de uma sólida crítica social. Atente-se na sequência que assinala o encontro de Carrie e George no interior do restaurante, com a câmara a acompanhar o movimento de ambos, divididos por uma parede de vidro que os separa (e os une). Veja-se o excelente desempenho de todo o elenco, com particular destaque para Jennifer Jones, Laurence Olivier e Eddie Albert, todos eles em momentos altos das suas carreiras.
Como curiosidade, diga-se que Laurence Olivier aceitou interpretar o papel de George Hurstwood para poder estar em Hollywood ao mesmo tempo que a mulher, Vivien Leigh, que nessa altura criava a fabulosa personagem de Blanche, em “Um Eléctrico Chamado Desejo” (1951). Conhecido o clima de turbulência sentimental que o casal atravessava e as crises de instabilidade de Vivien Leigh, esta terá sido uma boa opção de Olivier que, todavia, não evitou o divórcio, tempos depois.

ENTRE DUAS LÁGRIMAS
Título original: Carrie
Realização: William Wyler (EUA, 1952); Argumento: Ruth Goetz, Augustus Goetz, segundo romance de Theodore Dreiser ("Sister Carrie"); Produção: Lester Koenig, William Wyler; Música: David Raksin;  Fotografia (p/b): Victor Milner; Montagem: Robert Swink; Direcção artística: Roland Anderson, Hal Pereira; Decoração: Emile Kuri; Guarda-roupa: Edith Head; Maquilhagem: Larry Germain, Wally Westmore; Som: Leon Becker, John Cope, Hugo Grenzbach; Efeitos visuais: Farciot Edouart; Companhia de produção: Paramount Pictures; Intérpretes: Laurence Olivier (George Hurstwood), Jennifer Jones (Carrie Meeber), Miriam Hopkins (Julie Hurstwood), Eddie Albert (Charles Drouet), Basil Ruysdael (Mr. Fitzgerald), Ray Teal (Allen), Barry Kelley (Slawson), Sara Berner (Mrs. Oransky), William Reynolds (George Hurstwood, Jr.), Mary Murphy (Jessica Hurstwood), Harry Hayden (O'Brien), Charles Halton, Walter Baldwin, Dorothy Adams, Jacqueline deWit, Harlan Briggs, Melinda Plowman, Donald Kerr, Don Beddoe, John Alvin, Charles Smith, Frank Wilcox, etc. Duração: 117 minutos; Distribuição em Portugal (DVD): Paramount / Lusomundo Audiovisuais; Classificação etária: M/ 12 anos; Data de estreia em Portugal: 29 de Abril de 1953.


JENNIFER JONES (1919-2009)
Poucas actrizes se podem gabar de terem sido nomeadas quatro anos sucessivos para o Oscar de Melhor Actriz. Poucas se podem gabar igualmente de ganhar a estatueta logo na sua primeira interpretação como protagonista. Jennifer Jones ganhou o Oscar de Melhor Actriz em 1944, com “A Canção de Bernardette”, e recebeu mais quatro nomeações para o mesmo troféu: 1945, “Desde Que Tu Partiste”; 1946: “Cartas de Amor”; 1947: “Duelo ao Sol”; e 1956: “A Colina da Saudade”. Ganhou ainda o Globo de Ouro de Melhor Actriz num filme dramático, ainda em 1944, para “A Canção de Bernardette”.
Jennifer Jones nasceu com o nome de Phylis Lee Isley, em Tulsa, Oklahoma, EUA, a 2 de Março de 1919, tendo falecido em Malibu, EUA, a 17 de Dezembro de 2009. Os pais, Flora Mae e Phillip Ross Isley, viajaram pelo interior do país com uma barraca de espectáculos que dirigiam. Jennifer Jones estudou na Faculdade Monte Cassino Junior, em Tulsa, e na Universidade Northwestern, em Illinois, onde foi membro da irmandade Kappa Alpha Theta, antes de se transferir para a Academia Americana de Artes Dramáticas de Nova Iorque, em 1938. Foi aqui que conheceu Robert Walker, com quem se casou a 2 de Janeiro de 1939. Ainda como Phylis Isley, e já em Hollywood, conseguiu dois papéis pequenos, primeiro no western de 1939 “New Frontier”, e no serial “Dick Tracy's G-Men”, antes de ser recusada pela Paramount Pictures. Em Nova Iorque foi modelo de chapéus, da agência de John Robert Powers, quando percebeu que o produtor David O. Selznick fazia testes para encontrar a protagonista de “Claudia”, peça teatral de Rose Franken, de grande êxito. Ela apreceu, mas sentiu-se tão mal no teste que fugiu, em lágrimas. Selznick, entretanto, ficou de tal forma impressionado que a mandou regressar, assinando um contrato de sete anos com ela (mais tarde assinaria um de vida intera, casando com a actriz, provocando o divórcio de Robert Walker, que irá falecer pouco depois, vítima de álcool e drogas). Foi Henry King quem a contratou, já sob o nome de Jennifer Jones, para o seu novo filme, “A Canção de Bernardette”, entregado-lhe o papel de Bernadette Soubirous, o que a leva ao Oscar de Melhor Actriz, alcançado no dia em que completava 25 anos. A concorrer com ela estava Ingrid Bergman (em “For Whom the Bell Tolls”), a quem pediu desculpa por lhe “roubar” a estatueta. Mas Bergman respondeu-lhe: "Não, Jennifer, sua Bernadette foi melhor do que a minha María". No ano seguinte, com as duas novamente nomeadas, Ingrid Bergman receberia o Oscar por “Gaslight” das mãos da amiga. Foi o início de uma carreira carregada de sucessos, sempre orientada pela visão de Selznick. Em “Duel in the Sun”, escrito e produzido por Selznick para glória de Jennifer, esta brilha a grande altura, num registo completamente diferente de Bernardette, fogosa e sensual. “Since You Went Away” (1944), “Love Letters” (1945), “Cluny Brown” (1946), “Portrait of Jennie” (1948), “Madame Bovary” (1949), “Carrie” (1952), “Ruby Gentry” (1952), “Beat the Devil” (1953), “Good Morning Miss Dove” (1955), “Love is a Many-Splendored Thing” (1955), “The Man in the Gray Flannel Suit” (1956) ou “A Farewell to Arms” (1957) são momentos altos na sua filmografia. O seu derradeiro papel no cinema surge no filme catástrofe “The Towering Inferno” (1974), retirando-se depois, após o seu terceiro casamento, com o industrial multimilionário e coleccionador de arte Norton Simon. O casal sobreviveu a várias mortes violentas: um filho de Jennifer e de Robert Walker suicidou-se. Robert Walker, como já vimos, não sobreviveu muito tempo ao divórcio de Jennifer. A filha resultante do seu segundo casamento, Mary Jennifer Selznick, suicidou-se, em 1976, lançando-se da janela do vigésimo andar de um prédio. Um filho de Norton Simon, de um anterior casamento, suicidou-se igualmente. Em Novembro de 1967, ela própria tentou suicidar-se, num hotel de Malibu. Preocupada com as doenças mentais e dada à psicologia, em 1980 doou um milhão de dólares para criar a “Jennifer Jones Simon Foundation for Mental Health and Education”. Jennifer e Norton casaram em 1971, depois de se terem conhecido numa festa-leilão em que era posto à venda o quadro de Jennifer Jones que aparece em “Portrait of Jennie”. Norton Simon morreu em Junho de 1993, e a mulher passou a presidente e administradora emérita do Museu Norton Simon, em Pasadena. Viveu os últimos anos no Sul da Califórnia, depois de ultrapassar um cancro de mama, recusando-se a dar entrevistas e raramente aparecendo em público. Morreu de causas naturais, a 17 de Dezembro de 2009, aos 90 anos de idade. Encontra-se sepultada no Forest Lawn Memorial Park (Glendale), Glendale, Los Angeles, EUA. Casada com Robert Walker (1939 - 1945), David O. Selznick (1949 - 1965) e Norton Simon (1971 - 1993).



Filmografia:

Como actriz: 1939: New Frontier, de George Sherman; The Streets of New York (TV); Dick Tracy's G-Men (O Espião Assassino), de William Witney e John English; 1943: The Song of Bernadette (A Canção de Bernadette), de Henry King; 1944: Since You Went Away (Desde Que Tu Partiste), de John Cromwell; The Fighting Generation (curta-metragem); 1945: Love Letters (Cartas de Amor), de William Dieterle; 1946: Duel in the Sun (Duelo ao Sol) de King Vidor; Cluny Brown (O Pecado de Cluny Brown), de Ernst Lubitsch; 1948: Portrait of Jennie (O Retrato de Jennie), de William Dieterle; 1949: We Were Strangers (Os Insurrectos), de John Huston; Madame Bovary (Madame Bovary), de Vincente Minnelli; 1950: Gone to Earth (A Raposa) de Michael Powell e Emeric Pressburger; The Wild Heart (nova versão de A Raposa, imposta por Selznick), de Michael Powell, Emeric Pressburger e Rouben Mamoulian (para a versão americana); 1952: Carrie (Entre Duas Lágrimas), de William Wyler; Ruby Gentry (A Fúria do Desejo), de King Vidor; 1953: Stazione Termini (Estação Terminus), de Vittorio De Sica; Beat the Devil (O Tesouro de África) de John Huston; 1955: Love Is a Many-Splendored Thing (A Colina da Saudade), de Henry King; Bonjour Miss Dove (Bons Dias, Miss Dove), de Henry Koster; 1956: The Man in the Gray Flannel Suit (O Homem de Fato Cinzento), de Nunnally Johnson; 1957: The Barretts of Wimpole Street (Miss Bá), de Sidney Franklin; A Farewell to Arms (O Adeus às Armas), de Charles Vidor; 1962: Tender is the Night (Terna é a Noite), de Henry King; 1966: The Idol (O Ídolo Quebrado), de Daniel Petrie; 1969: Angel, Angel, Down We Go de Robert Thom; 1974: The Towering Inferno (A Torre do Inferno), de John Guillermin; 1989: The American Film Institute Salute to Gregory Peck (TV), de Louis J. Horvitz.

16 DE JUNHO DE 2015


QUANDO O CORAÇÃO CANTA (1952)

“With a Song in My Heart” é a história de parte da vida de Ellen Jane Froman, uma célebre cantora e actriz norte-americana que encantou o seu público entre meados da década de 30 e fins da de 50 do século XX. Nascida em 1907, em University City, no Missouri, viria a falecer em 1980, com a idade de 72 anos e uma vida rica em peripécias. Depois de passar por Columbia, onde estudou no Columbia College (Missouri), a mãe e ela instalaram-se em Cincinnati, onde frequentou o Cincinnati Conservatory of Music.  Começou a interpretar canções de George e Ira Gershwin, Cole Porter, e Irving Berlin, conhecendo então o cantor Don Ross que a lançou, transformando-se no seu manager oficial. Foi ele que a convenceu a viajar até Chicago, onde trabalhou na NBC radio. Em 1933, já em Nova Iorque, ingressou no programa de rádio Chesterfield's "Music that Satisfies", ao lado de Bing Crosby. Casada com Don Ross, juntou-se às Ziegfeld Follies, onde foi amiga de Fannie Brice. Em 1934, com 27 anos, era a coqueluche das "girl singers", de tal forma que quando perguntaram a Billy Rose, um importante produtor quais as 10 melhores cantoras, ele respondeu "Jane Froman e mais nove". Foi popularíssima na rádio, no teatro, no cinema e também na televisão.


No cinema surgiu apenas em três filmes, “Kissing Time” (1933), “Stars Over Broadway” (1935) e “Radio City Revels” (1938). Entre 1952 e 1955, teve o seu próprio show de TV, “The Jane Froman Show”, no canal CBS. Mas Jane Froman tornou-se ainda mais popular em virtude de um acidente de aviação que sofreu, em 1943, ao chegar a Lisboa. A aeronave onde viajava, um Boeing 314 de nome Yankee Clipper, com cerca de 40 pessoas a bordo,  caiu no rio Tejo, provocando mortes e feridos. Jane Froman ficou muito ferida, com várias fracturas, recuperou, juntamente com o co-piloto, John Curtis Burn, com quem haveria de casar em 1948, depois do seu divórcio de Don Ross. Froman sofreu 39 operações, mas, mesmo assim, regressou à Europa para cantar, ao longo de 95 shows, para as tropas norte-americanas, durante a II Guerra Mundial. Em 1952, Walter Lang, sobre argumento de Lamar Trotti, realiza “With a Song in My Heart”, baseado na sua vida, sobretudo na sua carreira pós acidente. A própria cantora serviu de conselheira durante a produção, tendo papel relevante em vários aspectos. Foi ela que escolheu Susan Hayward para a encarnar no cinema, e foi ela que deu a sua voz nos números cantados. Um papel que valeu a Susan Hayward mais uma nomeação para o Oscar de Melhor Actriz (teve quatro nomeações e um Oscar por “Quero Viver!”).
O filme é um musical biográfico, como alguns mais que se realizaram na época (relembra, em muitos aspectos, “White Christmas”, de Michael Curtiz, rodado em 1954, sobretudo na sequência final), sendo uma obra abertamente patriótica, sublinhando o esforço americano durante a II Guerra Mundial, e tentando galvanizar o espectador com um magnífico conjunto de canções de alguns dos maiores compositores e letristas desta época. A realização é apenas eficaz, sóbria, servindo os propósitos, sem procurar desnecessariamente chamar a atenção. Na sua simplicidade de meios, merecem destaque os números musicais, a qualidade do guarda-roupa, a boa fotografia num colorido bem trabalhado. Nos Oscars do ano mereceu cinco nomeações, Melhor Actriz, Melhor Actriz Secundária (a excelente Thelma Ritter), Melhor Guarda-roupa a cores (Charles Le Maire), Melhor Som (Thomas T. Moulton) e ainda Melhor Partitura Musical (Alfred Newman, que merecidamente recebeu o Oscar). Nos Globos de Ouro, venceria na categoria de Melhor Filme (Musical ou Comédia) e Melhor Actriz (Musical ou Comédia). Susan Hayward foi igualmente muito justamente consagrada neste seu trabalho, onde se misturam emoções díspares, sempre com rigor e uma cativante simpatia.
Já o mesmo não se poderá dizer das sequências onde surge Lisboa. Nenhuma delas é filmada no nosso país, mas sim em estúdios americanos (20th Century Fox), e os actores que passam por portugueses falam numa algaraviada, que mistura espanhol e brasileiro, que assusta. Algo que era muito comum nesta época em filmes norte-americanos – uma total falta de rigor na pesquisa e nas soluções encontradas.

Por curiosidade, aqui se referem os temas musicais incluídos em “Quando o Coração Canta”, alguns dos quais, os derradeiros, aparecem no medley com que termina a pelicula:
WITH A SONG IN MY HEART, de Richard Rodgers e Lorenz Hart (1929); HOE THAT CORN, de Max Showalter e Jack Woodford; THAT OLD FEELING, de Sammy Fain e Lew Brown; JIM'S TOASTY PEANUTS, de Ken Darby; I'M THRU WITH LOVE, de Fud Livingston, Matty Malneck e Gus Kahn (1931); GET HAPPY, de Harold Arlen e Ted Koehler (1930); BLUE MOON, de Richard Rodgers e Lorenz Hart (1930); ON THE GAY WHITE WAY, de Ralph Rainger e Leo Robin (1942); THE RIGHT KIND, de Alfred Newman, Don George e Charles Henderson (1948); HOME ON THE RANGE, possivelmente de Daniel E. Kelley (1904) e Brewster M. Higley (1873); MONTPARNASSE, de Alfred Newman e Eliot Daniel; EMBRACEABLE YOU, de George Gershwin e Ira Gershwin (1930); TEA FOR TWO, de Vincent Youmans e Irving Caesar (1925); IT'S A GOOD DAY, de Peggy Lee e Dave Barbour (1947); THEY'RE EITHER TOO YOUNG OR TOO OLD, de Arthur Schwartz e Frank Loesser (1943); I'LL WALK ALONE, de Jule Styne e Sammy Cahn (1944); AMERICA THE BEAUTIFUL, de Samuel A. Ward e Katharine Lee Bates; WONDERFUL HOME SWEET HOME, de Ken Darby; GIVE MY REGARDS TO BROADWAY, de George M. Cohan (1904); CHICAGO, de Fred Fisher (1922); CALIFORNIA, HERE I COME, de Joseph Meyer, Al Jolson e Buddy G. DeSylva (1924); CARRY ME BACK TO OLD VIRGINNY, de James Allen Bland (1878); STEIN SONG, de E.A. Fenstad (1901) e Lincoln Colcord (1910); INDIANA, de James F. Hanley e Ballard MacDonald (1917); ALABAMY BOUND, de Ray Henderson, Bud Green e Buddy G. DeSylva (1925); DEEP IN THE HEART OF TEXAS, de Don Swander e June Hershey (1941); DIXIE, de Daniel Decatur Emmett (1859).

QUANDO O CORAÇÃO CANTA
Título original: With a Song in My Heart
Realização: Walter Lang (EUA, 1952); Argumento: Lamar Trotti; Produção: Lamar Trotti, Darryl F. Zanuck; Música original: Alfred Newman; Fotografia (cor):  Leon Shamroy; Montagem: J. Watson Webb Jr.; Direcção artística: Lyle R. Wheeler, Joseph C. Wright; Decoração: Thomas Little, Walter M. Scott; Guarda-roupa:  Charles Le Maire, Sam Benson; Maquilhagem: Ben Nye; Assistentes de realização: Hal Klein; Som: Roger Heman Sr., Arthur von Kirbach; Efeitos especiais: Fred Sersen; Efeitos visuais: Ray Kellogg; Companhia de produção: Twentieth Century Fox Film Corporation; Intérpretes: Susan Hayward (Jane Froman), Rory Calhoun (John Burn), David Wayne (Don Ross), Thelma Ritter (Clancy), Robert Wagner (Soldado), Helen Westcott (Jennifer March),Una Merkel          (Irmã Marie), Richard Allan (bailarino / tenor), Max Showalter (Harry Guild), Bill Baldwin, Ralph Brooks, Charles Calvert, James Conaty, Robert Easton, Leif Erickson, Douglas Evans, Eddie Firestone, The Four Girl Friends, Ed Haskett, Art Howard, Stanley Logan, Adele Longmire, The Modernaires, Carlos Molina, Rosa Maria Monteiro, Ernest Newton, Mary Newton, George Offerman Jr., Mario Pacheco Jr., Nestor Paiva, Fabio Ramos, Jack Richardson, Dick Ryan, Carol Savage, George Sawaya, Hal Schaefer, The Skylarks, Bill Slack, Bud Stark, The Starlighters, Bert Stevens, Frank Sully, Lyle Talbot, Albano Valerio, Emmett Vogan, Maude Wallace, Dick Winslow, etc. Duração: 117 minutos; Distribuição em Portugal: Atalanta Filmes; Classificação etária: M/ 12 anos; Data de estreia em Portugal: 12 de Janeiro de 1953. 

SUSAN HAYWARD (1917 – 1975)
Edythe Marrenner, mais tarde conhecida por Susan Hayward, nasceu a 30 de Junho de 1917, em Brooklyn, Nova Iorque, EUA, e viria a falecer a 14 de Março de 1975, em Hollywood, Los Angeles, Califórnia, EUA, vítima de cancro no cérebro. Pensa-se que terá sido por ter estado exposta a material radioactivo, durante as filmagens de “O Conquistador” (1956), em Utah. Outros actores deste filme, John Wayne, Agnes Moorehead, John Hoyt, Pedro Armendáriz, e o realizador Dick Powell faleceram vítimas de cancro. O caso permanece um escândalo.
De origens modestas, filha de operário, teve uma infância normal, estudou numa escola pública em Brooklyn, e pensava seguir uma carreira de secretariado, quando começou a fazer fotografia de moda, sendo então notada numa capa de revista pelo realizador George Cukor, que procurava uma cara nova para interpretar Scarlett O'Hara, em “E Tudo o Vento Levou” (1939), adaptação do romance de Margaret Mitchell, então em pré produção na MGM. Vivien Leigh seria a escolhida, mas Susan Hayward ficaria ligada à MGM e, em 1937, estrear-se-ia em “Hollywood Hotel”. Sucederam-se os pequenos papéis até que, em 1939, é particularmente notada em “Beau Geste”. A beleza natural, a determinação e a força interior, a destreza para a dança e a boa voz para a canção, aliadas a uma natural propensão para a aventura e o drama fizeram dela uma actriz que foi acumulando sucessos: “Ódio que Vive” (1941), “O Vento Selvagem” (1942), “Clarão no Horizonte” (1942), “A Vida de Jack London” (1943), “O Amanhã é Nosso” (1944), “Um de Nós é Criminoso” (1946), “História de Uma Mulher” (1947, primeira nomeação para o Oscar), “Meu Louco Coração” (1949, segunda nomeação para o Oscar), “Quando o Coração Canta” (1952, terceira nomeação para o Oscar), “A Dama Marcada” (1953), “Uma Mulher no Inferno” (1955, quarta nomeação para o Oscar) e, finalmente, “Quero Viver!” (1958, quinta nomeação para o Oscar de Melhor Actriz, que venceu). Em três das suas nomeações interpretou personagens alcoolizadas. E a sua carreira continuou com regularidade até ser interrompida pela doença e a morte em 1975. Casada com Jess Barker (1944 - 1954) e Floyd Eaton Chalkley (1957-1966). Sepultada na “Our Lady of Perpetual Help Catholic Church”, em Carrollton, Georgia, EUA. 


ilmografia

Como actriz: 1938: Hollywood Hotel (Hollywood Hotel), de Busby Berkeley (não creditada); The Amazing Dr. Clitterhouse (O Génio do Crime), de Anatole Litvak; Campus Cinderella, de Noel M. Smith (curta-metragem); The Sisters (As Irmãs), de Anatole Litvak; Girls on Probation, de William C. McGann; Comet Over Broadway (Promessa Cumprida), de Busby Berkeley; 1939: Beau Geste (Beau Geste), de William A. Wellman; Our Leading Citizen, de Alfred Santell; $1000 a Touchdown, de James Patrick Hogan; 1941: Adam Had Four Sons (Os Quatro Filhos de Adão), de Gregory Ratoff; Sis Hopkins (Serenata da Broadway), de Joseph Santley; Among the Living (Ódio que Vive), de Stuart Heisler; 1942: Reap the Wild Wind (O Vento Selvagem), de Cecil B. DeMille; The Forest Rangers (Clarão no Horizonte), de George Marshall; I Married a Witch (Casei com Uma Feiticeira), de René Clair; 1942: Star Spangled Rhythm (Cocktail de Estrelas), de George Marshall; Paramount Victory Short No. T2-1: A Letter from Bataan (curta-metragem); 1943: Young and Willing, de Edward H. Griffith; Hit Parade of 1943 (Melodias Fantásticas), de Albert S. Rogell; Jack London (A Vida de Jack London), de Alfred Santell; 1944: The Fighting Seabees (O Batalhão Suicida), de Howard Lydeeker e Edward Ludwig; Skirmish on the Home Front (curta-metragem); The Hairy Ape (Macaco Peludo), de Alfred Santell; And Now Tomorrow (O Amanhã é Nosso), de Irving Pichel; 1946: Deadline at Dawn (Um de Nós é Criminoso), de Harold Clurman; Canyon Passage (Amor Selvagem), de Jacques Tourneur; 1947: Smash-Up, the Story of a Woman (História de Uma Mulher), de Stuart Heisler; They Won't Believe Me (Não Me Condenem), de Irving Pichel; The Lost Moment (Recordações), de Martin Gabel; 1948: Taps Roots (Raízes Fortes), de George Marshall; The Saxon Charm (O Vencido), de Claude Binyon; 1949: Tulsa (Tulsa - Ouro Negro), de Stuart Heisler; House of the Stangers (Sangue do Meu Sangue), de Joseph L. Mankiewicz; My Foolish Heart (Meu Louco Coração), de Mark Robson; 1951: I'd Climb the Highest Mountain (A História de Uma Alma), de Henry King; Rawhide (O Correio do Inferno), de Henry Hathaway; I Can Get It for You Wholesale (Ambição de Mulher), de Michael Gordon; David and Bathsheba (David e Betsabé), de Henry King; With a Song in My Heart (Quando o Coração Canta), de Walter Lang; The Snows of Kilimanjaro (As Neves do Kilimanjaro), de Henry King; The Lusty Men (Idílio Selvagem), de Nicholas Ray; 1953: The president's Lady (A Dama Marcada), de Henry Levin; White witch doctor (A Feiticeira Branca), de Henry Hathaway; 1954: Demitrius and the gladiateur (Demétrio, o Gladiador), de Delmer Daves; Garden of devil (O Jardim do Diabo), de Henry Hathaway; 1955: Untamed (Enquanto Dura a Tormenta), de Henry King; Soldier of fortune (O Aventureiro de Hong Kong), de Edward Dmytryk; I'll Cry Tomorrow (Uma Mulher no Inferno), de Daniel Mann; 1956: The Conqueror (O Conquistador), de Dick Powell; 1957: Top Secret Affair (Escândalo na Primeira Página), de Henry C. Potter; 1958: I Want to Live ! (Quero Viver!), de Robert Wise; 1959: Thunder in the Sun (Tormenta ao Sol), de Russell Rouse; Woman Obsessed (Meu Coração Tem Dois Amores), de Henry Hathaway; 1961: The Marriage-Go-Round (O Marido, a Mulher e o Problema), de Walter Lang; Ada (Ada), de Daniel Mann; Back street (A História de um Grande Amor), de David Miller; 1962: I Thank a Fool (O Grito da Alma), de Robert Stevens; 1963: Stolen Hours (Horas Roubadas), de Daniel Petrie; 1964: Where love as gone (Para onde Foi o Amor), de Edward Dmytryk; 1967: The Honey Pot (O Preço do Dinheiro), de Joseph L. Mankiewicz; Valley of the Dolls (O Vale das Bonecas), de Mark Robson; 1967: Think Twentieth (curta-metragem); 1972: Say Goodbye, Maggie Cole, de Jud Taylor (telefilme); The Revengers (Os Justiceiros), de Daniel Mann; Heat of Anger, de Don Taylor (telefilme); 1981: Sixty Years of Seduction (documentário TV); 2001: Cleopatra: The Film That Changed Hollywood (documentário TV).