quarta-feira, 8 de abril de 2015

21 DE ABRIL DE 2015


A ESTRANHA PASSAGEIRA (1942)

Irving Rapper (1898-1999), nascido em Londres, mas respeitado cineasta norte-americano, para todos os efeitos, não se pode considerar um dos seus grandes autores, mas a verdade é que assinou alguns dos sucessos dos anos 40, estando muito associado a triunfos de Bette Davis, enquanto ambos trabalharam para a Warner Bros. Começou a carreira como actor, depois encenador na Broadway, enquanto estudava na Universidade de Nova Iorque, passando ao cinema, em 1936, como dialoguista e assistente de realização contratado pela Warner Bros. Entre 1942 e 1952 dirigiu Bette Davis em quatro filmes, considerados dos melhores desta primeira fase da actriz: “Now, Voyager” (1942), “The Corn Is Green” (1945), “Deception” (1946), e “Another Man's Poison” (1952). Mas Rapper dirigiu outros filmes particularmente interessantes, como “The Adventures of Mark Twain” (1944), o dedicado a George Gershwin, “Rapsódia em Blue” (1945), “One Foot in Heaven” (1941), “The Brave One” (1956), com o qual Dalton Trumbo ganhou um Oscar da Academia, assinando com o pseudónimo Robert Rich, pois estava inscrito nas listas negras do macarthismo, ou “The Glass Menagerie” (1950), primeira adaptação ao cinema de uma peça teatral de Tennessee Williams. Morreu dias antes de completar 102 anos.
Entretanto, Bette Davis, que entrara para a Warner em 1932, depois de uma curta passagem pela Universal, sem qualquer relevo, torna-se num dos rostos da produtora, possivelmente a sua vedeta de maior sucesso. Em 1934, consegue a primeira das suas onze nomeações para Melhor Actriz, em “Of Human Bondage”, no ano seguinte ganhou o seu primeiro Oscar com “Dangerous” e, três anos depois, repete o feito com “Jezebel”. No seu período Warner surge ainda em “Dark Victory”, “The Old Maid”, “The Letter”, “The Little Foxes”, “The Great Lie”, ou “Mr. Skeffington”. “Deception” (1946) marca o início de um curto período de apagamento, regressando em glória em “All About Eve” (1951).


“Now, Voyager” parte de um romance de Olive Higgins Prouty que integra uma saga familiar em cinco volumes, “The White Fawn” (1931), “Lisa Vale” (1938), “Now, Voyager” (1941), “Home Port” (1947), e “Fabia” (1951). Ambientado em Boston, esta terceira etapa da história da família Vale andou em bolandas pelo estúdio Warner durante vários anos. Inicialmente seria o realizador Edmund Goulding a dirigi-la com Irene Dunne como protagonista, depois coube a vez a Michael Curtiz, que pretendia trabalhar com Norma Shearer. Mas o produtor Hal B. Wallis acabou por achar que Bette Davis seria a melhor aposta, escolhendo o jovem Irving Rapper para concretizar o projecto. Bette Davis era já conhecida pelo seu mau feitio, por um lado, e perfeccionismo por outro. Apanhando pela frente um director tenrinho, terá manobrado a seu belo prazer. Parece que escolheu o guarda-roupa, seu e de outros actores, interferiu no penteado de Paul Henreid, discutiu o argumento e não seria surpresa para ninguém se tivesse dado os seus palpites à iluminação do director de fotografia, Sol Polito. Afinal ela sabia muito bem qual o seu melhor ângulo e o seu perfil predilecto. Irving Rapper ter-se-á lamentado da sua relação com Davis, o que já não era novidade, no filme anterior a actriz cortara relações com Michael Curtiz, mas sempre elogiou o extraordinário talento da actriz. Pelo resultado final, não se pode dizer que Bette Davis e Irving Rapper não tenham, em conjunto, funcionado bem, pelo menos para o espectador, dado que o resultado final acabaria por ser um dos mais belos e modelares melodramas desta época no cinema americano.
“Estranha Passageira” é uma daquelas obras onde tudo parece harmonizar-se de forma perfeita, onde o toque de magia terá imperado, onde a soma de todos os elementos acaba por ser superior ao que se poderia esperar. O argumento é extremamente interessante e desenvolve-se de forma coerente, mantendo o espectador envolvido pelo ambiente e pelo destino das personagens. Deve dizer-se que a realização é sóbria e profundamente eficaz, com momentos de subtil toque de classe, quer pelos enquadramentos, pelos movimentos discretos, pela tonalidade escolhida. Muito contribui a excelente fotografia de Sol Polito, num preto e branco particularmente sugestivo, e a partitura musical de Max Steiner, que se tornou um clássico. 
 

A protagonista é Charlotte Vale (Bette Davis), que no início nos surge como uma jovem mulher perfeitamente subjugada ao domínio tirânico de uma mãe possessiva e arrogante. Mrs. Henry Vale (Gladys Cooper) é uma velha empertigada e opressiva que encerra a filha num colete-de-forças que a leva à esquizofrenia. O retrato então composto por Bette Davis é notável, desde o cabelo aos sapatos, dos óculos ao vestidinho de ramagens que só pode ser a preto e branco ou em tons de cinzentos, passando pela postura das mãos, à forma como anda ou se senta, culminando com o tom de voz, entre o hesitante, o indeciso e o reprimido. Um dia, encontra o Dr. Jaquith (Claude Rains), que a convida a passar uns dias na sua clínica, onde reabilita Charlotte, instilando-lhe confiança, independência de movimentos, a liberta de constrangimentos, insuflando-lhe nova vida. Afasta-se da casa materna, adquire nova postura, muda de visual, transforma-se, dir-se-ia uma outra mulher. Viaja, donde o título “Now, Voyager”, citação de um verso de um poema de Walt Whitman, incluído no seu livro “Leaves of Grass” (The Untold Want/ By Life and Land Ne'er Granted/ Now, Voyager/ Sail Thou Forth to Seek and Find). Durante um cruzeiro que termina no Rio de Janeiro (a viagem era para ser pela Europa, mas o facto desta se encontrar devastada pela guerra, mudou o rumo da viagem, segundo os produtores), encontra Jerry Durrance (Paul Henreid), um arquitecto, casado e pai de uma filha com problemas. Do encontro resulta uma paixão que atravessará toda a acção restante do filme. Estamos numa época em que o código Hays imperava, por isso tudo parece permanecer no mais rígido registo da moral dominante, mas, sob a aparência desse “nada acontecer de mal”, palpita uma sensualidade fortíssima, lateja um erotismo que tudo deixa supor. Por vezes é mais forte o que se elide do que o que se mostra. É o caso, servido por actores que sabem usar as palavras, os olhares, os gestos, os subentendidos para gerarem um clima de paixão libidinal indesmentível.
Num tempo em que a psicanálise entusiasmava Hollywood, este melodrama admiravelmente concebido sobre a emancipação de uma mulher (sobre a emancipação “da” mulher) permanece um marco de invejável modernidade.

A ESTRANHA PASSAGEIRA
Título original: Now, Voyager
Realização: Irving Rapper (EUA, 1942); Argumento: Casey Robinson, segundo romance de Olive Higgins Prouty; Produção: Hal B. Wallis;  Música: Max Steiner; Fotografia (p/b): Sol Polito; Montagem: Warren Low; Direcção artística: Robert M. Haas; Decoração:  Fred M. MacLean; Guarda-roupa:  Orry-Kelly; Maquilhagem: Perc Westmore, Martha Acker, Edwin Allen; Direcção de Produção Al Alleborn; Assistentes de realização: Emmett Emerson, Sherry Shourds; Departamento de arte: Scotty Moore, John More; Som: Robert B. Lee; Efeitos especiais: Willard Van Enger; Companhia de produção: Warner Bros.; Intérpretes: Bette Davis  (Charlotte Vale), Paul Henreid (Jerry Durrance), Claude Rains (Dr. Jaquith), Gladys Cooper (Mrs. Henry Vale), Bonita Granville (June Vale), John Loder (Elliot Livingston), Ilka Chase (Lisa Vale), Lee Patrick, Franklin Pangborn, Katharine Alexander, James Rennie, Mary Wickes, Tod Andrews, Brooks Benedict, David Clyde, Yola d'Avril, Frank Dae, Donald Douglas, Charles Drake, Claire Du Brey, etc. Duração: 117 minutos; Distribuição em Portugal: Warner Bros (DVD); Classificação etária: M/ 12 anos; Data de estreia em Portugal: 21 de Janeiro de 1947.


BETTE DAVIS (1908 - 1989)
Ruth Elizabeth Davis ou Bette Davis, também conhecida como “The Fifth Warner Brother” ou “The First Lady of Film”, nasceu a 5 de Abril de 1908, em Lowell, Massachussets, EUA, e viria a falecer, aos 81 anos, em Neuilly-sur-Seine, França, no dia 6 de Outubro de 1989. Foi casada com Harmon Nelson (1932 - 1938), Arthur Farnsworth (1940 - 1943), William Grant Sherry (1945 - 1950) e Gary Merrill (1950 - 1960). Foram conhecidos os seus relacionamentos com William Wyler e Howard Hughes.
Ganhou dois Oscars da Academia, como Melhor Actriz em 1936, para “Mulher Perigosa” e, em 1939, para “Jezebel, a Insubmissa”, mas foi nomeada por mais nove vezes: 1934: “Of Human Bondage”, 1939: “Dark Victory”, 1940: “The Letter”, 1941: “The Little Foxes”, 1942: “Now, Voyager”, 1944: “Mr. Skeffington”, 1950: “All About Eve”, 1952: “The Star” e 1962: “What Ever Happened to Baby Jane?. Globos de Ouro, como Melhor Actriz, em 1950, por “All About Eve”, em 1961, por “A Pocketful of Miracles”, em 1962, por “What Ever Happened to Baby Jane?” e em 1974, Prémio Cecil B. DeMille pelo conjunto da sua obra. Prémio de Melhor Actriz para o Círculo de Críticos de Nova York, em 1950, por “All About Eve”. Foi “Emmy Awards”, como Melhor Actriz em Mini série ou Filme, em 1979, pelo trabalho em “Strangers: The Story of a Mother and Daughter”. Prémio Cecil B. DeMille. Prémio Honorário do “Screen Actors Guild Life Achievement”. Melhor Actriz, no Festival de Cannes de 1951, em “All About Eve”. Cesar honorário em 1974 (França). Melhor Actriz, no Festival de Veneza (Itália), em 1937, por “Kid Galahad”.
Bette Davis foi uma actriz muito versátil e particularmente dotada, que gostava sobretudo de interpretar personagens algo antipáticas, percorrendo dramas e melodramas, policiais, comédias ou filmes históricos. Trabalhou no teatro, no cinema e na televisão, quase até ao fim da sua vida, apesar de doente (cancro da mama). Estreou-se no teatro, passou pela Broadway, antes de aparecer em Hollywood, em 1930. As produções da Universal Studios onde participou não faziam prever o sucesso futuro, que começa logo que passa para a Warner Bros. em 1932. Foi uma diva incontestada durante os anos 40 e 50, facilmente reconhecida pelo estilo muito pessoal, pela frontalidade e coragem demonstrada nalguns confrontos com estúdios e mesmo com realizadores. Com voz forte, cigarro na mão, e imagem desembaraçada, impôs uma personagem inesquecível.
Foi uma das co-fundadoras da Hollywood Canteen, juntamente com John Garfield, Cary Grant e Jule Styne, uma iniciativa criada para angariar fundos para o Exército e entreter soldados norte-americanos durante a II Guerra Mundial e foi a primeira presidente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.
Os pais foram Harlow Morrell Davis, um advogado, e Ruth ("Ruthie") Augusta. A família era protestante, de origem inglesa, francesa e escocesa. Em 1915, depois do divórcio dos pais, “Betty”, como era carinhosamente conhecida, estudou num internato de Crestalban, em Lanesborough, cidade do planalto de Berkshire. Em 1921, Ruth Davis mudou-se com as filhas para Nova Iorque, onde trabalhou como retratista. Após assistir às representações de Rudolph Valentino em “Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse” (1921), e Mary Pickford em “O Pequeno Lord” (1921), Betty sentiu que a sua vocação era o teatro e o cinema, no que foi incentivada pela mãe. Frequentou o internato Cushing Academy, em Ashburnham, Massachusetts, onde conheceu seu primeiro marido, Harmon O. Nelson. Em 1926, assistiu a uma representação da peça “O Pato Selvagem”, de Henrik Ibsen, e "mesmo antes de a peça começar, eu queria ser actriz. Quando ela terminou, eu tinha que ser uma actriz… exactamente como Peg Entwistle", a protagonista do espectáculo. Tentou entrar no Civic Repertory Theatre, uma companhia de teatro dirigida por Eva LeGallienne, em Manhattan, mas foi rejeitada pela própria LeGallienne, que a acusou de ser "frívola" e "falsa". Pouco depois, seria aceite na John Murray Anderson School of Theatre, onde estudou dança com Martha Graham. Depois de um teste não muito conclusivo na companhia de teatro de George Cukor, este deu-lhe um papel, o de uma corista, numa peça da Broadway, durante uma semana. Depois de andar por Filadélfia, Washington D.C. e Boston, Bette Davis estreou-se na Broadway, em 1929, com a peça “Pratos Quebrados”, sendo notada por um caçador de talentos da Universal Pictures, que a convidou para um teste em Hollywood. Em “The Bad Sister” (1931), Davis fez sua primeira aparição nos cinemas, num papel insignificante. O filme, de série B, é hoje recordado por assinalar as estreias de Bette Davis e Humphrey Bogart no cinema, marcando o nascimento de dois dos mitos maiores da cinematografia mundial. Já sob contrato da Warner, Bette Davis convence os directores a cedê-la à RKO Pictures, para a produção de “Of Human Bondage”, em 1934. O filme, uma adaptação do romance homónimo do britânico W. Somerset Maugham, com Leslie Howard, obteve grande sucesso crítico. A “Life” escrevia que a Mildred Rogers de Bette Davis talvez fosse "a melhor interpretação de uma actriz americana registada em filme". Como o filme não foi nomeado para os Oscars, a actriz Norma Shearer iniciou uma campanha pela nomeação, pressionando a academia, alterando as regras para a votação do ano, permitindo que nomes não presentes nos boletins pudessem ser votados. No ano seguinte, a Warner Bros. deu-lhe o papel principal em “Dangerous”, sendo desta feita oficialmente candidata, e premiada pela primeira vez com o Oscar.
A partir daí, coleccionou trabalhos empolgantes, em “Jezebel”, de William Wyler (que foi o grande amor da sua vida, segundo ela própria confessou), “Dark Victory”, “The Private Lives of Elizabeth and Essex”, “All This and Heaven Too”, “The Letter”, “The Little Foxes”; “Now, Voyager”, “Watch on the Rhine”, “Mrs. Skeffington”, “All About Eve”, “The Star”, “A Pocketful of Miracles” ou “What Ever Happened to Baby Jane?” que a juntou à sua rival de estimação, Joan Crawford. Foi a actriz mais rentável da Warner, mas conheceu igualmente um período de apagamento, onde os fracassos se sucederam. O “Los Angeles Examiner” chegou a escrever sobre um filme seu: "um infeliz final de uma carreira brilhante".
Encarnou mais de cem papéis no cinema, na televisão e no teatro. Em 1999, no inquérito promovido pelo American Film Institute destinado a seleccionar as maiores actrizes de todos os tempos, Bette Davis ficou em segundo lugar, logo a seguir a Katharine Hepburn. No Hall of Fame, possui duas estrelas, uma relativa ao cinema, outra à televisão. Podem ser vistas frente aos nºs 6225 e 6233, em Hollywood Boulevard. Após a sua morte, Steven Spielberg comprou em leilões os dois Óscares ganhos por Bette Davis, entregando ambos à Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Kim Carnes fê-la regressar à fama mundial, sobretudo entre as gerações mais jovens, com a canção “Bette Davis Eyes”, em 1981.

Filmografia

1931: The Bad Sister, de Hobart Henley; Seed (Os Filhos), de John M. Stahl; Waterloo Bridge, de James Whale; Way Back Home, de William A. Seiter; 1932: The Menace, de Roy William Neill; Hell's House (Casa de Correcção), de Howard Higgin; The Man who Played God (O Regresso duma Alma), de John G. Adolfi; So Big!, de William Wellman; The Rich Are Always With Us, de Alfred E. Green; The Dark Horse, de Alfred E. Green; The Cabin in the Cotton, de Michael Curtiz; Three on a Match, de Mervyn LeRoy; 1933: 20.000 Years in Sing Sing (20.000 Anos em Sing Sing), de Michael Curtiz; Just Around the Corner (curta-metragem); Parachute Jumper (Em Plenas Nuvens), de Alfred E. Green; The Working Man, d'Alfred E. Green; Ex-Lady (A Intrusa), de Robert Florey; Bureau of Missing Persons (Perdidos para o Mundo), de Roy Del Ruth; The Big Shakedown, de John Francis Dillon; 1934: Fashions of 1934 (Música e Mulheres), de William Dieterle; Jimmy the Gent, de Michael Curtiz; Fog Over Frisco (Nevoeiro em São Francisco), de William Dieterle; Of Human Bondage (Escravos do Desejo), de John Cromwell; Housewife, de Alfred E. Green; 1935: Bordertown (Um Vencido da Vida), de Archie Mayo; The Girl form Tenth Avenue, de Alfred E. Green; Front Page Woman, de Michael Curtiz; Special Agent (Agente Especial), de William Keighley; Dangerous (Mulher Perigosa), de Alfred E. Green; 1936: The Petrified Forest (A Floresta Petrificada), de Archie Mayo; The Golden Arrow (A Flecha de Ouro), de Alfred E. Green; Satan Met a Lady (Relíquia Fatal), de William Dieterle; 1937: Kid Galahad (O Mais Forte), de Michael Curtiz; That Certain Woman (Cinzas do Passado), de Edmund Goulding; Marked Woman (A Mulher Marcada), de Lloyd Bacon; It's Love I'm After (A Comédia do Amor), de Archie Mayo; 1938: Jezebel (Jezebel, a Insubmissa), de William Wyler; The Sisters (As Irmãs), d'Anatole Litvak; 1939: The Old Maid (A Velha Ama), de Edmund Goulding; Juarez (A Derrocada de um Império), de William Dieterle; The Private Lives of Elizabeth and Essex (Isabel de Inglaterra), de Michael Curtiz; Dark Victory (Vitória Negra), de Edmund Goulding; 1940: If I Forget You (curta-metragem); All This, and Heaven Too (Tudo Isto e o Céu Também), de Anatole Litvak; The Letter (A Carta), de William Wyler; 1941: The Little Foxes (Raposa Matreira), de William Wyler; Shining Victory (Amargo Triunfo), de Irving Rapper; The Great Lie (A Grande Mentira), de Edmund Goulding; The Bride Came C.O.D. (Uma Noiva Caiu do Céu), de William Keighley; 1942: The Man Who Came to Dinner (Hóspede Indesejável ou O Homem que Veio para Jantar), de William Keighley; Now, Voyager (A Estranha Passageira), de Irving Rapper; In This Our Life (Nascida para o Mal); 1943: Watch on the Rhine (Horas de Tormenta), de Herman Shumlin; Old Acquaintance (Velha Amizade), de Vincent Sherman; Thank You Lucky Stars (Brilham as Estrelas), de David Butler; 1944: Mr. Skeffington (A Vaidosa), de Vincent Sherman; Hollywood Canteen (Um Sonho de Hollywood), de Delmer Daves; The Corn Is Green (O Coração Não Morre), de Irving Rapper; 1946: A Stolen Life (Uma Vida Roubada), de Curtis Bernhardt; Deception (Que o Céu a Condene), de Irving Rapper; 1948: Winter Meeting (Encontro no Inverno), de Bretaigne Windust; June Bride (Noiva da Primavera), de Bretaigne Windust; 1949: Beyond the Forest (A Filha de Satánas), de King Vidor; 1950: All About Eve (Eva), de Joseph L. Mankiewicz; 1951: Payment on Demand (A Ambiciosa), de Curtis Bernhardt; Another Man's Poison, de Irving Rapper; 1952: Phone Call from a Stranger (Chamada de um Desconhecido), de Jean Negulesco; Four Star Revue (série de TV); The Star (A Estrela), de Stuart Heisler; 1955: The Virgin Queen (A Rainha Virgem), de Henry Koster; 1956: The Catered Affair, de Richard Brooks; Storm Center (Tempestade), de Daniel Taradash; The 20th Century-Fox Hour (série de TV) – episódio Crack-Up; 1957: Telephone Time (série de TV) – episódio Stranded; The Ford Television Theatre (série de TV) – episódio Footnote on a Doll; Schlitz Playhouse of Stars (série de TV) – episódio For Better, for Worse; The Ford Television Theatre (série TV); 1957-1958: General Electric Theater (série de TV) – episódios The Cold Touch e With Malice Toward One; 1958: Studio 57 (série de TV) – episódio The Starmaker; Suspicion (série de TV) – episódio Fraction of a Second; 1959: The DuPont Show with June Allyson (série de TV) – episódio Dark Morning; The Alfred Hitchcock Hour (série de TV) – episódio Out There – Darkness; John Paul Jones (O Capitão Paul Jones), de John Farrow; The Scapegoat (O Outro Eu), de Robert Hamer; 1959-1961 Wagon Train (série de TV) – episódios The Bettina May Story, The Elizabeth McQueeny Story e The Ella Lindstrom Story; 1961: Pocketful of Miracles (Milagre Por Um Dia), de Frank Capra; 1962: What Ever Happened to Baby Jane? (Que Teria Acontecido à Baby Jane?), de Robert Aldrich; The Virginian (série de TV) – episódio The Accomplice; 1963: Perry Mason (série de TV) – episódio The Case of Constant Doyle; La Noia, de Damiano Damiani; 1964: Dead Ringer (A Morte Bate Três Vezes), de Paul Henreid; Where Love Has Gone (Para Onde Foi o Amor?), de Edward Dmytryk; Hush...Hush, Sweet Charlotte (Com a Maldade na Alma), de Robert Aldrich; 1965: The Nanny (A Velha Ama), de Seth Holt; 1966: Gunsmoke (série de TV) – episódio The Jailer; 1968: The Anniversary, de Roy Baker; 1970: Connecting Rooms (O Quarto ao Lado), de Franklin Gollings; It Takes a Thief (série de TV) Touch of Magic; 1971: Bunny O'Hare; 1972: Madame Sin (Madame Sin), de David Greene; Lo Scopone scientifico (O Jogo da Fortuna e do Azar), de Luigi Comencini; And Presumed Dead, de Morton da Costa; The Judge and Jake Wyler, David Lowell Rich (telefilme); 1973: Scream, Pretty Peggy, de Gordon Hessler David Lowell Rich; 1974: Hello Mother, Goodbye! (telefilme); 1976: Burnt Offerings (Férias Macabras) de Gerd Oswald; The Disappearance of Aimee, de Anthony Harvey (telefilme); 1977: Laugh-In (série de TV); 1978: Return from Witch Mountain () de John Hough; Death on the Nile (Morte no Nilo), de John Guillermin; The Children of Sanchez (Conflito de Gerações), de Hall Bartlett; The Dark Secret of Harvest Home (mini série de TV); 1979: Strangers: The Story of a Mother and Daughter, de Milton Katselas (telefilme); 1980: White Mama, de Jackie Cooper (telefilme); The Watcher in the Woods, de John Hough; Skyward, de Ron Howard (telefilme); 1981: Family Reunion, de Fielder Cook (telefilme); 1982: A Piano for Mrs. Cimino, de George Schaefer (telefilme); Little Gloria... Happy at Last, de Waris Hussein (telefilme); 1983: Hotel, de Jerry London (série de TV); Right of Way (O Direito de Escolher), de George Schaefer (telefilme); 1985: Murder with Mirrors, de Dick Lowry (telefilme); 1986: As Summers Die, de Jean-Claude Tramont (telefilme) ; 1987: The Whales of August (As Baleias de Agosto), de Lindsay Anderson; 1989: Wicked Stepmother (A Madrasta), de Larry Cohen. 

14 DE ABRIL DE 2015


A PONTE DE WATERLOO (1940)

“Waterloo Bridge”, rodado em 1940 por Mervyn LeRoy, é uma versão nova de uma obra de 1931, dirigida por James Whale, com um elenco de que faziam parte Mae Clarke, Douglass Montgomery, Doris Lloyd, entre outros. O argumento adaptava uma peça teatral de Robert E. Sherwood, que continua a estar na base da versão de 40, uma produção de Sidney Franklin e Mervyn LeRoy, para a Metro-Goldwyn-Mayer, com argumento e planificação de S. N. Behrman, Hans Rameau e George Froeschel. Dois aspectos importantes para o sucesso desta nova versão foram seguramente a partitura musical de Herbert Stothart, com temas que perduraram no ouvido dos espectadores e ajudaram a criar uma ambiência romântica indispensável, bem assim como a nebulosa fotografia a preto e branco, de Joseph Ruttenberg (música e fotografia seriam nomeados para os respectivos Oscars). Mas terá sido a presença do par Robert Taylor e Vivien Leigh, que configurou a razão maior para o êxito invulgar deste filme que, em plena II Guerra Mundial, recorda uma história passada durante o conflito de 1914-1918. Vivien Leigh vinha de um triunfo invulgar, a sua intervenção em “Gone with the Wind”, e esta sua participação ao lado de Robert Taylor marcará outro momento significativo na sua carreira. Ou, melhor dizendo, na carreira de ambos os actores, pois os dois se referem a “A Ponte de Waterloo” como o seu filme favorito.
Rodada em Inglaterra, com muitas cenas filmadas na Ponte de Waterloo, sobre o rio Tamisa, em Londres, a obra funciona em dois tempos históricos definidos. Abre em 1939, com a entrada da Inglaterra na II Guerra Mundial, assistindo-se então ao passeio solitário do coronel Roy Cronin (Robert Taylor) pela ponte que empresta o nome ao filme, interrompendo a sua viagem com destino a França. Esta paragem implica uma recordação, quando durante um outro conflito, duas décadas atrás, ele ali encontrara Myra Lester (Vivien Leigh), uma bailarina que Roy ajuda a recolher durante um bombardeamento da capital inglesa. Do encontro resultou uma história de amor que tudo indica ir acabar em casamento, não fosse a necessidade de Roy ir para a frente da batalha e Myra ter de sobreviver na cidade de Londres, com as dificuldades a avolumarem-se dia a dia, até que, tal como já acontecera com a sua colega e amiga Kitty (Virginia Field), o recurso à prostituição acabou por se impor, quando pensou que o seu amor havia morrido em combate.


Algum tempo depois, assinada a paz, de novo na ponte de Waterlooo, Myra descobre que Roy afinal está vivo e regressou. O reencontro tem um duplo sabor para ambos, mas Myra não consegue esconder a sua vergonha e tudo se precipita a partir daí, um desenlace trágico que Roy irá recordar duas décadas depois, quando novo conflito volta a assolar a Europa.
A relação desta obra com a censura nunca foi pacífica. Na versão de 1931, que adaptava com maior fidelidade a peça teatral de Robert E. Sherwood, os conflitos com a censura foram grandes pela presença mais clara de um tema tabu: a prostituição. Chegou a ser proibido nalguns estados (Chicago não permitiu a sua exibição) e, a partir de 1934, o filme de James Whale deixou de ser projectado, através de uma proibição decretada pelo recém criado código Hays. Na peça de teatro e na versão de 1931, Roy e Myra encontram-se na ponte de Waterloo durante uma ameaça de bombardeamento aéreo de Londres, mas a bailarina é uma frívola corista de music-hall e o oficial um inocente jovem que não se apercebe do passado da sua paixão. Quando se preparou a versão de 1940, com o código Hays em pleno funcionamento, os argumentistas foram muito mais cautelosos a abordar o tema, transformando Myra num bailarina de uma prestigiada companhia de ballet, que várias circunstâncias arrastam para a prostituição (sem que todavia se veja qualquer cena mais explicita dessa actividade). Tudo é apenas sugerido, e sempre salvaguardando a (relativa) pureza da jovem, que é atraída para o mau caminho a contragosto, e se redime renunciando ao seu amor e pagando por isso de forma consciente (no filme de 1931 morre vítima de acidente, no de 1940 suicida-se).
Curiosamente, no início o filme era para ser interpretado por Vivien Leigh e Laurence Olivier que, por essa altura, viviam um intenso romance amoroso. Viv, como era chamada carinhosamente Vivien Leigh, era ainda casada com o advogado Hebert Leigh Holman, com quem casara em 1932, apenas com 18 anos. Olivier, por seu lado, era casado com Jill Esmond. Ambos se divorciariam em 1940 para casarem, mas apesar de terem contracenado em várias peças e filmes, não o fizeram desta feita, o que, ao princípio deixou a actriz desanimada, apesar de ter acabado de rodar em 1938 um filme com Robert Taylor (“A Yank at Oxford”, O Estudante de Oxford, de Jack Conway). Mas ela julgava que o casting neste caso era desajustado. Verificou-se o contrário, ambos funcionaram perfeitamente, Taylor considerou que terá sido o seu melhor trabalho, e que “Miss Taylor era simplesmente magnífica no seu papel e que me fez parecer melhor”.


A interpretação da dupla central é realmente primorosa, ainda que o trabalho de Viv não tenha ultrapassado “E Tudo o Vento Levou” ou “Um Eléctrico Chamado Desejo”, e ambos conseguem estabelecer uma ligação emocional fortíssima e intensa, sem recurso a cenas de maior intimidade, mas apenas sugerindo os sentimentos e o desejo, o que tornou sintomaticamente o filme numa obra de certa densidade erótica, por meio dessa insinuação que deixa pairar no ar um sugestivo clima de sensualidade. Também a sóbria direcção de Mervyn LeRoy concorre para o resultado final. LeRoy foi um competente realizador que deixou marca em vários géneros, desde “O Pequeno César” (1931), “Eu Sou um Evadido” (1932), até ter passado por “O Feiticeiro de Oz” (1939), que viria a ser assinado por Victor Fleming, continuando com “Vidas Queimadas” (1941), “A Noiva Perdida” (1942), “Trinta Segundos Sobre Tóquio” (1944), até à superprodução histórica e bíblica “Quo Vadis” (1951), não descurando qualquer género, e retirando dos actores excelentes desempenhos. “Mister Roberts” (1955) e “Gypsy” (1962) atestam-no ainda.
“A Ponte de Waterloo” conheceu um sucesso brilhante de crítica ("One of the most beautiful plays and motion pictures of all time", escrevia o “Screen Guild Theater”, em 1941) e de público (segundo a MGM recolheu na bilheteira só nos EUA e Canadá, em estreia 1.250.000 de dólares, tendo um lucro de 491.000 dólares, o que era muito bom para a época).
Curiosidade suplementar: “Waterloo Bridge” foi adaptado a teatro radiofónico pelo “The Screen Guild Theater”, em Janeiro de 1941, com Brian Aherne e Joan Fontaine, e, mais tarde, em Setembro de 1946, desta feita com Barbara Stanwyck e Robert Taylor. A televisão surgiu no “Screen Directors Playhouse”, em 1951, com Norma Shearer.

A PONTE DE WATERLOO
Título original: Waterloo Bridge
Realização: Mervyn LeRoy (EUA, 1940); Argumento: S.N. Behrman, Hans Rameau, George Froeschel, segundo peça teatral de Robert E. Sherwood ("Waterloo Bridge"); Produção: Sidney Franklin; Música: Herbert Stothart; Fotografia (p/b): Joseph Ruttenberg; Montagem: George Boemler; Direcção artística: Cedric Gibbons; Decoração: Edwin B. Willis; Guarda-roupa: Adrian, Gile Steele, Irene; Direcção de Produção: William H. Cannon; Assistentes de realização: Al Shenberg; Departamento de arte: Urie McCleary; Som: Douglas Shearer; Companhias de produção: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM), A Mervyn LeRoy Production; Intérpretes: Vivien Leigh (Myra), Robert Taylor (Roy Cronin), Lucile Watson (Lady Margaret Cronin), Virginia Field (Kitty), Maria Ouspenskaya (Madame Olga Kirowa), C. Aubrey Smith (The Duke), Janet Shaw (Maureen), Janet Waldo (Elsa), Steffi Duna (Lydia), Virginia Carroll (Sylvia), Leda Nicova (Marie), Florence Baker (Beatrice), Margery Manning (Mary), Frances MacInerney (Violet), Eleanor Stewart (Grace), Leo G. Carroll, David Cavendish, Tom Conway, Douglas Gordon, Eric Lonsdale, Wilfred Lucas, Frank Mitchell, Jean Prescott, Clara Reid, etc. Duração: 108 minutos; Distribuição em Portugal: MGM; Classificação etária: M/ 12 anos; Data de estreia em Portugal: 26 de Maio de 1942.


VIVIEN LEIGH (1913 - 1967)
Conta-se que Vivien Leigh era ainda uma actriz em início de carreira, mas já enamorada de Laurence Olivier, quando disseram a este que daria um óptimo Rhett Butler, quando se falava da adaptação de “E Tudo o Vento Levou” a cinema. Vivien terá então dito: “ele não vai fazer Rhett Butler, mas eu serei Scarlett O'Hara”. Assim foi. Quando Selznick procurava a actriz para o papel, fazendo testes a dezenas de vedetas e desconhecidas, parece que Viv lhe terá dito: "Eu escolhi-me para Scarlett O'Hara. O que acha?" A obsessão era tão grande que um dia ainda na década de 30 terá confessado ao fotógrafo Angus McBean: “E Tudo o Vento Levou” é a minha Bíblia. E vou interpretar Scarlett nem que seja a última coisa que eu faça. Nunca leu? Tem de ler." Deu-lhe depois um exemplar da obra com uma dedicatória premonitória: "Ao querido Angus, com amor. Scarlett O'Hara". Esta era Vivian Leigh, que nasceu com o nome de Vivian Mary Hartley, a 5 de Novembro de 1913, na Índia (colónia britânica então), na cidade de Darjeeling. Faleceu, vítima de tuberculose, em Belgravia, Londres, a 7 de Julho de 1967. Tinha 53 anos.
Oriunda de uma família da média burguesia inglesa, o pai, Ernest Hartley, era agente de câmbio e, simultaneamente, actor amador. Após o término da I Guerra Mundial, a família regressou a Inglaterra, onde, aos 6 anos de idade, a mãe, Gertrude Hartley, internou Vivian no Convento do Sagrado Coração. Aí, fez amizade com Maureen O'Sullivan, irlandesa, que se ira igualmente notabilizar no cinema. Em 1932, com 18 anos, entrou na Academia Real de Artes Dramáticas de Londres, mas saiu para casar com o jovem advogado Hebert Leigh Holman, de 31 anos. No ano seguinte nasceu Suzanne Holman, filha do casal. Pouco depois, Vivien regressa aos estudos teatrais e torna-se actriz. No cinema, começa por um pequeno papel em “Things Are Looking Up” (1935), tendo posteriormente mudado o nome artístico para Vivien Leigh, por sugestão do seu agente, John Glidden.

No teatro, estreou-se nos palcos de Londres interpretando uma esposa coquete em “The Green Sash”, a que se seguiu “The Mask Of Virtue”, que a tornaria célebre. Os elogios da crítica a Viv e os aplausos do público levaram o produtor cinematográfico Alexander Korda a contratá-la por cinco anos. Foi conjugando o teatro e o cinema, até que, em 1937, Viv, como passou a ser conhecida, encontrou Laurence Olivier, na rodagem de “Fire Over England”. No mesmo ano, interpretaram juntos, no teatro, “Hamlet”, no Castelo de Elseneur, local da tragédia de Shakespeare, e o triunfo foi total. As carreiras de ambos prosseguiram e, em 1938, Laurence Olivier viaja até aos EUA para interpretar “O Monte dos Vendavais”, uma produção de Samuel Goldwyn (1939), para a qual chegou a estar pensada a participação de Vivien Leigh, mas cujo papel seria finalmente entregue a Merle Oberon. Vivien, quando foi visitar o marido à América, foi lendo, a bordo do Queen Mary, um romance que gostaria muito de representar, “E Tudo o Vento Levou”, de Margaret Mitchell. Scarlett O’ Hara era um papel que fascinava as actrizes da época e muitas fizeram testes para o conquistarem: Tallulah Bankhead, Paulette Goddard, Jean Arthur, Joan Bennett, Lana Turner, Susan Hayward. Mas o produtor David O. Selznick preferia uma actriz pouco conhecida do público americano e escolheu Vivien Leigh, que havia jurado ser a eleita. Um dia dissera: “Vou interpretar Scarlett nem que seja a última coisa que eu faça.”
“E Tudo o Vento Levou” ganhou rapidamente o estatuto de mito, sendo considerado o filme mais visto de sempre, e um dos mais aclamados. Conquistaria 10 Oscars e Vivien Leigh, interpretando Scarlett, ganhou o primeiro da sua carreira (o segundo consegui-lo-á, em 1949, com a participação em “Um Eléctrico Chamado Desejo”, de Elia Kazan, na figura de Blanche DuBois). Entretanto, tanto Viv como Olivier já se tinham divorciado e casado em 1940.
O sucesso de Vivien Leigh foi fulgurante mas agitado e acompanhado pela doença, quando lhe foi diagnosticada tuberculose e uma propensão maníaco-depressiva, com sintomas de bipolaridade. Ganhara fama de ser de difícil trato, inclusive a trabalhar, acusavam-na de uma sexualidade desmedida e de adúltera e promíscua (tal como o marido, Laurence Olivier). Sobreviveu a dois abortos, mas, muito fragilizada, caiu em depressão profunda, teve um esgotamento durante as filmagens de “Elephants Walk”, de William Dieterle (1953), tendo sido substituída por Elizabeth Taylor. O casamento com Olivier fracassou até ao divórcio, em 1960. Ainda ganharia um Tony, em 1963, pelo seu desempenho na comédia musical “Tovarich”. O seu último filme, “A Nave dos Loucos” é de 1965.
Quando ensaiava “A Delicate Balance”, de Edward Albee, em Londres, teve uma recaída e morreu, em 7 de Julho de 1967. Cremada, as cinzas foram espalhadas no Lago no moinho Tickerage, perto de Blackboys, Sussex na Inglaterra. Assim desapareceu uma das mais belas e talentosas actrizes de todos os tempos, passando a lenda imortal.

Filmografia:

Como actriz: 1935: The Village Squire, de Reginald Denham; Things Are Looking Up, de Albert de Corville; Look Up and Laugh, de Basil Dean; Gentlemen's Agreement, de George Pearson; 1937: Fire Over England (Inglaterra em Chamas), de William K. Howard; Dark Journey (Jornada Negra), de Victor Saville; Storm in a Teacup (Tempestade num Copo de Água), de Ian Dalrymple e Victor Saville; 1938: A Yank at Oxford (O Estudante de Oxford), de Jack Conway;  Sidewalks of London ou St. Martin’s Lane (Ilusões Perdidas), de Tim Whelan; 1939: Gone with the Wind (E Tudo o Vento Levou), de Victor Fleming; 1940: 21 Days (Vinte e Um Dias), de Basil Dean; Waterloo Bridge (A Ponte de Waterloo), de Mervyn LeRoy; 1941: That Hamilton Woman (A Batalha de Trafalgar), de Alexander Korda; 1945: Caesar and Cleópatra (César e Cleópatra), de Gabriel Pascal; 1948: Anna Karenina (Ana Karenina), de Julien Duvivier; 1951: A Streetcar Named Desire (Um Eléctrico Chamado Desejo), de Elia Kazan; 1955: The Deep Blue Sea (Profundo como o Mar), de Anatole Litva; 1961: The Roman Spring of Mrs. Stone (A Primavera em Roma de Mrs. Stone), de José Quintero; 1965: Ship of Fools (A Nave dos Loucos), de Stanley Kramer. 

7 DE ABRIL DE 2015


QUANDO DANÇO CONTIGO (1948)

Sendo especialmente festivo, pois de trata de um musical, este é um dos filmes que, não sendo uma reconstituição histórica de episódios da vida de Cristo, mais vezes surge por altura da Páscoa, sobretudo nos ecrãs das televisões de todo mundo. “Easter Parade”, cuja tradução literal seria "Parada de Páscoa", ganhou em Portugal um  título bastante diferente, “Quando Danço Contigo”. Certamente por se ter estreado em Outubro… Mas, como estão já a adivinhar, há relações muito fortes com a Páscoa, ainda que este seja um filme norte-americano, e se refira a tradições e costumes algo diferentes dos nossos. Mas até por isso é interessante ver, ou rever, esta obra-prima do musical, que permite curiosas comparações no comportamento das sociedades.
Datado de 1948, foi uma das múltiplas produções de Arthur Freed para a Metro Goldwyn Mayer. Arthur Freed nasceu em 1894 e viria a falecer em 1973. Iniciou a sua carreira como autor de algumas canções para musicais e para espectáculos de vaudeville e de music-hall, tendo sido descoberto e lançado na Metro Goldwyn Mayer pela mão do produtor Irving Thalberg no período de consolidação do cinema sonoro, em fins da década de 20, princípio dos anos 30. Em 1939, como produtor associado de “O Feiticeiro de Oz”, alcançou um grande sucesso, o que lhe permitiu, a partir daí, passar a controlar toda a produção de musicais da M.G.M. Sendo uma personalidade decisiva na história do musical norte-americano, assinou um fabuloso conjunto de obras, entre 1939, data de “Babes in Armes”, até finais da década de 50. Um dos seus colaboradores mais regulares foi Vincente Minnelli, mas com Arthur Freed trabalharam, no entanto, quase todos os grandes nomes do musical desse período glorioso: Busby Berkeley, Stanley Donen, Gene Kelly, Michael Kidd, George Sidney...


Para lá da produção de “Easter Parade”, Arthur Freed foi ainda o produtor de muitas outras obras-primas do musical, como “Serenata à Chuva” e “Um Dia em Nova Iorque”, ambos da dupla Stanley Donen e Gene Kelly, “Um Americano em Paris”, “Não Como a Nossa Casa” e “A Lenda dos Beijos Perdidos” (Brigadoon), todos de Vincent Minnelli, “Meias de Seda”, de Rouben Mamoulian, ou “O Barco das Ilusões”, de George Sidney, e tantas e tantas outras obras que fizeram da MGM o farol de referência obrigatória neste género, durante um largo período de completa hegemonia. Durante grande parte das décadas de 30, 40 e 50, quando se falava de musical, falava-se da MGM, e falava-se forçosamente de Arthur Freed.
“Easter Parade” esteve inicialmente para ser dirigido por Vincente Minnelli, com um elenco composto por Gene Kelly, Judy Garland e Cyd Charisse. Alguns dias antes do início das filmagens, Arthur Freed escreveu a Minnelli uma carta dizendo-lhe que o psiquiatra de Judy Garland aconselhava que não fosse ele, Minnelli, marido de Judy Garland, a dirigi-la mais uma vez, depois das dificuldades surgidas durante as filmagens de “The Pirate”. Minnelli acedeu, foi substituído por Charles Walters, mas as peripécias não ficariam por aqui como iremos ver. Gene Kelly, por seu lado, parte uma clavícula durante um jogo de futebol americano, e tem igualmente de ser substituído por Fred Astaire que, entretanto, convalescia de dois anos de interregno no seu trabalho e teve de se empenhar a fundo por forma a conseguir uma "performance" digna do seu passado. Finalmente, Cyd Charisse, vítima de uma inflamação num dos tendões das suas fabulosas pernas, dá também o seu lugar a Ann Miller. Muita contrariedade junta para no final resultar num sucesso.
A intriga de “Quando Danço Contigo” relembra obviamente "Pigmalião", de Bernard Shaw, que posteriormente serviria de base a “My Fair Lady”: Don Hewes (Fred Astaire), ferido no seu orgulho por ter sido abandonado pela sua "partenaire" habitual, Nadine Hale (Ann Miller), promete e cumpre: é capaz de fazer de uma qualquer coristazinha uma grande bailarina. A coristazinha escolhida pelo acaso é Hannah Brown (Judy Garland), o que ajudou muito. Tudo se passa entre a Parada da Páscoa de um ano, e a Parada da Páscoa do ano seguinte, havendo pelo meio diversos números de magnífica qualidade musical, com canções de Irving Berlin e coreografia de Robert Alton.


A partitura musical “Easter Parade” é da responsabilidade de Johnny Green e Roger Edens, e com ela a dupla ganhou o Oscar do ano. As canções trazem a assinatura de um mestre incontestável, Irving Berling. Temas como “Easter Parade”,  “It Only Happens When I Dance With You” ou “I Want to go Back to Michigan”, bailados como “Shaking the Blues Away”, na voz de Ann Miller, “Beautiful Faces”, “A Couple of Swells”, o fabuloso dueto entre Fred Astaire e Judy Garland,  ou “Steppin' out With my Baby”, com o prodigioso bailado ao ralenti de Fred Astaire, são momentos a reter na história do cinema e do musical.
A história de “Quando Danço Contigo” é da autoria de Frances Goodrich e Albert Hackett, acompanhados depois por Sidney Sheldon na escrita do guião. A fotografia, num fabuloso Technicolor, é assinada por um mestre, Harry Stradling, que realça o brilho da direcção artística de Cedric Gibbons e Jack Martin Smith, bem assim como os cenários de Edwin B. Willis e Arthur Krams. Um filme admirável e uma partitura musical de profunda inspiração.

QUANDO DANÇO CONTIGO
Título original: Easter Parade
Realização: Charles Walters (EUA, 1948); Argumento: Frances Goodrich, Albert Hackett, Sidney Sheldon, Guy Bolton; Produção: Arthur Freed, Roger Edens; Música Original: Johnny Green, Roger Edens, Conrad Salinger (este não creditado); Fotografia (cor): Harry Stradling Sr.; Montagem: Albert Akst; Direcção artística: Cedric Gibbons, Jack Martin Smith; Decoração: Edwin B. Willis; Guarda-roupa:  Irene, Valles; Maquilhagem: Jack Dawn, Sydney Guilaroff, Dorothy Ponedel; Coreografia: Fred Astaire, Charles Walters (não creditados); Direcção de Produção: Al Shenberg; Assistentes de realização: Carl 'Major' Roup, Wallace Worsley Jr.; Departamento de arte: Arthur Krams; Som: Douglas Shearer, James Brock; Efeitos especiais: Warren Newcombe; Companhias de produção: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM); Intérpretes: Judy Garland (Hannah Brown), Fred Astaire (Don Hewes), Peter Lawford (Jonathan Harrow III), Ann Miller (Nadine Hale), Jules Munshin (François), Clinton Sundberg (Mike), Richard Beavers (Cantor "The Girl on the Magazine Cover"), John Albright, Lola Albright, Shirley Ballard, Jimmy Bates, Hal Bell, Margaret Bert, Ralph Brooks, Peter Chong,  Jimmie Dodd, Dolores Donlon, Patricia Edwards, Harry Fox, Sig Frohlich, Sam Harris, Hector and His Pals, Shep Houghton, Bob Jellison, Doris Kemper, Gail Langford, Joi Lansing, Jeni Le Gon, Harold Miller, Ralph Sanford, Dee Turnell, Benay Venuta, Johnny Walsh, Wilson Wood, etc. Duração: 107  minutos; Distribuição em Portugal: Warner Bros. (DVD); Classificação etária: M/ 6 anos; Data de estreia em Portugal: 18 de Outubro de 1949.


JUDY GARLAND (1922 – 1969)
Judy Garland nasceu com o nome de Frances Ethel Gumm, a 10 de Junho de 1922, em Grand Rapids, Minnesota, nos EUA, e viria a falecer muito jovem ainda, aos 47 anos, em Chelsea, Londres, Inglaterra, a 22 de Junho de 1969. Desde muito nova que se entregou ao espectáculo, os pais eram artistas de variedades e cantores, Francis Avent "Frank" Gumm (1886-1935) e Ethel Marion Milne (1893-1953), e formou com duas outras irmãs mais velhas, Mary Jane "Suzy" Gumm (1915-64) e Dorothy Virginia "Jimmie" Gumm (1917-77), um trio a que deram o nome “The Sisters Gumm”, que, depois de muitos espectáculos de teatro de “vaudeville”, se estreou no cinema, em 1929, em “Revue Big”. A última aparição de “The Sisters Gumm” no ecrã surgiu em 1935, em “La Fiesta de Santa Barbara”, uma curta-metragem musical. Passaram então a chamar-se “The Garland Sisters”, dado que Gumm não era nome que soasse bem. Mas o trio não durou muito. Suzanne Garland casou, abandonou a carreira, e também Frances Ethel Gumm foi substituída por Judy Garland. "Judy", como homenagem a uma popular canção de Hoagy Carmichael, e Garland, aí as explicações fiam mais fino e há várias, para todos os gostos, desde uma influência da personagem de Carole Lombard (Lily Garland), até um elogio recebido por telegrama da actriz Judith Anderson, onde se referia a palavra "Garland" (grinalda). É já como Judy Garland que assina o seu primeiro contrato a solo com a MGM. Estávamos em 1935, ela tinha treze, catorze anos, 1,64 m de altura, o pai morrera pouco antes, vítima de meningite, e a “Babe”, como era chamada pelos familiares e amigos, logo passou a “filha da MGM”, onde dominava Louis Mayer, que tinha por hábito alimentar-se sexualmente de muitas das suas actrizes.
A seu lado, tinha as “vedetas” da casa, entre as quais Ava Gardner, Lana Turner ou Elizabeth Taylor, e Garland não era o que se pode chamar o “glamour” em pessoa, a uma primeira vista. Na sua idade, não era nem carne nem peixe, e Louis B. Mayer, uma vez recusados os avanços, ao que consta, referia-se a ela como a "pequena corcunda". Mas a popularidade da jovem actriz era muita, sobretudo desde que cantara “You Made Me Love You”, no aniversário de Clark Gable, e posteriormente no “All-Star Extravaganza Broadway Melody”, de 1938, desta feita perante a fotografia do actor. A MGM inventou então a parelha Judy Garland - Mickey Rooney, que apareceu numa série de musicais para adolescentes. A primeira longa-metragem com eles como protagonistas data de 1940, “Babes in Arms”, a que se seguiram mais oito. Mas foi “O Feiticeiro de Oz”, de 1939, que marcaria para sempre a sua carreira e a tornaria imortal, sobretudo através do êxito sem precedentes que foi a sua interpretação do clássico tema “Over the Rainbow”.

Rapidamente Judy Garland se torna dependente de medicamentos e drogas, de álcool e tabaco. Afirma-se que Louis Mayer, “para melhor rentabilizar os serviços da jovem” lhe administrava anfetaminas para a estimular e, depois, barbitúricos para que dormisse “quando já não era necessária”.
A sua vida torna-se um carrossel com altos e baixos cíclicos. Profissionalmente, é uma das mais celebradas vedetas dessas décadas de ouro do musical, aparecendo nalguns dos grandes filmes que assinalaram o género. Mas, em simultâneo, a dependência torna-se uma constante, as crises multiplicavam-se, com tentativas de suicídio regulares, e os seus efeitos sobre o trabalho também, com atrasos e ausências a filmagens. Começou várias obras que não terminou, sendo despedida e substituída por outra actriz. Particularmente, a sua vida sentimental era instável. Casou com David Rose (1941-1944), com o cineasta Vincente Minnelli (1945-1951), de cuja ligação nasceu Liza Minnelli, Sidney Luft (1952-1965), Mark Herron (1965-1967), e Mickey Deans (1969), que a encontrou morta na banheira do seu apartamento, num hotel da capital inglesa.
Em 1999, o “American Film Institute”, numa sondagem entre os seus membros, colocou-a em oitavo lugar, entre as dez maiores estrelas femininas da história do cinema americano. Desde a sua morte, cujo enterro foi acompanhado por mais de 22 mil pessoas, que é um ícone da história do cinema e do espectáculo.

Filmografia:

Como actriz: 1929: The Big Revue; 1930: Bubbles; The Wedding of Jack and Jill; A Holiday in Storyland; 1935: La Fiesta de Santa Barbara, de Louis Lewyn (com “Garland Sisters” ou “The Three Gumm Sisters”); 1936: Every Sunday Afternoon, de F. Feist (curta-metragem); Pigskin Parade (Diabruras de Estudantes), de David Butler; 1937: Broadway Melody of 1938 (Maravilhas de 1938), de Roy Del Ruth; Thoroughbreds Don't Cry (Nasceu um Gentleman), de A. E. Green; 1938: Everybody Sing (Todos Cantam), de Edwin L. Marin; Listen, Darling (Dois Garotos Endiabrados), de Edwin L. Marin; Love Finds Andy Hardy (Andy Hardy Apaixona-se), de George B. Seitz; 1939: The Wizard of Oz (O Feiticeiro de Oz), de Victor Fleming; 1939: Babes in Arms (De Braço Dado), de Busby Berkeley; 1940: Strike up the Band (O Rei da Alegria), de Busby Berkeley; 1940: Little Nellie Kelly (Um Amor de Rapariga), de Norman Taurog; Andy Hardy Meets Debutante (Prosápias de Andy Hardy), de George B. Seitz; If I Forget You (sem indicação de realizador); 1941: Ziegfeld Girl (Sonhos de Estrelas), de Robert Z. Leonard; Life Begins for Andy Hardy (Andy Hardy Começa a Vida), de George B. Seitz; Babes on Broadway (Primavera da Vida), de Busby Berkeley; 1942: For Me and My Gal (O Prémio do Teu Amor), de Busby Berkeley; 1943: Presenting Lily Mars (Caminho da Glória), de Norman Taurog; Girl Crazy (Doidinho Por Saias), de Norman Taurog e Busby Berkeley; Thousands Cherr (Sonhos de Estrelas), de George Sidney; 1944: Meet me in St-Louis (Não Há Como a Nossa Casa), de Vincente Minnelli; 1945: The Clock (A Hora da Saudade), de Vincente Minnelli; 1946: The Harvey Girls (A Batalha do Pó de Arroz), de George Sidney; Ziegfeld Follies (As Mil Apoteoses de Ziegfeld), de Vincente Minnelli; Till the Clouds Roll by (Até as Nuvens Passarem), de Richard Whorf; 1948: The Pirate (O Pirata dos Meus Sonhos), de Vincente Minnelli; Easter Parade (Quando Danço Contigo), de Charles Walters; Words and Music (Os Reis do Espectáculo), de Norman Taurog; 1949: In the Good Old Summertime, de Robert Z. Leonard; 1950: Summer Stock (Festa no Campo), de Charles Walters; 1954: A Star is Born (Assim Nasce Uma Estrela), de George Cukor; 1960: Pepe (Pepe), de George Sidney (só voz); 1961: Judgment at Nuremberg (O Julgamento de Nuremberga), de Stanley Kramer; 1962: Gay Purree (Que Gatinha… Renhaunhau, de Abe Levitow (só voz); 1963: A Child is Waiting, de John Cassavetes; 1963: I Could Go On Singing ou The Lonely Stage (Triunfo Amargo), de Ronald Neame. 

sábado, 28 de fevereiro de 2015

31 DE MARÇO DE 2015


RITMO LOUCO (1936)

Fred Astaire e Ginger Rogers interpretaram conjuntamente dez filmes. Entre estes, poderá referir-se rapidamente um, “Voando para o Rio de Janeiro” (Flying Down to Rio), de Thornton Freeland (EUA, 1933), cujo interesse maior reside no facto de ser a primeira obra onde aparecem Fred Astaire e Ginger Rogers a trabalharem em conjunto. De resto, o filme é relativamente desinteressante, bastante previsível e ainda pouco representativo do trabalho posterior da dupla, que aqui não ultrapassa o “apontamento” de secundários.
Outra película relativamente “insignificante” (no contexto da filmografia da dupla) é “Bailado da Saudade” (The Story of Vernon and Irene Castle), de H. C. Potter (EUA, 1939), que se resume a uma biografia de um casal de bailarinos célebres, Vernon e Irene Castle, concebida de forma convencional, não muito brilhante em cinema. O empreendimento não beneficiou ninguém. Nem os biografados, que viram as suas existências algo distorcidas e romanceadas para se encaixarem nas personalidades de Fred Astaire e Ginger Rogers, nem estes últimos, que foram forçados a um tipo de trabalho que não era efectivamente aquele em que eles melhor se afirmavam. Dito isto, restam algumas belas películas musicais com uma estrutura narrativa muito semelhante, mas possuindo uma agilidade e uma frescura indesmentíveis. Referimo-nos, sobretudo, a “Chapéu Alto” (Top Hat, 1935), “A Alegre Divorciada” (The Gay Divorcee, 1934), “Siga a Marinha” (Follow the Fleet, 1936), “Vamos Dançar?” (Shall we Dance?, 1937), “Quero Sonhar Contigo” (Carefree, 1938), todos de Mark Sandrich, e “Ritmo Louco” (Swing Time), de George Stevens (1936). Será interessante enquadrar estas obras no seu tempo.


1. Uma época - Estes filmes (particularmente os de Sandrich e Stevens) reconstituem com certa justeza uma época da América. Indo de 1933 (Voando para o Rio de Janeiro) até 1939 (Bailado da Saudade), os filmes parecem reflectir uma década de alegria e inocência, de confiança no futuro e de descomplexada superficialidade que fica neles documentada. Não poderia ser mais enganosa esta imagem. Após o crash bolsista de 1929, a América entrara num período de completo desnorte económico e social, com falências e bancarrota, encerramento de fábricas e despedimentos, ruína rural, pobreza, miséria. O quase contemporâneo “As Vinhas da Ira”, de John Ford (1940), e o muito posterior “A Rosa Púrpura do Cairo”, de Woody Allen (1985), oferecem um bom retrato destes tempos. Este último explica mesmo o grande sucesso de obras como estas de Fred Astaire e Ginger Rogers: o cinema era (é) uma fábrica de sonhos que ajudava a suportar o cinzento da existência diária. Alguma crítica marxista mais ortodoxa achou que esta “fábrica de sonhos” era a forma alienante da indústria “domesticar” as massas. O filme de Woody Allen, com uma visão mais moderna e compreensiva dos fenómenos sociais, não põe totalmente de lado esta hipótese, mas acredita que o cinema “fábrica de sonhos” é igualmente uma forma de ajudar a ultrapassar o negrume da crise.
Para além destes aspectos, destas histórias douradas de príncipes e princesas que encontram o seu par, e dançam de felicidade em ambientes de luxo e elegância, que referem o espírito de um tempo e de um espaço determinados, os filmes testemunham ainda uma maneira idílica ou utópica de viver, com os seus hábitos e usos, e todos os elementos externos que a condicionam (e são por ela condicionados): arquitectura, moda, decoração, etc.


2. A decoração - Sob o ponto de vista de decoração é Wan Nest Polglasc quem domina nos dois filmes de Sandrích e ainda no de Stevens. Trata-se de um decorador pouco conhecido (hoje em dia), mas que possuía um estilo muito próprio, de inequívoco bom gosto, dentro da sumptuosidade de certos cenários, onde é visível uma grande ingenuidade de processos e uma estilização de formas quase sempre destinadas a se apagarem durante o “número” de dança. O cenário, tal como a realização, era ainda na década de 30 um elemento acessório que não procurava definir a personalidade do seu autor, mas sim “servir” o que era considerado essencial num “musical”, isto é, os “números” de dança.
3. A estrutura - Nesta época, num “musical”, todos os elementos se destinavam a “servir” o lado coreográfico do filme. A própria estrutura dramática se comportava da mesma forma. Quase todas as obras onde apareciam Fred Astaire e Ginger Rogers eram baseadas nos encontros e desencontros das duas personagens por eles interpretadas. A intriga era ligeira, em estilo de “vaudeville”, tendo como centro de interesse um equívoco que se prolongava ao longo de toda a obra e se esclarecia no final. O ritmo de comédia é lento, os “gags” espaçados e desenvolvidos pausadamente. Tudo concorre, portanto, para a criação de um clima que irá culminar num dos diversos “números” musicais que intercalam a acção. Por outro lado, é curioso referir a maneira como esses “números” surgem no interior da intriga de forma perfeitamente assimilada. O “número” não resulta isolado, mas é um elemento motor que faz progredir a acção.


4. O musical - O filme musical, na década de 30, era ainda um espectáculo subsidiário de um outro — o “music-hall”. Desta forma, o elemento importante de uma película musical era efectivamente o “número” musical. A ele tudo o mais se deveria submeter. Argumento e realização serviam esses elementos, bem assim como a própria cenografia. Com Fred Astaire e Ginger Rogers o essencial eram os seus duetos dançados, diálogos de emoção que caminhavam, através da simetria, do entendimento perfeito, para a intimidade do casal. Com uma técnica de sapateado impecável, Fred Astaire ia por vezes mais longe e, em cada filme, ele próprio coreografava um “número” onde intervinha normalmente só. No máximo do seu talento, Astaire deslumbrava pela imaginação e elegância, em momentos de verdadeira antologia - em “Ritmo Louco”, Astaire dança com as suas próprias sombras, num bailado notável; em “Vamos Dançar”, Petrov ensaia com um disco riscado que não sai do mesmo sítio e o obriga a acompanhá-lo, etc. Mas é ainda nos momentos de grande entendimento da dupla que melhor se define a sensibilidade e invenção do Fred Astaire e Ginger Rogers. Em “Chapéu Alto”, um bailado a dois, com Ginger Rogers, saída de “Marienbad”, repleta de plumas que evoluem ao sabor da música; em “Ritmo Louco”, toda a sequência final, com Fred Astaire e Gínger Rogers descobrindo-se verdadeiramente num “cabaret” deserto; ou esse espantoso bailado final de “Vamos Dançar”, onde Fred Astaire descobre/destapa igualmente Ginger Rogers por detrás da sua própria máscara.

5. Os intérpretes: Astaire e Rogers não são só bailarinos impecáveis e insuperáveis. A dupla vai mais longe. Astaire, tal como Stan Laurel (o “Estica” de uma outra dupla famosa), é um cómico de uma delicadeza e de uma elegância impressionante. Os “gags” nascem com uma espontaneidade admirável, perante a estupefacta descontracção de Astaire e o ar sonhador de Ginger Rogers. Ambos irradiam um “charme” muito especial que os anos ajudam a cimentar, criando-lhe um certo ar de descoberta. Ao que se julga, pelas palavras de Ginger Rogers, não se davam muito bem fora dos filmes, mas a verdade é que enquanto dupla integrada num filme, não se poderia exigir maior harmonia, maior delicadeza, maior sintonia.
Nas suas melhores obras, Fred Astaire e Ginger Rogers aparecem enquadrados por um grupo de actores de belíssimos recursos, que é justo destacar. Referimo-nos, sobretudo, ao “casal” Edward Everett Horton e Helen Broderick e também ao “mordomo” Eric Blode.


6. Swing Time – O filme de George Stevens data de 1939 e é indiscutivelmente um dos melhores títulos desta série da dupla Fred Astaire e Ginger Rogers. O argumento não difere muito de todos os outros. Escrito por Howard Lindsay, Allan Scott, Ben Holmes, Rian James, Anthony Veiller, Dorothy Yost, segundo história de Erwin S. Gelsey ("Portrait of John Garnett"), “Ritmo Louco” vale sobretudo pela sublime arte dos dois exímios bailarinos e pela fabulosa partitura musical de Jerome Kern e Robert Russell Bennett, que inclui alguns números musicais dificilmente esquecíveis: "Pick Yourself Up", "The Way You Look Tonight" (Oscar de melhor canção), "Waltz in Swing Time", "Bojangles of Harlem", "Never Gonna Dance" ou "A Fine Romance". 
Lucky Garnett (Fred Astaire) é um bailarino que aprecia demasiado o jogo, e que se vê confrontado com uma situação inesperada depois de ter chegado atrasado ao seu casamento: o pai da noiva só permitirá que ele volte a tentar o casamento caso regresse de Nova Iorque com 25.000 dólares no bolso. Muito apaixonado e seriamente resolvido a triunfar, viaja para a cidade que nunca dorme, onde conhece, porém, Penny Carroll (Ginger Rogers), que dá aulas de dança e por quem se apaixona ainda mais, começando mesmo a trabalhar em conjunto, formando uma dupla insuperável. Depois há as peripécias do costume, tudo parece que vai dar para o torto, mas acaba por terminar num perfeito “happy end”. Coisas da época, onde a estrutura ficcional servia apenas de suporte ao extraordinário talento dos protagonistas, também eles apoiados por um bom grupo de actores secundários em personagens típicas que reproduzem os estereótipos que todos esperavam: amigo inseparável do bailarino, a secretária da escola de dança, o cantor romântico intrometido no romance, etc.  
George Stevens estava ainda no início da sua carreira, ao nível da longa-metragem (já tinha uma vasta filmografia como director de curtas e documentários), mas já revelava qualidades que depois iria confirmar em obras como “Gunda Din”, “A Primeira Dama”, “O Assunto do Dia”, “Um Lugar ao Sol”, “Shane”,”O Gigante”, “O Diário de Anne Frank” ou “A Maior História de Todos os Tempos”, para só citar algumas e passando por cima de toda a sua magnífica colaboração como documentarista durante a II Guerra Mundial. Em “Ritmo Louco” é justo ainda destacar o papel do director artístico Van Nest Polglase, da coreografia de Hermes Pan e do guarda-roupa (sobretudo o de Ginger Rogers), de Bernard Newman, John W. Harkrider, Ray Camp e Edith Clark. “Swing Time” poderia não ser mais nada do que Fred Astaire a dançar com as suas próprias sombras ou os diálogos bailados entre ele e Ginger Rogers para justificar toda a atenção e um devotado culto. Ao nível do musical, de um certo tipo de musical, “Ritmo Louco” é absolutamente inolvidável. 

RITMO LOUCO
Título original: Swing Time
Realização: George Stevens (EUA, 1936); Argumento: Howard Lindsay, Allan Scott, Ben Holmes, Rian James, Anthony Veiller, Dorothy Yost, segundo história de Erwin S. Gelsey ("Portrait of John Garnett"); Produção: Pandro S. Berman; Música: Jerome Kern, Robert Russell Bennett; Números musicais: "Pick Yourself Up", "The Way You Look Tonight", "Waltz in Swing Time", "A Fine Romance", "Bojangles of Harlem", "Never Gonna Dance"; Fotografia (p/b): David Abel; Montagem: Henry Berman; Direcção artística: Van Nest Polglase; Coreografia: Hermes Pan; Guarda-roupa: Bernard Newman, John W. Harkrider, Ray Camp, Edith Clark; Maquilhagem: Mel Berns, Louis Hippe, Louise Sloane; Direcção de produção: J.R. Crone, Fred Fleck; Assistentes de realização: Sydney M. Fogel, Argyle Nelson; Som: George Marsh, Hugh McDowell Jr.; Efeitos especiais: Vernon L. Walker; Companhia de produção: RKO Radio Pictures (A Pandro S. Berman Production); Intérpretes: Fred Astaire (Lucky Garnett), Ginger Rogers (Penny Carroll), Victor Moore (Pop Cardetti), Helen Broderick (Mabel Anderson), Eric Blore (Gordon), Betty Furness (Margaret Watson), Georges Metaxa (Ricky Romero), Harry Bernard, Harry Bowen, Bill Brande, Ralph Brooks, Ralph Byrd, Thomas A. Curran, Olin Francis, Jack Good, Frank Mills, Dennis O'Keefe, Joey Ray, Landers Stevens, Pierre Watkin, etc. Duração: 103 min; Classificação etária: M/ 6 anos; Distribuição em Portugal (DVD): Costa do Castelo; Estreia em Portugal: 21 de Dezembro de 1937.


GINGER ROGERS (1911-1996)
Virginia Katherine McMath (Ginger Rogers) nasceu em Independence, Missouri, a 16 de Julho de 1911 e viria a falecer, aos 83 anos, no dia 25 de Abril de 1996, em Rancho Mirage, Califórnia. Foi uma das mais populares actrizes, bailarinas, cantoras do cinema e do teatro dos Estados Unidos da América, entre as décadas de 30 e 60. O nome Ginger surgiu, quando ainda miúda, através da sua prima mais nova que não conseguia dizer Virginia e reduzia para "Ginja". Quanto a Rogers, o nome vem do segundo marido da mãe, que se chamava John Rogers.
A mãe, Lela McMath, uma escritora e argumentista não muito talentosa, foi a grande impulsionadora da sua carreira, que começou aos 15 anos em espectáculos de “vaudeville”. Depois de uma infância agitada, com os pais desavindos em constantes raptos, ora de um ora de outro, estuda em Kansas City e em Dallas e, em 1924, torna-se notada como cantora e bailarina. Em 1925, ganha um campeonato de charleston em Fort Worth (Texas), continuando a emparceirar a partir daí com o cómico Eddie Foy Jr. nos espectáculos de music-hall e vaudeville (conhecidos por “Ginger & Her Redeads”).
Entre 1926 e 1927, participa na série Checker Comedies. Em 1929, canta na “Paul Âsh Orchestra” e em 1930, apresenta-se na Broadway com a revista “Girl Crazy”, estreando-se no cinema como “mulher fatal”, em filmes policiais. Afirma-se de imediato como grande estrela musical e alcança o cume da popularidade ao lado de Fred Astaire, com quem emparceira em dez títulos. Mas a dupla maravilha funcionava sobretudo no ecrã. Fora dele, não eram o que se possa chamar amigos. “Foi divertido e era espectáculo. Mas cada um tinha a sua vida, cá fora”, explicava. Foi Oscar da Academia para Melhor Actriz, em 1941, no filme “Kitty Foyle”, de Sam Wood. Fez quase 100 filmes, entre musicais, comédias e dramas. Em 1942, era a mais bem paga actriz de Hollywood. A partir de 1954, dedica-se principalmente à TV e ao teatro em comédias musicais (“Hello Dolly!”, "Babes In Arms", “Mame”, entre outras). Casou com Jack Pepper (29.III.1929: 11.VII.1931), Lew Ayres (13.XI.1934: 13.III.1941), Jack Briggs (16.I.1943: 7.IX.1949), Jacques Bergerac (7.II.1953: 7.VII.1957) e William Marshall (16.III.1961: 1969). Todos os casamentos terminaram em divórcios. Retirada dos palcos e dos ecrãs, em 1984, escreve uma autobiografia, "Ginger, My Story", particularmente interessante. Na classificação da “The AFI 50 Greatest Screen Legends” ficou em 14º lugar. Há uma “boutade” que lhe é atribuída que tem bastante graça. Falando dos filmes que fez com Fred Astaire: “O meu primeiro filme foi “Kitty”, todos os outros anteriores foram interpretados pela minha mãe.” Republicana, perguntaram-lhe um dia se o filme de Fellini, "Fred & Ginger" não se deveria antes chamar "Ginger & Fred", ao que ela respondeu. “Este é um mundo de homens.”


Filmografia
como actriz: 1929: A Day of a Man of Affairs, de Basil Smith (curta-metragem); 1930: Office Blues, de Mort Blumenstock (curta-metragem); Campus Sweethearts, de James Leo Meehan (curta-metragem); A Night in a Dormitory, Harry Delmar (curta-metragem); Follow the Leader, de Norman Taurog; Queen High (A Rainha de Copas), de Fred Newmeyer;  The Sap from Syracuse (O Telhudo), de E. Sutherland; Young Man of Manhattan (Inconstância), de M. Bell; 1931: Suicide Fleet, de Albert S. Rogell; The Tip-Off, de Albert S. Rogell; Honor among Lovers (Honra de Amantes), de D. Arzner; 1932: You Said a Mouthful, de Lloyd Bacon; Hat Check Girl, de S. Lanfield; The Thirteenth Guest, de Albert Ray; The Tenderfoot, de Ray Enright; Carnival Boat, de Albert S. Rogell; 1933: Flying down to Rio (Voando Para o Rio de Janeiro), de T. Freeland; Sitting Pretty, de Harry Joe Brown; Chance at Heaven, de William A. Seiter; Rafter Romance, de William A. Seiter; A Shriek in the Night, de Albert Ray; Don't Bet on Love, de Murray Roth; Professional Sweetheart, de W. A. Seiter; Gold Diggers of 1933 (Orgia Dourada), de M. Le Roy; 1933: 42nd Street (Rua 42), de Ll. Bacon; 1933: Broadway Bad, de Sidney Lanfield; 1934: The Gay Divorcee (A Alegre Divorciada), de M. Sandrich; 1934: Change of Heart (O Primeiro Amor), de J. G. Blystone; 1934: Finishing School, de George Nichols Jr. e Wanda Tuchock; 1934: Upperworld (Um Homem de 40 Anos), de W. Dieterle; Twenty Million Sweethearts, de Ray Enright; 1935: In Person (Em Carne e Osso), de W. A. Seiter; Top Hat (Chapéu Alto), de M. Sandrich; 935: Star of Midnight (O Sr. Sherlock e a Sr." Holmes), de S. Roberts; Roberta (Roberta), de W. A. Seíter; Romance in Manhattan, de Stephen Roberts; 1936: Swing Time (Ritmo louco), de G. Stevens; Follow the Fleet (Siga a Marinha), de M. Sandrich; 1937: Stage Door (A Porta das Estrelas), de G. La Cava; Shall We Dance (Vamos Dançar), de M. Sandrich; 1938: Carefree (Ouero Sonhar Contigo), de M. Sandrich; Having a Wonderful Time (Viva o Amor!), de A. Santell; Vivacious Lady (Casamento em Segredo), de G. Stevens; 1939: Fifth Avenue Girl ou 5th Ave Girl (A Rapariga da 5ª Avenida), G. La Cava; Bachelor Mother (Mãezinha à Força), de G. Kanín; The Story of Vernon and Irene Castle (O Bailado da Saudade), de H. C. Potter; 1940: Kitty Foyle (Kitty: A Rapariga da Gola Branca), de S. Wood; Lucky Partners (Sorte Grande), de L. Milestone; Primrose Path (Sombras da Rua), de G. La Cava; 1941: Tom, Dick and Harry (Os Amores de Joaninha), de G. Kanín;1942: Once Upon a Honeymoon (Lua sem Mel), de Leo MacCarey; The Major and the Minor (A Incrível Susana), de B. Wilder; Tales of Manhattan (Seis Destinos), de J. Duvivier; Roxie Hart (É Bonita, Apresenla-se Bem), de W. A. Wellman); 1943: Tender Comrade (Companheiros Adoráveis), de E. Dmytryk; 1944: I'll Be Seeing You (Com Todo o Meu Coração), de W. Dieterle; Lady in the Dark (A Mulher Que não Sabia Amar), de M. Leisen; 1945: Week-End at the Waldorf, de R. Z. Leonard; 1946: The Magnificent Doll (No Limiar da Glória), de F. Borzage; Heartbeat (Um Coração em Perigo), de S. Wood; 1947: It Had to Be You (Tinhas que ser Tu), de R. Maté e D. Hartman; 1949: The Barkleys of Broadway (O Bailado do Ciúme), de Ch. Walters; 1950: Perfect Strangers, de Bretaigne Windust; 1951: The Groom Wore Spurs (Noivo Insuportável), de R. Whorf;  Storm Warning (Tragédia na Cidade), de S. Heísler; 1952: Monkey Business (A Culpa Foi do Macaco), de H. Hawks; Dreamboat (O Professor era Galã), de C. Binyon; We're Not Married! (Não Estamos Casados), de E. Goulding; 1953: Forever Female (Sempre Mulher), de I. Rapper; 1954: Black Widow (A Viúva Negra), de N. Johnson; Producers' Showcase (TV): Episódios “Red Peppers”, “Still Life”, “Shadow Play'” Tonight at 8:30; 1954: Beautiful Stranger (A Bela Estranha), de D. Miller; 1955: Tight Spot (O Alvo é uma Mulher), de Ph. Karlson; 1956: Teenage Rebel (As Filhas Revoltam-se), de E. Goulding; 1956: The First Traveling Saleslady (A Primeira Caixeira-Viajante), de A. Lubin; 1957: Oh, Men! Oh, Women! (Os Noivos da Minha Noiva), de N. Johnson); 1959: Musical Playhouse (TV): Episódio “Carissima”; The DuPont Show with June Allyson (TV): Episódio “The Tender Shoot”; 1960: The Steve Allen Show (TV): Episódio de 16 de Maio de 1960; Zane Grey Theater (TV): Episódio “Never Too Late”; 1963: Vacation Playhouse (TV): Episódio “A Love Affair Just for Three”; 1963/1964: The Red Skelton Show (TV): Episódios “Pop Is a Weasel”, “Come to Me, My Melon-Headed Baby”; 1964: The Confession; 1965: Harlow, de A. Segal; Bob Hope Presents the Chrysler Theatre (TV): Episódio “Terror Island”; 1965: Cinderella (TV); 1979: The Love Boat (TV): Episódios “The Critical Success”, “The Love Lamp Is Lit”, “Take My Boy Friend”, Please”, “Rent a Family”, “Man in Her Life: Parte 1 e 2”; 1984: Glitter (TV): Episódio “In Tennis, Love Means Nothing”; 1987: Hotel (TV): Episódio “Hail and Farewell”.

OS 10 FILMES DA DUPLA FRED ASTAIRE/GINGER ROGERS

1933: Flying Down to Rio; 1934: The Gay Divorcee; 1935: Roberta; 1935: Top Hat; 1936: Follow the Fleet; 1936: Swing Time; 1937: Shall we Dance?; 1938: Carefree; 1939: The Story of Vernon and Irene Castle; 1949: The Barkleys of Broadway.