domingo, 24 de maio de 2015

26 DE MAIO DE 2015


ALMA EM SUPLÍCIO (1945)

"Mildred Pierce" é outro romance negro do escritor James M. Cain (“O Carteiro Toca Sempre Duas Vezes” ou “Pagos a Dobrar”, entre outros), desta feita adaptado ao cinema por Ranald MacDougall, que teve a colaboração ainda (não creditada no genérico) de William Faulkner, Margaret Gruen, Albert Maltz, Louise Randall Pierson, Catherine Turney, Margaret Buell Wilder e Thames Williamson. A realização esteve entregue a Michael Curtiz, que três anos antes tinha assinado “Casablanca”. Este húngaro, naturalizado norte-americano, é um cineasta que assinou várias obras-primas, mas que permanece não muito valorizado por certa crítica que não vê nele um “autor”. Um filme como "Mildred Pierce" é mais um bom atestado do seu talento, sensibilidade e, inclusive, uma demonstração de algumas constantes autorais que mereceriam um estudo mais alargado. Trata-se seguramente de uma obra-prima que fica devendo muito ao seu argumento, aos seus técnicos principais, ao seu elenco, em particular a Joan Crawford, mas certamente mais ainda ao realizador que reuniu as peças e as conjugou de forma notável. Comecemos, pois, por sublinhar a excelência da realização, sobretudo na criação de ambientes, onde Curtiz é mestre. A utilização da iluminação, criando zonas de luz e sombra é magnifica e ajuda habilmente a definir dramaticamente certas situações, impondo um clima de mistério e por vezes de certa perversidade.


O romance de James M. Cain é fértil em peripécias, mas revela-se algo diferente da adaptação que dele foi feita para cinema. Passa-se em Glendale, na Califórnia, durante a década de 1930, um período difícil, marcado pela Grande Depressão. Mas o estrato social afasta-se claramente dos pobres de “As Vinhas da Ira”, por exemplo, e localiza-se numa classe média com problemas, mas relativamente desafogada. Mildred Pierce, a protagonista, descobre-se sozinha, com duas filhas para educar (uma das quais acaba por falecer), depois do seu divórcio. Encontra trabalho como empregada de mesa num restaurante, mas a filha, Veda, não lhe perdoa a queda social. Ambiciosa e snob, Veda é uma menina mimada que exige sempre mais da mãe. Esta assume a direcção de um restaurante de sucesso, multiplica o negócio, dispõe já de desenvoltura económica, arranja um “boyfriend”, Monty, com quem casa, mas a sorte vira-lhe as costas quando descobre que a filha a chantageia com uma falsa gravidez e Monty delapida a sua fortuna, com contabilidade enganosa. Para mais, descobre ainda Veda e Monty na mesma cama, o que destabiliza por completo a família. Mildred muda-se para Reno, Nevada, afasta-se da filha, mas os problemas regressam mais tarde. O romance não contém nenhum crime, mas, ao ser transposto para cinema, o “Motion Picture Production Code”, a impiedosa censura da altura, fez constar que existiam 11 temas tabus em filmes produzidos pelos membros associados, e mais 25 outros assuntos que deveriam merecer especial atenção. O que tornava impossível a adaptação do romance, sobretudo por questões sexuais, e levou os argumentistas a imaginar um crime, com que abre o filme, passando toda a narrativa subsequente a ser conduzida por Mildred Pierce (Joan Crawford) que surge como a principal suspeita da morte de Monte Beragon (Zachary Scott), sendo investigada pela polícia, que não deixa nunca de tomar em consideração ainda a conduta de Veda Pierce (Ann Blyth). Como obra de mistério e suspense, não se pode adiantar mais em descrições sem quebrar o segredo, pelo que por aqui nos quedamos, sublinhando mais uma vez a solidez da narrativa, que instala a ansiedade e mobiliza as emoções dos espectadores de forma notável, através da excelência da realização, da belíssima fotografia a preto e branco de Ernest Haller, onde nunca será demais apontar a brilhante iluminação, com as sombras projectadas nas paredes, o que liga imediatamente este título a outros de Curtiz, como o próprio “Casablanca”, e ainda a magnifica música de Max Steiner, como sempre um inspirado compositor que soube servir admiravelmente os filmes a que ligou o seu nome.
“Mildred Pierce” foi nomeado para seis Oscars, entre os quais o de Melhor Filme, Melhor Argumento, Melhor Fotografia a preto e banco, Melhor Actriz Secundária (duas nomeações, Ann Blyth e Eve Arden) e Melhor Actriz (Joan Crawford), única nomeação transformada em estatueta, o que permitiu à actriz relançar uma carreira que por essa altura não andava muito bem. Mas Crawford tem efectivamente um trabalho notável, com discretas mudanças de registo, mantendo o filme entre o melodrama e o filme negro, com uma incrível subtileza. Crawford ainda nos viria a dar algumas outras contribuições de altíssima qualidade, como o seu desempenho em “Johnny Guitar”, talvez o seu papel mais recordado.
Nota: em 2010, o realizador Todd Haynes rodou “Mildred Pierce”, uma mini-série em cinco partes, para a HBO, com Kate Winslet como Mildred, Guy Pearce como Monty Beragon, e Evan Rachel Wood como Veda. Esta nova adaptação do romance de James M. Cain é muito mais fiel à obra literária (mudaram os tempos, e desapareceu o Código Hays) e consegue ser igualmente um título muito interessante.

ALMA EM SUPLÍCIO
Título original: Mildred Pierce
Realização: Michael Curtiz (EUA, 1945); Argumento: Ranald MacDougall, e ainda (não creditados) William Faulkner, Margaret Gruen, Albert Maltz, Louise Randall Pierson, Catherine Turney, Margaret Buell Wilder, Thames Williamson, segundo romance de James M. Cain ("Mildred Pierce"); Produção: Jerry Wald, Jack L. Warner; Música: Max Steiner; Fotografia (p/b): Ernest Haller; Montagem: David Weisbart; Direcção artística: Anton Grot, Bertram Tuttle; Decoração: George James Hopkins; Guarda-roupa: Milo Anderson, Clayton Brackett, Joan Crawford, Jeanette Storck; Maquilhagem: Perc Westmore, Edwin Allen, Geraldine Cole, Bill Cooley; Direcção de Produção: Louis Baum; Assistentes de realização: Frank Heath, Dick Moder; Departamento de arte: Herbert Plews, Levi C. Williams;  Som: Oliver S. Garretson, Gerald W. Alexander, Robert G. Wayne; Efeitos especiais: Willard Van Enger, Harry Barndollar; Efeitos visuais: Russell Collings, Paul Detlefsen, Mario Larrinaga; Companhia de produção: Warner Bros.-First National Pictures; Intérpretes: Joan Crawford (Mildred Pierce), Jack Carson (Wally Fay), Zachary Scott (Monte Beragon), Eve Arden (Ida Corwin), Ann Blyth (Veda Pierce), Bruce Bennett (Bert Pierce), Lee Patrick (Mrs. Maggie Biederhof), Moroni Olsen (Inspector Peterson), Veda Ann Borg (Miriam Ellis), Jo Ann Marlowe (Kay Pierce), William Alcorn, Betty Alexander, Ramsay Ames, George Anderson, Robert Arthur, Lynn Baggett, Leah Baird, Dorothy Barrett, Barbara Brown, Wheaton Chambers, John Christian, Wallis Clark, Chester Clute, John Compton, David Cota, James Flavin, Bess Flowers, Manart Kippen, Robert Loraine, Jean Lorraine, Butterfly McQueen, Jack O'Connor, George Tobias, Charles Trowbridge, Joan Wardley, Joan Winfield, etc. Duração: 111 minutos; Distribuição em Portugal: Sociedade Importadora de Filmes (SIF), Suevia Films (DVD); Classificação etária: M/ 12 anos; Data de estreia em Portugal: 2 de Dezembro de 1946.


JOAN CRAWFORD (1905-1977)
Joan Crawford e Bette Davis protagonizaram o mais feroz confronto de personalidades em toda a história de Hollywood. Ao que consta, tudo começou por causa de um homem o actor Franchot Tone, que Bette Davis amava e que Joan Crawford “roubou”. Contam os mentideiros da época, que quando andava no ar o romance de Bette Davies com o seu partenaire Franchot Tone, no filme de 1935 “Dangerous”, Joan Crawford, então sex symbol da MGM, o terá convidado para jantar, aparecendo-lhe toda nua a recebê-lo em casa, o que terá “perturbado” o actor. Obviamente. Joan Crawford fez questão de fazer saber a Bette Davis, que nunca mais lhe perdoou. “Fiquei ciumenta, claro”, confessou. Bette passou a dizer coisas bonitas de Crawford, como por exemplo “que teria dormido com todos os actores da MGM, com excepção de Lassie”, famosa cadela estrela de cinema. Crawford responde na mesma moeda: “Coitada da Bette, parece que nunca teve um dia, ou noite, feliz na sua vida”.
A rivalidade arrastou-se ate que Robert Aldrich, em 1962, as convidou para actuaram num filme de terror, “Whatever Happened to Baby Jane”. Era uma história de duas velhas irmãs a viverem juntas na mesma casa, odiando-se. Mantiveram um profissionalismo a toda a prova, mas não evitaram a agressão verbal: Disse Bette Davis: “O melhor tempo que passei com Joan foi quando a atirei pelas escadas abaixo em “Whatever happened to Baby Jane”. Quando Bette Davis foi nomeada para o Oscar de Melhor Actriz por esse papel, Joan não foi mas imaginou uma vingança terrível. Combinou com as outras quatro nomeadas do ano que seria ela a receber o Oscar, caso alguma delas o viesse a ganhar. Bette Davis julgava-se a eleita, mas foi preterida por Anne Bancroft, em “Miracle Worker”, e assim Crawford subiu ao palco para receber a estatueta de Bancroft. Bette confessa: “Quase morri”. Mas quem morreu primeiro foi Joan Crawford, o que levou Bette a comentar: “Não digam que a morte não tem coisas boas. A de Joan Crawford foi uma delas”. Há quem diga, porém, que grande parte desta disputa era forjada em nome da publicidade. A verdade é que forma dois dos maiores monstros sagrados de Hollywood.
De seu verdadeiro nome Lucille Fay LeSueur, Joan Crawford terá nascido a 23 de Março de 1905, em San Antonio, Texas, EUA, e faleceu a 10 de Maio de 1977, com 72 anos, em Nova Iorque, NY, EUA. Há dúvidas quanto à data precisa do seu nascimento. Ela afirmava que teria sido em1908. Quem pesquizou em registos, e na ausência da certidão de nascimento, calcula 1905, baseando-se num censo de Abril de 1910, quando ela tinha cinco anos. Christina Crawford relata em “Mommie Dearest” que, de acordo com a "avó" de Christina, Joan teria na verdade nascido em Dezembro de 1904. Teve, de certeza, uma infância difícil e uma vida esmaltada de casos e escândalos. Cedo se tornou dançarina, o que lhe garantia a sobrevivência. Trabalhava num bar, dirigido por Henry Richman, quando conheceu Nils Granlund, um dos amantes da actriz Clara Bow. Como precisava de andar bem vestida, conta-se, Granlund facultou-lhe o dinheiro para ela comprar o que precisava e, quando Lucille foi ao seu escritório para passar o modelo, e se encontrava despida a prová-lo, entrou, sem bater à porta, Marcos Loew, da MGM, que gostou tanto do que viu que a contratou por cinco anos para a Metro Goldwyn Mayer. Assinou contrato em 1925 e estreou-se no cinema em “Pretty Ladies”, ainda na época do cinema mudo. Lucille Fay LeSueur aprendeu rapidamente a subir na vida, e como o fazer, o que era uma quase norma na Hollywood de então. Lá foi demonstrando o seu talento, de responsável em responsável. Mas o nome não agradava e havia que mudá-lo. A revista “Movie Weekly” organizou um concurso e a proposta vencedora foi a que Lucille adoptou, Joan Crawford.
Nomeada por três vezes para o Oscar de Melhor Actriz: em 1945, por “Mildred Pierce” (Alma em Suplício), de Michael Curtiz, que venceu; em 1947, por “Possessed” (Loucura de Amor), de Curtis Bernhardt; e, em 1952, por Sudden Fear (Medo Súbito), de David Miller. Uma das suas coras de glória é “Johnny Guitar”, mas, curiosamente, um dos seus filmes mais queridos, que se tornou um cult movie, é “What Ever Happened to Baby Jane?” (Que Teria Acontecido a Baby Jane?), de Robert Aldrich, de 1962, quando já nela nada refulgia como nos seus tempos de juventude, e se encontrava, mais um vez, em confronto, desta feita directo, com a sua rival de sempre, Bette Davis.
Foi casada quatro vezes. Com os actores Douglas Fairbanks Jr., Franchot Tone e Philip Terry e, o quarto casamento, com o empresário Alfred Steele, o maior accionista da Pepsi Cola, de quem ela ficou viúva em 1959, herdando o cargo de presidente do conselho da empresa. Não teve filhos, mas adoptou quatro crianças: Christina, Christopher e as gémeas Cynthia "Cindy" e Cathy. No seu testamento, escrito pouco tempo antes de sua morte, Joan Crawford deserdou os seus dois filhos mais velhos, Christina e Christopher, legando uma parcela ínfima da sua fortuna, avaliada em cerca de dois milhões de dólares, aos outros dois. Morreu em 1977 e encontra-se sepultada no Ferncliff Cemetery, Hartsdale, Condado de Westchester, Nova Iorque, EUA. Após a sua morte, a filha mais velha, Christina Crawford, publicou “Mommie Dearest”, um livro autobiográfico que se tornou rapidamente “best-seller”, onde descrevia Joan como uma megera, alcoólica e péssima mãe, cujos filhos teria adoptado com fins apenas publicitários. O livro foi mais tarde adaptado ao cinema, com Faye Dunaway no papel de Crawford.



Filmografia:
Filmes mudos: 1925: Pretty Ladies de Monta Bell (com o nome de Lucille Le Sueur); Lady of the Night (A Ave Nocturna), de de Monta Bell; Proud Flesh (Orgulho Vencido), de King Vidor; A Slave of Fashion (A Escrava da Moda), de Hobart Henley; The Merry Widow (A Viúva Alegre), de Erich von Stroheim; Pretty Ladies (A Mosca Negra), de Monta Bell; The Circle (A Eterna História), de Frank Borzage; The Midshipman (O Guarda-Marinha, de Christy Cabanne; Old Clothes (O Trapeiro), de Edward F. Cline; The Only Thing, de Jack Conway; Sally, Irene and Mary (A Lindíssima Trindade), de Edmund Goulding; Ben-Hur: A Tale of the Christ, de Fred Niblo, e ainda Charles Brabin, Christy Cabanne, J.J. Cohn e Rex Ingram (não creditados); 1926: Tramp, Tramp, Tramp (Sempre a Andar), de Harry Edwards; The Boob (Como se Faz um Herói), de William A. Wellman; Paris (Uma Aventura em Paris), de Edmund Goulding; 1927: Winners of the Wilderness (A Conquista da América), de W.S. Van Dyke; The Taxi Dancer (Castelo de Cartas), de Harry F. Millard; The Understanding Heart, de Jack Conway; The Unknown (O Homem Sem Braços), de Tod Browning; Twelve Miles Out (Fora da Lei Seca), de Jack Conway; Spring Fever (O Rei do Golf), de Edward Sedgwick; 1928: West Point (Cadete de West Point), de Edward Sedgwick; The Law of the Range, de William Nigh; Rose Marie (Rosa Maria), de Lucien Hubbard; Across to Singapore (Uma Noite em Singapura), de William Nigh; Four Walls (Prisão Redentora), de William Nigh; Our Dancing Daughters (Meninas da Moda), de Harry Beaumont; Dream of Love (Sonho de Amor), de Fred Niblo; 1929: The Duke Steps Out (O Novo Campeão), de James Cruze ;Tide of Empire, de Allan Dwan; Our Modern Maidens (Mocidade Ardente), de Jack Conway;
Filmes sonoros:
1929: The Hollywood Revue of 1929, de Charles Reisner; Untamed (Indómita), de Jack Conway; 2930: Great Day, de Harry Beaumont; Montana Moon (O Coração Manda), de Malcolm St. Clair; Our Blushing Brides (Três Destinos), de Malcolm St. Clair; Paid (Dentro da Lei), de Sam Wood; 1931: The Stolen Jools (curta-metragem); Dance, Fools, Dance (Virtudes Modernas), de Harry Beaumont; Laughing Sinners (Pecadores Alegres), de Harry Beaumont; This Modern Age (Esta Idade Moderna), de Nick Grinde; 1931: Possessed (Fascinação), de Clarence Brown; 1931: The Slippery Pearls, de William C. McGann (cameo); 1932: Grand Hotel (Grande Hotel), de Edmund Goulding; Letty Lynton (Enfeitiçados), de Clarence Brown; Rain (Chuva), de Lewis Milestone; 1933: Today We Live (A Vida É o Dia de Hoje), de Howard Hawks; Dancing Lady (O Turbilhão da Dança), de Robert Z. Leonard; 1934: Sadie McKee (Uma Mulher Que Venceu), de Clarence Brown; Chained (Os Dois Amores de Diana), de Clarence Brown; Forsaking All Others (Os Noivos de Mary), de W.S. Van Dyke; 1935: No More Ladies (Basta de Mulheres), de George Cukor e Edward H. Griffith; I Live My Life (Quero Viver a Vida), de W.S. Van Dyke; 1936: The Gorgeous Hussy (A Alegre Locandeira), de Clarence Brown; Love on the Run (Doidos & Cª), de W.S. Van Dyke; 1937: The Last of Mrs. Cheyney (A Última Conquista), de Richard Boleslawski; The Bride Wore Red (A Noiva de Vermelho), de Dorothy Arzner; Mannequin (Manequim), de Frank Borzage; 1938: The Shining Hour (Tentação), de Frank Borzage; 1939: Ice Follies of 1939 (O Turbilhão de Gelo), de Reinhold Schünzel; The Women (Mulheres), de George Cukor; 1940: Strange Cargo (Os Fugitivos da Guiana), de Frank Borzage; Susan and God (As Teorias de Susana), de George Cukor; 1941: A Woman's Face (A Cicatriz do Mal), de George Cukor; When Ladies Meet (Quando Elas se Encontram), de Robert Z. Leonard; 1942: They All Kissed the Bride (Quem Manda sou Eu), de Alexander Hall; Reunion in France (Encontro em França), de Jules Dassin; 1943: Above Suspicion (Insuspeitos), de Richard Thorpe; 1944: Hollywood Canteen (Sonho em Hollywood), de Delmer Daves; 1945: Mildred Pierce (Alma em Suplício), de Michael Curtiz; 1946: Humoresque (Fascinação), de Jean Negulesco; 1947: Possessed (Loucura de Amor), de Curtis Bernhardt; Daisy Kenyon (Entre o Amor e o Pecado), de Otto Preminger; 1949: Flamingo Road (O Caminho da Redenção), de Michael Curtiz; It's a Great Feeling, de David Butler; 1950: The Damned Don't Cry!, de Vincent Sherman; Harriet Craig (A Última Mentira), de Vincent Sherman; 1951: Goodbye, My Fancy (Sonho Desfeito), de Vincent Sherman; 1952: This Woman is Dangerous (Esta Mulher é Perigosa), de Felix Feist; Sudden Fear (Medo Súbito), de David Miller; 1953: Torch Song (Corpo Sem Alma), de Charles Walters; 1954: Johnny Guitar (Johnny Guitar), de Nicholas Ray; 1955: Female on the Beach (A Casa da Praia), de Joseph Pevney; Queen Bee (A Abelha Mestra), de Ranald MacDougall; 1956: Autumn Leaves (Folhas de Outono), de Robert Aldrich; 1957: The Story of Esther Costello, de David Miller; 1959: The Best of Everything, de Jean Negulesco; 1962: What Ever Happened to Baby Jane? (Que Teria Acontecido a Baby Jane?), de Robert Aldrich; 1963: The Caretakers (Mulheres Sem Destino), de Hall Bartlett; 1964: Della, de Robert Gist; Strait-Jacket (Volúpia do Crime), de William Castle;   Hush... Hush, Sweet Charlotte, de Robert Aldrich; 1965: I Saw What You Did (O Telefone Fatal), de William Castle; 1967: The Karate Killers, de Barry Shear; Berserk!, de Jim O'Connolly; 1970: Trog, de Freddie Francis; 1971: Journey to Murder, de John Gibson e Gerry O'Hara;

Televisão e documentários: 1953: The Revlon Mirror Theater - Série de TV (1 episódio); 1954: General Electric Theater – Série de TV (3 episódios); 1959: Woman on the Run – Teledramático; 1959 - 1961: Zane Grey Theater - Série de TV (2 episódios); 1959: On Trial - Série de TV (1 episódio); 1961: The Foxes – Teledramático; 1962: Your First Impression - Série de TV (1 episódio); 1962: Lykke og krone – Documentário; 1963: Route 66 - Série de TV (1 episódio); 1964: The Big Parade of Comedy – Documentário; 1967: The Man from U.N.C.L.E. - Série de TV (1 episódio); 1968: The Secret Storm - Série de TV (5 episódios); 1969: Journey to the Unknown – Teledramático; Night Gallery – Teledramático; 1970: The Virginian - Série de TV (1 episódio); 1971: The Name of the Game - Série de TV (1 episódio); 1972: Beyond the Water's Edge – Teledramático; The Sixth Sense - Série de TV (1 episódio) ; Hollywood: The Dream Factory - Documentário TV; 1974: That's Entertainement Part I, de Jack Haley Jr; 1976: That's Entertainment, Part II, de Gene Kelly; 1977: That's Action – Documentário; 1984: Terror in the Aisles – Documentário; 1985: That's Dancing ! – Documentário; 1988: Going Hollywood: The War Years – Documentário; 1995: Legends of Entertainment Video - Documentário TV; 1995: The Casting Couch - Documentário TV; 1997: Judy Garland's Hollywood - Documentário TV; 1998: Warner Bros. 75th Anniversary: No Guts, No Glory - Documentário TV. 

quarta-feira, 8 de abril de 2015

19 DE MAIO DE 2015


MEIA LUZ (1944)

“Gaslight”, que George Cukor  dirigiu em 1944, numa produção norte-americana, é uma nova versão de um filme inglês de 1940, dirigido por Thorold Dickinson, baseado na peça teatral “Gas Light”, de Patrick Hamilton (1938), e interpretada por Anton Walbrook e Diana Wynyard nos principais papeis. A peça tinha sido um grande sucesso na Broadway, com o título “Angel Street”, e foi sob essa designação que ficou conhecido igualmente o filme nos EUA. Mesmo em Inglaterra, tivera um título alternativo, “A Strange Case of Murder”. Quem conhece a peça de origem e ambos os filmes afirma que a versão de 40 é mais fiel à obra teatral do que a de 44. Mas a história, no essencial, permanece a mesma. Vejamos a versão de 40: Alice Barlow (Marie Wright) é assassinada na sua casa por um desconhecido,  que vasculha a residência em busca de algo que se sabe depois serem umas valiosas pedras preciosas. O crime fica sem resolução durante anos e a casa abandonada. Até que um dia, a sobrinha de Alice, Bella (Diana Wynyard) regressa casada com Paul (Anton Walbrook) que lentamente a vai tentando enlouquecer, através de vários expedientes, mas sobretudo fazendo-lhe crer que está a perder a memória e o discernimento. Será um detective, B. G. Rough (Frank Pettingell), que começa a suspeitar de Paul e o liga ao crime de Alice Barlow. A referência a “Gas Light” advém do facto de Londres viver ainda numa época de candeeiros a gaz. Em casa de Bella, sempre que Paul sai à noite, com a explicação de que vai trabalhar num outro local, a luz da casa se atenuar, o que só pode ter uma explicação (que aqui se não dá, para não retirar suspense ao drama).
Em Inglaterra, peça e filme foram grandes sucessos. Na Broadway, o espectáculo também  correu muito bem, o que levou os responsáveis da MGM a pensarem numa nova versão, norte-americana, com um novo elenco. Compraram os direitos à produtora britânica e , no contrato, exigiam que as cópias e negativos da anterior versão fossem destruídos. Afortunadamente, houve responsáveis que ultrapassaram o contrato e conservaram o negativo.


A nova versão conta com Charles Boyer, Ingrid Bergman, e Joseph Cotten, nos protagonistas, e ainda com as presenças da veterana Dame May Whitty e da estreante (dezoito anos!) Angela Lansbury, ambas magnificas em papeis muito distintos. A adaptação esteve a cargo de     John Van Druten, Walter Reisch e John L. Balderston, sempre segundo a peça de Patrick Hamilton, e tudo seria perfeito, não fosse a presença de Charles Boyer, um verdeiro canastrão que não consegue fazer esquecer o talento da restante equipa, mas põe seriamente em causa a sanidade de quem o escolheu para o papel. Valha-nos Ingrid Bergman que compõe uma admirável personagem, conquistando com este trabalho o seu primeiro Oscar. O filme estaria nomeado ainda em 1945 para outros Oscars, como Melhor Filme, Melhor Actor (Charles Boyer, imagine-se!), Melhor Actriz Secundária (Angela Lansbury), Melhor Argumento Adaptado, Melhor Fotografia (a preto e banco) (Joseph Ruttenberg), e ainda Melhor Direcção Artística (a preto e branco) (Cedric Gibbons, William Ferrari, Edwin B. Willis e Paul Huldschinsky), esta última nomeação também se transformaria em Oscar. Mas deve dizer-se que à música de Bronisław Kaper não teria ficado mal uma nomeação.
Com um orçamento de 2.068.000 dólares e uma receita que mais do que duplicou o empate de capital (4. 613. 000 dólares), “Gaslight” foi um sucesso muito merecido, sendo mais um belíssimo trabalho de George Cukor como director de actrizes. Mas, em paralelo a este aspecto, um outro se agiganta: o papel da casa como elemento claustrofóbico, como prisão psicológica, teia de aranha armada por uma figura sinistra que lentamente vai fechando a sua vítima nessa armadilha imposta (e aceite sem grande rebeldia por quem nela cai). Estamos numa Inglaterra vitoriana, o papel da mulher é subalterno, a sua decisão quase nula, aceitando submeter-se às imposições do marido. “Gaslight” pertence a um curioso conjunto de obras desse período, que irão, de certa forma, contribuir para a definição do “filme negro”. O papel do homem é igualmente muito curioso, se compararmos vários títulos desses anos. Filmes de Alfred Hitchcock, “Rebecca” (1940), “Suspicion” (1941), “Shadow of a Doubt” (1943), a que se juntam este “Gaslight” e “Jane Eyre”, de Robert Stevenson (ambos de 1944), “Dragonwyck”, de Joseph L. Mankiewicz (1945), “Notorious”, outra vez de Hitch, e “The Spiral Staircase”, de Robert Siodmak (ambos de 1946), “The Two Mrs. Carrolls”, de Peter Godfrey (1947), ou “Sorry, Wrong Number”, de Anatole Litvak, e “Sleep, My Love”, de Douglas Sirk (ambos de 1948) são excelentes exemplos de um quase subgénero a que alguns críticos (entre eles Emanuel Levy) chamaram já “Don't Trust Your Husband” (não confies no teu marido), dado que quase todas estas obras mulheres ricas e poderosas se vêem atormentadas por maquiavélicas personagens masculinas, maridos, namorados, amantes, que as procuram espoliar para o que não hesitam em caminhar para o assassinato. 
Última curiosidade: “Gaslight” foi adaptado a radio novela, em 1946, no “Lux Radio Theater”, contando com a interpretação dos actores do filme, Charles Boyer e Ingrid Bergman, e, no ano seguinte, no “The Screen Guild Theater”, com Charles Boyer e Susan Hayward.

MEIA LUZ
Título original: Gaslight
Realização: George Cukor (EUA, 1944); Argumento: John Van Druten, Walter Reisch, John L. Balderston, segundo peça de teatro de Patrick Hamilton ("Angel Street"); Produção: Arthur Hornblow Jr.; Música: Bronislau Kaper; Fotografia (p/b): Joseph; Montagem: Ralph E. Winters; Direcção artística: Cedric Gibbons; Decoração: Edwin B. Willis; Guarda-roupa: Irene; Maquilhagem: Jack Dawn, Irma Kusely; Direcção de Produção: Eddie Woehler; Assistentes de realização: Jack Greenwood;  Departamento de arte: William Ferrari, Paul Huldschinsky; Som: Douglas Shearer, Joe Edmondso; Efeitos especiais: Warren Newcombe; Companhia de produção: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM); Intérpretes: Charles Boyer (Gregory Anton), Ingrid Bergman (Paula Alquist), Joseph Cotten (Brian Cameron), Dame May Whitty (Miss Thwaites), Angela Lansbury (Nancy), Barbara Everest (Elizabeth), Emil Rameau (Maestro Guardi), Edmund Breon, Halliwell Hobbes, Tom Stevenson, Heather Thatcher, Lawrence Grossmith, Jakob Gimpel, Harry Adams, Lassie Lou Ahern, John Ardizoni, Frank Baker, Lillian Bronson, Leonard Carey, Alec Craig, Roger Gray, Jack Kirk, Pat Malone, Eric Wilton, Eustace Wyatt, Phyllis Yuse, Guy Zanette, etc. Duração: 114 minutos; Distribuição em Portugal: MGM (DVD); Classificação etária: M/ 12 anos; Data de estreia em Portugal: 26 de Março de 1946.


INGRID BERGMAN (1915 - 1982)
Esta é uma mulher que frequenta todos os top 10 das melhores actrizes de sempre. Mantem com Katharine Hepburn e Audrey Hepburn uma luta cerrada pelos três primeiros lugares em qualquer país em que ao inquérito se realize. Excepto na Suécia, onde é rainha. Uma das mais belas e mais talentosas actrizes de sempre. Ingrid Bergman Nieuwenhoff nasceu a 29 de Agosto de 1915, em Estocolmo, Suécia, e viria a falecer em Londres, Inglaterra, precisamente no dia 29 de Agosto de 1982, com 67 anos de idade.
A mãe, alemã, morreu quando ela tinha dois anos. O pai, Justus Bergman, sueco, era fotógrafo e boémio, tendo transmitido à filha a paixão pelo teatro. Esta iniciou-se cedo em pequenas companhias amadoras e, em 1933, entra para a Real Escola de Arte Dramática de Estocolmo mas, antes de terminar o curso, estreia-se no cinema, com sucesso. Em dois anos participa em nove filmes, na Suécia. Em 1939, parte para Hollywood para protagonizar a versão americana de um dos seus maiores sucessos suecos, "Intermezzo". A partir daí, a sua carreira foi fulgurante, criando uma galeria de personagens de invulgar densidade e sedução, a que a sua beleza muito especial adicionava um “glamour” muito próprio. Interpretou obras-primas indiscutíveis que vão de “Casablanca” a “Sonata de Outono”.


Ganhou três Oscars: para Melhor Actriz, em 1945, por “Gaslight” e, em 1957, por “Anastasia” e, para Melhor Actriz Secundária, em 1975, para “Murder on the Orient Express”. Foi nomeada por mais quatro vezes: 1944, For Whom the Bell Tolls, 1946, The Bells of St. Mary's, 1949, Joan of Arc, e 1979, Sonata de Outono. Dois Emmys para Melhor Actriz em mini série de televisão, em 1982, por “A Woman Called Golda” e para Actriz Principal, em 1960, para “The Turn of the Screw”. Quatro Golden Globe, para Melhor Actriz em filme dramático, em 1945, para “Gaslight”, em 1946, para “The Bells of St. Mary's”, em 1957, para “Anastasia”, e, em 1982, na categoria de televisão, para “A Woman Called Golda”. Um César Honorário, em 1976, pela carreira. Um BAFTA, para Melhor Actriz Secundária, em 1975, para “Murder on the Orient Express”. Casada com Petter Lindström (1937 - 1950), de quem teve uma filha, Pia; com Roberto Rossellini (1950 - 1957), de quem teve três filhos, Roberto e as gémeas Isotta Ingrid e Isabella Rossellini, também actriz; finalmente com Lars Schmidt (1958 - 1975). A ligação com Roberto Rossellini foi tumultuosa, pois ambos eram casados quando se apaixonaram e abandonaram as respectivas famílias para viverem juntos. Ingrid foi acusada de adúltera e de dar mau exemplo às mulheres americanas, o que a impediu de filmar nos Estados Unidos durante alguns anos. Morreu no dia em que completava 67 anos, depois de seis anos a lutar contra o cancro e depois de duas mastectomias. Um ano antes de falecer, Ingrid disse que se recusava a render-se à doença e que continuava a fumar e a beber vinho e champanhe. Encontra-se sepultada em Norra Begravningsplatsen (Northern Cemetery), Estocolmo, Suécia.


Filmografia/como actriz: 1932: Landskamp, de Gunnar Skoglund (não creditada); 1935: Munkbrogreven, de Edvin Adolphson e Sigurd Wallén (este não creditado); Bränningar, de Ivar Johansson; Swedenhielms, de Gustaf Molander; Valborgsmässoafton (Noite de Primavera), de Gustaf Edgren; 1936: På solsidan (Para o Destino), de Gustaf Molander; Intermezzo, de Gustaf Molander; 1938: Dollar (O Dólar), de Gustaf Molander; En kvinnas ansikte, de Gustaf Molander; 1938: Die Vier Gesellen, de Carl Froelich; 1939: En enda natt (Sedução), de Gustaf Molander; Intermezzo: A Love Story (Intermezzo), de Gregory Ratoff; 1940: Juninatten (Noite de Tentação), de Per Lindberg; 1941: Adam Had Four Sons (Os Quatro Filhos de Adão), de Gregory Ratoff; Rage in Heaven (Tempestade), de W.S. Van Dyke e Robert B. Sinclair e Richard Thorpe (não creditados); Dr. Jekyll and Mr. Hyde (O Médico e o Monstro), de Victor Fleming; 1942: Casablanca (Casablanca), de Michael Curtiz; 1943: For Whom the Bell Tolls (Por Quem os Sinos Dobram), de Sam Wood; 1943: Swedes in America, de Irving Lerner (curta-metragem); 1944: Gaslight (Meia-Luz), de George Cukor; 1945: Saratoga Trunk (Saratoga), de Sam Wood; 1945: Spellbound (A Casa Encantada), de Alfred Hitchcock; The Bells of St. Mary's (Os Sinos de Santa Maria), de Leo McCarey; 1946: American Creed, de Robert Stevenson (curta-metragem); Notorious (Difamação), de Alfred Hitchcock; 1948: Arch of Triumph (O Arco do Triunfo), de Lewis Milestone; Joan of Arc (Joana d'Arc), de Victor Fleming; 1949: Under Capricorn (Sob o Signo de Capricórnio), de Alfred Hitchcock; 1950: Stromboli (Stromboli), de Roberto Rossellini; 1952: Europa '51 (Europa 51), de Roberto Rossellini; 1953: Siamo Donne (Nós, as Mulheres), de Gianni Franciolini ("Alida Valli"), Alfredo Guarini ("Concorso 4 Attrici 1 Speranza"), Roberto Rossellini ("Ingrid Bergman"), Luchino Visconti ("Anna Magnani") e Luigi Zampa ("Isa Miranda"); 1954: Giovanna d'Arco al Rogo, de Roberto Rossellini; Viaggio in Italia (Viagem em Itália), de Roberto Rossellini; La Paura (O Medo), de Roberto Rossellini; 1956: Anastasia (Anastásia), de Anatole Litvak; Elena et les Hommes (Helena e os Homens), de Jean Renoir; 1958: Indiscreet (Indiscreto), de Stanley Donen; The Inn of the Sixth Happiness (A Pousada da Sexta Felicidade), de Mark Robson; 1959: The Turn of the Screw, de John Frankenheimer, em Startime (série de TV); 1961: Aimez-Vous Brahms?, de Anatole Litvak ; 1961: Auguste, de Pierre Chevalier (cameo) ; Twenty-Four Hours in a Woman's Life, de Silvio Narizzano (TV); 1963: Hedda Gabler, de Alex Segal (TV); 1964: The Visit (A Visita), de Bernhard Wicki; The Yellow Rolls-Royce (O Rolls-Royce Amarelo), de Anthony Asquith; 1966: The Human Voice, de Ted Kotcheff (TV); 1967: Stimulantia, de Hans Abramson ("Upptäckten"), Hans Alfredson ("Dygdens belöning"), Arne Arnbom ("Birgit Nilsson"), Ingmar Bergman ("Daniel"), Tage Danielsson ("Dygdens belöning"), Jörn Donner ("Det var en gång två älskande..."), Lars Görling ("Konfrontationer"), Gustaf Molander ("Smycket") e Vilgot Sjöman ("Negressen i skåpet") (Episódio: "Smycket"); 1969: Cactus Flower (A Flor de Cacto), de Gene Saks; 1970: Henri Langlois; A Walk in the Spring Rain (Chuva na Primavera), de Guy Green; 1973: From the Mixed-Up Files of Mrs. Basil E. Frankweiler, de Fielder Cook; 1974: Murder on the Orient Express (Um Crime no Expresso do Oriente), de Sidney Lumet; 1976: A Matter of Time, de Vincente Minnelli; 1977: Great Performances: Childhood Host; 1978: Höstsonaten (Sonata de Outono), de Ingmar Bergman; 1979: The American Film Institute Salute to Alfred Hitchcock; 1982: A Woman Called Golda, de Alan Gibson (TV).

12 DE MAIO DE 2015


PAGOS A DOBRAR (1944)

“Double Indemnity” pode traduzir-se por “dupla indemnização”, numa terminologia ligada a companhias de seguros. É o que se passa nesta obra retirada de um romance negro de James M. Cain (o mesmo de “O Carteiro Toca Sempre Duas Vezes”, com o qual a intriga deste “Pagos a Dobrar” tem muitos pontos de contacto), adaptado a cinema por um outro grande autor do policial negro, Raymond Chandler, argumento que contém ainda uma boa garfada do próprio Billy Wilder. Tal como em “O Carteiro Toca Sempre Duas Vezes”, o que aqui está em causa é a intenção de uma mulher (uma verdadeira “femme fatal” com uma ambição desmedida) em matar o marido para ficar com o seguro, enrolando no esquema um empregado de uma agência de seguros que se deixa prender de amores pela megera de falinhas mansas.
Há uma história curiosa de rivalidade entre produtores acerca desse filme: em 1944, David O. Selznick estreou com grande sucesso “Desde Que Tu Partiste”, e a campanha publicitária falava de "'Since You Went Away' como “as quatro mais importantes palavras no cinema desde 'Gone With the Wind'!", que também tinha sido produzido por Selznick. Billy Wilder não gostou da graça (o seu filme era do mesmo ano de 1944) e resolveu contra-atacar: "'Double Indemnity' são “as duas mais importantes palavras no cinema desde 'Broken Blossoms'!", referindo-se desta feita à obra prima de 1919  de D.W. Griffith. Selznick também não achou graça ao remoque e interpôs uma acção em tribunal por considerar ilegal este tipo de contra-publicidade. Mas há mais: Alfred Hitchcock, que tinha contas a ajustar com Selznick, acrescentou: "The two most important words in movies today are 'Billy Wilder'!"


E sim, Billy Wilder é um dos nomes mais representativos do cinema norte-americano entre os anos 40 e os anos 70. São dele algumas das pérolas daquela cinematografia, ele que nasceu austríaco, em 1906, numa aldeia que hoje é polaca (Sucha), para no início da década de 30 emigrar para a América, onde concretiza quase toda a sua filmografia como realizador. Antes, porém, na Alemanha, já adquirira prestígio como argumentista, depois de ter passado pela carreira de jornalista. Billy Wilder deu ao cinema títulos como “The Lost Weekend”, “Sunset Boulevard”, “The Big Carnival”, “Stalag 17”, “Same Like it Hot”, “The Apartment”, “The Front Page”, entre muitos outros igualmente meritórios, mas em 1944 afirmava-se já como um génio ao dirigir “Double Indemnity”, que ele disse não ter realizado a pensar que era um “filme negro”, mas que se afirma como um dos seus mais lídimos representantes. Na verdade, “Pagos a Dobrar” tem todas as características deste género, quer pelas situações, personagens, móbil do crime, mas sobretudo pela ambiência sombria e malsã em que decorre a acção, que liberta alguns dos piores sintomas de uma sociedade doente, obcecada pelo dinheiro, viciada pela ganância, corrupta e inebriada pelo sucesso fácil. Tudo isto são características que se adaptam bem à personagem principal, Phyllis Dietrichson (Barbara Stanwyck), que engendra todo o plano para matar o marido, depois de este ter assinado um chorudo seguro de vida que lhe foi proposto ardilosamente por Walter Neff (Fred MacMurray), com quem a viperina Phyllis Dietrichson mantinha um caso, obviamente muito conveniente para os seus intentos. No meio deste lamaçal de más intenções que idealizam o crime perfeito e a avultada recompensa financeira, aparece um astuto director de serviços da seguradora, Barton Keyes (um fabuloso Edward G. Robinson), que instintivamente descobre que nem tudo o que parece é.
O filme é admiravelmente contado, com uma magnífica fotografia preto e branco de John F. Seitz, uma iluminação que sublinha a sordidez dos ambientes, e uma partitura musical de Miklós Rózsa, daquelas que ficaram para a história.


Como nota João Benard da Costa num texto sobre  filme, “Double Indemnity” implica três leituras. É o nome da encruzilhada em que o corpo do marido de Barbara Stanwyck foi encontrado; é a referencia ao prémio do seguro que caberá a Phyllis por tal acidente; é ainda a inscrição da relação condenada em que os dois cúmplices se envolvem”. Esta óbvia e intencional sobrecarga de significados oferece ao filme uma tensão forte e obsessiva. Neste ambiente “negro” quase todas as personagens agem em função de desprezíveis intenções, não só o casal que imagina e executa o crime, mas a filha de Phyllis, o namorado desta, e quase todos os circundantes. O ambiente é de tal maneira doentio que Barbara Stanwyck, convidada para interpretar o papel principal, depois de ler o argumento o recusou, por o achar demasiado ignóbil. Foi Billy Wilder quem a convenceu, em boa hora: “És um rato ou uma actriz?”, ao que ela respondeu “quero ser uma actriz”. “Então aceita o papel”, ela aceitou e triunfou em toda a linha. Na verdade, a actriz tinha o perfil indicado para este trabalho.  Barbara Stanwyck atravessou todos os géneros, do melodrama à comédia, do western ao policial, mas terá sido no “filme negro” que melhor se identificou com figuras de “femme fatal” fria e calculista, mas de certa complexidade. Em “Pagos a Dobrar”, quem nos diz que Phyllis não está verdadeiramente interessada em Walter Neff? Recebeu quatro nomeações para o Oscar de Melhor Actriz, e foi-lhe atribuído um Oscar de carreira, em 1982.
Parece que a génese do filme não terá sido muito pacífica a nível de argumentistas. James M. Cain, o romancista, que se terá baseado num acontecimento verídico, ocorrido em 1920, e de que foi protagonista Ruth Snyder, não terá ficado muito satisfeito com a versão, e Raymond Chandler, o argumentista, quase terá cortado relações com Wilder, finda a rodagem. Diga-se que Chandler tem neste filme a sua única aparição no cinema: uma pequena figuração de um homem a ler um livro, enquanto Fred MacMurray desce uma escada (aproximadamente aos 16 minutos de projecção).
Em 2007, o American Film Institute organizou um inquérito sobre “Greatest Movie of All Time” e “Pagos a Dobrar” ficou em 29º lugar. Foi nomeado para sete Oscars, não tendo ganho nenhum: Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Actor, Melhor Actriz, Melhor Argumento, Melhor Fotografia a preto e branco, Melhor Música e Melhor Som.

PAGOS A DOBRAR
Título original: Double Indemnity
Realização: Billy Wilder (EUA, 1944); Argumento: Billy Wilder, Raymond Chandler, segundo romance de James M. Cain; Produção: Buddy G. DeSylva, Joseph Sistrom; Música: Miklós Rózsa; Fotografia (p/b):  John F. Seitz; Casting: Harvey Clermont; Direcção artística: Hans Dreier, Hal Pereira; Decoração: Bertram C. Granger; Guarda-roupa:  Edith Head; Maquilhagem: Wally Westmore, Hollis Barnes, Robert Ewing, Charles Gemora; Direcção de Produção: Al Trosin; Assistentes de realização: Charles C. Coleman, Bill Sheehan; Departamento de arte: Jack Colconda, Jim Cottrell, Paul Tranz; Som: Stanley Cooley, Walter Obers; Efeitos visuais: Farciot Edouart; Companhia de produção: Paramount Pictures; Intérpretes: Fred MacMurray (Walter Neff), Barbara Stanwyck (Phyllis Dietrichson), Edward G. Robinson (Barton Keyes), Porter Hall (Mr. Jackson), Jean Heather (Lola Dietrichson), Tom Powers (Mr. Dietrichson), Byron Barr (Nino Zachetti), Richard Gaines (Edward S. Norton, Jr.), Fortunio Bonanova (Sam Garlopis), John Philliber (Joe Peters), James Adamson, John Berry, Raymond Chandler (homem a ler um livro), Edmund Cobb, Kernan Cripps, Betty Farrington, Bess Flowers, Miriam Franklin, Harold Garrison, Eddie Hall, Teala Loring, George Magrill, Sam McDaniel, Billy Mitchell, Clarence Muse, Constance Purdy, Dick Rush, Floyd Shackelford, Oscar Smith, Douglas Spencer, etc. Duração: 107 minutos; Distribuição em Portugal: Filmes Unimundos; Classificação etária: M/ 12 anos; Data de estreia em Portugal: 24 de Agosto de 1945.
 

BARBARA STANWYCK (1907-1990)
Ruby Stevens, mais tarde conhecida por Barbara Stanwyck, nasceu a 16 de Julho de 1907, em Brooklyn, Nova Iorque, EUA, e viria a falecer a 20 de Janeiro de 1990, com 82 anos, em Santa Monica, Califórnia, EUA. Foi a mais nova de cinco irmãos, tendo ficado órfã de mãe aos dois anos, sendo depois abandonada pelo pai, que foi trabalhar para longe, precisamente para a região do canal do Panamá. Ruby foi criada por uma família amiga da família, e também por uma irmã mais velha, corista, com quem foi viajando e aprendendo o gosto pelo espectáculo. Ainda passou por uma família judaica, os Harold Cohens, de Flatbush, mas voltou a sentir-se rejeitada. Começou a trabalhar numa loja de Brooklyn, posteriormente na Companhia Telefónica de Nova York, dividindo o apartamento com uma amiga, Maude Groodie, actriz de Vaudeville. Aos 15 anos era corista, contratada por Billy Crisp e Earl Lindsay. Em 1926, passou a trabalhar para o produtor Willard Mack, tendo participado em “The Noose” (197 representações no Teatro Hudson), altura em que mudou o nome para Barbara Stanwyck, por sugestão de Willard, que olhou pra um cartaz onde se lia "Jane Stanwick in 'Barbara Frietchie” e juntou o nome da peça (“Barbara Fritchie”), ao da actriz que a interpretava (Jane Stanwick), alterando depois para Stanwyck. Assim surgiu Barbara Stanwyck. Em 1927, foi para Hollywood e estreou-se em “Broadway Nights”, mas o sucesso só viria quando começou a trabalhar com Frank Capra em “Ladies of Leisure” (1930). Rapidamente alcançaria o estatuto de vedeta, através de uma carreira carregada de triunfos em filmes dos mais variados géneros, sendo que o seu talento transparecia em todos eles, do melodrama, como “O Seu Grande Amor” (1932) ou “O Pecado das Mães” (1937), ao filme negro, em obras como “Pagos a Dobrar” (1944), um dos seus melhores filmes, da comédia, “Lembra-te Daquela Noite” (1940) ou “As Três Noites de Eva” (1941) ao western, onde nos deu trabalhos inesquecíveis como “Aliança de Aço” (1939), culminando na televisão, em séries como “The Big Valley” (1965), um dos seus desempenhos memoráveis, ou “Pássaros Feridos” (1983).

Quatro nomeações para Melhor Actriz, em “Stella Dallas” (1937), “Ball of Fire” (1941), “Double Indemnity” (1944) e “Sorry, Wrong Number” (1948). Em 1982, recebe um Oscar honorário, consagrando toda uma carreira. Nos Globos de Ouro, recebeu em 1986 o Cecil B. DeMille Award, de carreira, além de uma estatueta para Melhor Actriz Secundária de televisão em 1984, por “The Thorn Birds”, tendo ainda sido nomeada por mais três ocasiões, 1966, 1967 e 1968, por “The Big Valley”. De resto, acumulou prémios e nomeações ao longo de toda a sua carreira. Casada com Frank Fay (1928 - 1935) e Robert Taylor (1939 - 1952). Jurou nunca mais se casar. Cumpriu. Barbara Stanwyck faleceu de insuficiência cardíaca, aos 82 anos, no St. John's Hospital, tendo o corpo da actriz sido cremado, e suas cinzas espalhadas em Lone Pine, na Califórnia.
Os colegas de profissão elogiavam a sua maneira de ser, o carinho com que tratava os mais novos. Tinha muitos amigos entre os actores e realizadores (alguns: Julie London, John Forsythe, Jane Wyman, Loretta Young, Jean Arthur, Bette Davis, Frank Capra, Fred MacMurray, Lucille Ball, Bob Hope, Frank Sinatra, Tony Martin, Richard Basehart, Aaron Spelling, Robert Fuller, John McIntire, Denny Miller, Bruce Dern, Leif Erickson, Gavin MacLeod, Pernell Roberts, Jeanne Cooper, Richard Anderson, L.Q. Jones, Barry Sullivan, William Conrad, Joan Crawford, Bill Quinn, Harold Gould, James Whitmore). Era republicana, conservadora e membro da “The Motion Picture Alliance for the Preservation of American Ideals”, uma associação política que apoiava a acção do senador McCarthy durante o sinistro período da “caça às bruxas” em Hollywood. Outros membros conhecidos eram Ginger Rogers, Clark Gable, Gary Cooper, John Wayne ou Irene Dunne. No inquérito do American Film Institute sobre "100 Years of The Greatest Screen Legends", surge em11º lugar. O mesmo instituto organizou outro inquérito, sobre "100 Greatest Screen Heroes and Villains", onde aparece em 8º lugar. Ficou colocada em 40º lugar na votação da revista Entertainment Weekly dedicada à "Greatest Movie Star of All Time". A sua estrela no Hollywood Walk of Fame está localizada no nº 1751 de Vine St.

Filmografia

Como actriz: 1927: Broadway Nights ("Noites da Broadway") de Joseph C. Boyle; 1929: The Locked Door, de George Fitzmaurice; Mexicali Rose, de Sam Hardy; 1930: Ladies of Leisure, de Frank Capra; 1931: Illicit, de Archie Mayo; Ten Cents a Dance, de Lionel Barrymore; Night Nurse, de William A. Wellman; The Miracle Woman, de Frank Capra; The Stolen Jools (curta-metragem); 1932: Forbidden (O seu Grande Amor), de Frank Capra; Shopworn, de Nicholas Grinde; So Big!, de William A. Wellman; The Purchase Price, de William A. Wellman; 1933: The Bitter Tea of General Yen (A Grande Muralha), de Frank Capra; Ladies They Talk About, de  Howard Bretherton; Baby Face (A Mulher que nos Perde), de Alfred E. Green; Ever in My Heart, de Archie Mayo; 1934: Gambling Lady, de Archie Mayo; A Lost Lady, de Alfred E. Green; The Secret Bride, de William Dieterle; 1935: The Woman in Red, de Robert Florey; Red Salute, de Sidney Lansfield; Annie Oakley, de George Stevens; 1936: A Message to Garcia, de George Marshall; The Bride Walks Out (Uma Noiva em Férias), de Leigh Jason; His Brother's Wife (Febres Tropicais), de W.S. Van Dyke; Banjo on My Knee (A Canção do Rio), de John Cromwell; The Plough and the Star (A Primeira Batalha), de John Ford; 1937: Internes Can't Take Money, de Alfred Santell; This Is My Affair (Ordens Secretas), de William A. Seiter; Stella Dallas (O Pecado das Mães), de King Vidor; Breakfast for Two (Almoço para Dois), de Alfred Santell; 1938: Always Forever (Mãe Solteira), de Sidney Lansfield; The Mad Miss Manton (Oito Raparigas e Um Crime), de Leigh Jason; 1939: Union Pacific (Aliança de Aço), de Cecil B. DeMille; Golden Boy (Paixão Mais Forte), de Rouben Mamoulian; 1940: Remember the Night (Lembra-te Daquela Noite), de Mitchell Leisen; 1941: The Lady Eve (As Três Noites de Eva), de Preston Sturges; Meet John Doe (Um João Ninguém), de Frank Capra; You Belong to Me (Pertences-me), de Wesley Ruggles; Ball of Fire (Bola de Fogo), de Howard Hawks; 1942: The Great Man's Lady (A Mulher do Grande Senhor), de William A. Wellman; The Gay Sisters (As Três Herdeiras), de Irving Rapper; 1943: Lady of Burlesque (Noite Fantástica), de William A. Wellman; Flesh and Fantasy (Os Mistérios da Vida), de Julien Duvivier; 1944: Double Indemnity (Pagos a Dobrar), de Billy Wilder; Hollywood Canteen (Sonho em Hollywood), de Delmer Daves; 1945: Christmas in Connecticut (Indiscrição), de Peter Godfrey; Hollywood Victory Caravan (curta-metragem); 1946: My Reputation ( A Minha Reputação), de Curtis Bernhardt; The Bride Wore Boots, de  Irving Pichel; The Strange Love of Martha Ivers (O Estranho Amor de Martha Ivers), de Lewis Milestone; California (Califórnia), de John Farrow; 1947: The Two Mrs. Carrolls (Inspiração Trágica), de Peter Godfrey; The Other Love (A Orquídea Branca), de Andre de Toth; Cry Wolf' (A Mansão da Loucura), de Peter Godfrey; Variety Girl (Parada de Estrelas), de George Marshall; 1948: B. F.'s Daughter (A Rebelde), de Robert Z. Leonard; Sorry, Wrong Number (Três Minutos de Vida), de Anatole Litvak; 1949: The Lady Gambles (A Tentação do Jogo), de Michael Gordon; East Side, West Side (Mundos Opostos), de Mervyn LeRoy; The File on Thelma Jordon (Duas Confissões), de Robert Siodmak; 1950: No Man of Her Own (Nenhum Homem Era Dela), de Mitchell Leisen; The Furies (Almas em Fúria), de Anthony Mann; To Please a Lady (Medo de Amar), de Clarence Brown; 1951: The Man with a Cloak (O Homem das Sombras), de Fletcher Markle; 1952: Clash by Night (Desengano), de Fritz Lang; 1953: Jeopardy (Vida Contra Vida), de John Sturges; Titanic (A Tragédia do Titanic), de Jean Negulesco; All I Desire (Desejo de Mulher), de Douglas Sirk; The Moonlighter, de Roy Rowland; Blowing Wild (Vento Selvagem), de Hugo Fregonese; 1954: Witness to Murder (A Testemunha do Crime), de Roy Rowland; Executive Suite (Um Homem e Dez Destinos), de Robert Wise; Cattle Queen of Montana (A Rainha da Montanha), de Allan Dwan; 1955: The Violent Men (Homens Violentos), de Rudolph Maté; Escape to Burma (Os Rubis do Príncipe Birmano), de Alan Dwan; 1956: There's Always Tomorrow (A Vida Não Pára), de Douglas Sirk; The Maverick Queen (A Rainha do Mal), de Joseph Kane; These Wilder Years, de Roy Rowland; The Ford Television Theatre (TV) - episódio Sudden Silence; 1957: Crime of Passion (Da Ambição ao Crime), de Gerd Oswald; Trooper Hook, de Charles Marquis Warren; Forty Guns (Quarenta Cavaleiros), de Samuel Fuller; 1958: Alcoa Theatre (TV); Goodyear Theatre (TV); 1958-1959: Zane Grey Theater (TV); 1959: The Real McCoys (TV)  The McCoys Visit Hollywood; 1960-61: The Barbara Stanwyck Show (TV); 1961: General Electric Theater (TV); The Joey Bishop Show (TV); 1961-1964: Wagon Train (TV); 1962 - Walk on the Wild Side (Restos de Um Pecado), de Edward Dmytryk; Rawhide (TV); The Dick Powell Show (TV); 1962-1963: The Untouchables (TV); 1963: The Molly Kinkaid Story, de Virgil W. Vogel, episódio da série Wagon Trail (TV); The World’s Greatest Showman: a Legend of Cecil B. DeMille, de Boris Segal (TV) (Documentário);  1964: Roustabout (Romance no Luna Parque), de John Rich; The Night Walker (Passos na Noite), de William Castle; The Kate Crowley Story (TV) episódio de Wagon Trail; Calhoun: County Agent (TV);  1965-1969: The Big Valley (TV); 1970: The House That Would Not Die, de John Llowellyn Moxey (TV); 1971: A Taste of Evil, de J. L. Moxley (TV); 1973: The Parkingtons: Dear Penelope (TV) episódio de The Letters; 1980: Charlie's Angels (TV) The Male Angel Affair, de Ron Staloff; 1983: The Thorn Birds (Pássaros Feridos), de Daryl Duke (TV); 1985-86: Dynasty II – The Colbys (TV).

28 DE ABRIL DE 2015


A FAMÍLIA MINIVER (1942)

Será interessante começar por lembrar-se que este filme, datado de 1942, foi rodado antes dos EUA terem entrado na II Guerra Mundial. No fim do conflito, Winston Churchill terá dito que “este filme fez mais pela causa dos Aliados do que uma frota de caças”. Quanto ao realizador, William Wyler, que era judeu nascido alemão, mas posteriormente naturalizado norte-americano, também ele afirmou que concebeu esta obra com intenções de propaganda, procurando convencer o governo americano a deixar a neutralidade que até ali mantinha e a juntar-se aos Aliados. As suas razões eram tão profundas que, mal acabou de rodar “Mrs. Miniver”, se alistou no exército para declarar no fim que “ as suas experiências de guerra o fizeram perceber quanto o seu filme mostrava a guerra de forma superficial”.
Olhando hoje para o filme, não será essa “forma superficial” o que prevalece, mas sobretudo um outro aspecto, que terá concorrido em muito para o seu sucesso junto do público mundial (sobretudo na América e em Inglaterra, como se compreenderá), mas o facto de mostrar a guerra vista de casa e não das trincheiras. Filmes espectaculares que mostram o horror da guerra há muitos. Obras que põem a descoberto as feridas e a dor das famílias no seu dia-a-dia não haverá assim tantos, e não havia muitos nesse início da década de 40 do século XX. Foi esse intimismo que terá tocado os espectadores e que levou Churchill a perceber o seu impacto e a sua importância na mobilização das consciências. Mas mesmo o Presidente Roosevelt incentivou a ida ao cinema para ver este filme. O Departamento de Informação de Guerra dos EUA terá mesmo “colaborado” no argumento, ao sugerir que a tradicional imagem sedutora da sociedade inglesa oferecida por Hollywood nos seus filmes fosse “humanizada”, tornada mais “normal”, atenuando diferenciações sociais, o que é visível sobretudo no estatuto da família Miniver, mais aproximado da classe média no filme do que no romance que lhe está na base.
William Wyler foi um dos mais importantes cineastas norte-americanos, com uma carreira iniciada ainda durante o mudo e que se prolongaria até à década de 70. Ele e John Ford disputavam o lugar de número um no ofício e o seu significado no interior da indústria cinematográfica era enorme.


Este filme de Wyler, uma produção de Sidney Franklin, parte de um argumento assinado por Arthur Wimperis, George Froeschel, James Hilton e Claudine West, baseado num romance homónimo de Jan Struther, pseudónimo literário da escritora inglesa Joyce Anstruther, que ficou na história da literatura essencialmente pelo seu romance “Mrs. Miniver”, uma obra que teve uma curiosa génese. Na verdade, depois de uma colaboração regular na revista “Punch”, em meados dos anos 30, foi convidada a escrever uma coluna no “The Times” sobre "uma mulher normalíssima que levava uma vida igualmente normal, tal como a sua própria vida”. Foi assim que surgiu a personagem de Mrs Miniver, que mais tarde inspiraria o romance publicado em 1939 (portanto, numa altura em que a Inglaterra declarava guerra à Alemanha de Hitler).
Quem acusou o filme de “patriótico e sentimental” acertou por completo na mouche, mas esta não pode ser considerada uma crítica negativa. Era essa a intenção do romance e posteriormente do filme. Mas caracterizá-lo como uma obra romântica ficará mais correcto. Como era pretendido pelo “The Times” Mrs. Miniver (Greer Garson, no filme) era uma vulgar mulher de classe média inglesa, com uma boa família, que vive numa confortável casa, “Starlings”, em Belham, uma pequena cidade imaginada, nos subúrbios de Londres, com saída para o rio Tamisa, que por ali passa. Casada com Clem (Walter Pidgeon), um arquitecto, tem três filhos, Toby, Judy e Vin (Richard Ney), este o mais velho, a estudar na universidade. De visita a casa dos pais, em férias, conhece Carol Beldon (Teresa Wright), por quem se apaixona, apesar deste namoro não ser bem visto por Lady Beldon (Dame May Whitty), uma velhota rabugenta e muito ciosa da sua árvore genealógica e dos seus pergaminhos e privilégios. Tudo parece correr, apesar disso, no melhor dos mundos, quando a guerra rebenta e Vic se oferece como piloto e passa a descolar para perigosos voos de uma base militar próxima de sua casa. Seguem-se alguns episódios de guerra, que na Inglaterra foram sobretudo bombardeamentos alemães sobre as cidades, com o cotejo consequente de feridos, mortes e também de pilotos nazis abatidos, o que o filme vai testemunhando sempre sob a perspectiva da família que habita “Starlings”, e vai assistindo à guerra no interior das paredes do seu lar ou no jardim que dá para o Tamisa. O comportamento das personagens terá contribuído para o mito de que os ingleses são fleumáticos e que defrontam a adversidade com uma aparente calma, pois é isso mesmo que acontece, com um ou outro lampejo de maior emotividade. Mas é sobretudo de sublinhar a coragem de quem vive o dia-a-dia sem dramatismos escusados e vai ultrapassando os obstáculos com o sangue-frio possível, mesmo quando os obstáculos são as paredes esventradas da sua própria casa atingida pelos bombardeamentos.
William Wyler conduz o filme com a serenidade de um britânico, evitando o melodrama estridente, mantendo a emoção bem doseada, aproveitando-se da belíssima fotografia a preto e branco de Joseph Ruttenberg e da partitura musical de Herbert Stothart. Mas Wyler torna-se notado por pequeníssimos apontamentos de vida diária, que tornam a obra particularmente tocante e original. Esse sentido do pormenor que parece nada acrescentar à obra, mas que finalmente lhe traz uma genuína e autêntica humanidade, é seguramente um dos toques pessoais deste cineasta invulgar, admirável director de actores, como o demonstra todo o elenco deste título. Greer Garson e Walter Pidgeon comandam, muito bem acompanhados de perto por Teresa Wright, Dame May Whitty, Reginald Owen, Henry Travers, Richard Ney ou Henry Wilcoxon.


O filme custou 1.34 milhões, mas angariou 8.878.000, para lá da sua contribuição para a entrada dos EUA na guerra. De resto, os Oscars do ano compensaram bem o empreendimento, outorgando-lhe seis estatuetas: Melhor Filme (na altura chamado “Outstanding Motion Picture”), Melhor Realização (William Wyler), Melhor Actriz (Greer Garson), Melhor Actriz Secundária (Teresa Wright), Melhor Argumento (George Froeschel, James Hilton, Claudine West, Arthur Wimperis      ) e Melhor Fotografia a preto e branco (Joseph Ruttenberg). Esteve nomeado ainda para outras seis categorias: Melhor Actor (Walter Pidgeon), Melhor Actor Secundário (Henry Travers), Melhor Actriz Secundária (Dame May Whitty), Melhor Som (Douglas Shearer), Melhor Montagem (Harold F. Kress) e Melhor Efeitos Especiais (A. Arnold Gillespie, Warren Newcombe e Douglas Shearer).
Devido ao sucesso, em 1950 surgiu uma sequela, com os mesmos actores como protagonistas, “The Miniver Story” (A História dos Miniver), com realização de H.C. Potter e Victor Saville (este não creditado). Interessante, mas sem o sucesso do original que, em 2006, quando o American Film Institute estabeleceu a lista dos filmes mais inspiradores de sempre, apareceu colocado num muito honroso 40º lugar. Em 2009, como resultado desta importância e significado, foi escolhido pelo National Film Registry da Library of Congress para ser preservado pelo seu interesse "cultural, histórico e estético”. A qualidade do filme nunca esteve em causa: no próprio ano de estreia, 592 críticos de cinema norte-americanos escolhera o melhor filme do ano na revista “Film Daily”, e desses 555 optaram por apontar “Mrs. Miniver”. O filme teve uma versão radiofónica, em 1943, produzida pelo Lux Radio Theatre e, em 1960, uma nova versão, desta feita televisiva, dirigida por Marc Daniels para a CBS, com Maureen O'Hara (Mrs. Miniver) e Leo Genn (Clem Miniver).
Diga-se ainda que, como resultado de ser rodado durante um período de grandes transformações, o argumento e as próprias filmagens se foram adaptando a essas mudanças. Por exemplo, o confronto de Mrs Miniver com o piloto alemão caído em território inglês teve sucessivas versões, até à final, posto que a posição dos americanos quanto aos alemães ia endurecendo, sobretudo depois do episódio de Pearl Harbour.
Duas curiosidades, a fechar: Greer Garson, que não foi a primeira escolha para o papel de Mrs. Miniver (teria sido Norma Shearer, que recusou por não querer aparecer como mãe),logo após o fim das filmagens, casou-se com Richard Ney, que interpreta o seu filho Vin no filme. Mais uma história sobre a mesma actriz: o discurso de Greer Garson quando recebeu o Oscar de Melhor Actriz foi o mais longo da história destas cerimónias: durou mais de uma hora. Percebe-se porque a organização terá introduzido a já habitual musica de fundo em crescendo, para anunciar o fim dos agradecimentos.

A FAMÍLIA MINIVER
Título original: Mrs. Miniver
Realização: William Wyler (EUA, 1942); Argumento: Arthur Wimperis, George Froeschel, James Hilton, Claudine West, Paul Osborn, R.C. Sherriff, segundo romance de Jan Struther; Produção: Sidney Franklin, William Wyler; Música: Herbert Stothart; Fotografia (p/b): Joseph Ruttenberg; Montagem: Harold F. Kress; Direcção artística: Cedric Gibbons; Decoração: Edwin B. Willis; Guarda-roupa: Robert Kalloch; Maquilhagem: Sydney Guilaroff; Assistentes de realização: Walter Strohm; Departamento de arte: Urie McCleary; Som: Douglas Shearer; Efeitos especiais: A. Arnold Gillespie, Warren Newcombe; Efeitos visuais: Max Fabian; Companhia de produção: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM); Intérpretes: Greer Garson (Mrs. Miniver), Walter Pidgeon (Clem Miniver), Teresa Wright (Carol Beldon), Dame May Whitty (Lady Beldon), Reginald (Foley), Henry Travers (Mr. Ballard), Richard Ne (Vin Miniver), Christopher Severn (Toby Miniver), Clare Sandars (Judy Miniver), Henry Wilcoxon, Brenda Forbes, Marie De Becker, Helmut Dantine, John Abbott, Connie Leon, Rhys Williams, Harry Allen, Frank Atkinson, Sybil Bacon, Frank Baker, Virginia Bassett, Louise Bates, Guy Bellis, Charles Bennett, Florence Benson, Art Berry Sr., Tom Conway, Sidney Franklin, Douglas Gordon, Eddie Hall, Henry King, Peter Lawford, Eric Lonsdale, Clara Reid, Leslie Vincent, Ian Wolfe, etc. Duração: 134 minutos; Distribuição em Portugal: MGM; Classificação etária: M/ 12 anos; Data de estreia em Portugal: 28 de Fevereiro de 1944.


GREER GARSON (1904-1996)
Em finais dos anos 50, era eu ainda um jovem estudante liceal, vi num cinema da Ericeira, onde passava férias, um filme de que gostei, “Uma Estranha na Cidade”, e uma actriz que me ficou na memória, Greer Garson. Nunca mais voltei a rever o filme, não sei qual seria hoje a minha impressão, mas continuo a gostar da actriz, que depois revi nalguns outros títulos, não muitos, que ela foi parca em criações. Nascida em Manor Park, Newham, Londres, Inglaterra, com o nome de Eileen Evelyn Greer Garson, a 29 de Setembro de 1904, viria a falecer em Dallas, nos EUA, a 6 de Abril de 1996, com 91 anos de idade. Os pais foram George e Nancy Sophia, que tinham ascendência irlandesa e escocesa, e talvez por isso Greer Garson pôs a circular que era irlandesa. Estudou na universidade de Londres, depois em Grenoble, em França, parecia destinada a ser professora, mas começou a trabalhar numa agência de publicidade e depois interessou-se pelo teatro, nomeadamente no Birmingham Repertory Theatre, sobretudo reportório clássico, ao lado de Laurence Olivier, por exemplo em “Golden Arrow”. Em finais da década de 30 era assídua na televisão. 


Ganha fama nos palcos de West End e, em 1933, casa com Alec Abbot Snelson, de quem se divorcia em 1940. Foi o produtor Louis B. Mayer que a viu trabalhar em Londres e lhe ofereceu um contrato na Metro-Goldwyn-Mayer, para onde roda o seu primeiro filme, “Adeus, Mr. Chips”, em 1939, ainda em estúdios ingleses. Apesar de o papel ser curto, ao lado de Robert Donat, faz sucesso e é nomeada para o Oscar de Melhor Actriz, pela primeira vez. Entre 41 e 45, não deixa de ser sempre indicada, igualando o record de Bette Davis. Seguem-se “Flores do Pó”, “A Família Miniver”, “Madame Curie”, “A Srª. Parkington” e “O Vale do Destino”, cinco nomeações e um Oscar, em Mrs. Miniver. Voltaria a ser nomeada em 1961, por “Sunrise at Campobello”. Foi um período de grande actividade e deslumbramento. Greer Garson era, à falta de concorrentes, a grande vedeta da MGM, com uma silhueta de grande senhora, muito longe da mulher fatal que outras encarnavam nessa época. A esposa dedicada e a mãe de família que todos queriam ter. Trabalhando muito sob a direcção de alguns realizadores (Robert Z. Leonard, Mervyn LeRoy, Tay Garnett, por exemplo), estabeceu com Waler Pidgeon uma parelha (oito filmes) que fez furor nos corações românticos. Quando acabou de filmar “Mrs. Miniver” não se casou com ele, mas sim com Richard Ney, o actor que fazia de seu filho na obra, e que era 24 anos mais novo. Com o seu trabalho nesse título, ganhou o seu Oscar de Melhor Actriz e levou mais de 50 minutos no discurso de agradecimento. Um record.
O seu casamento com Richard Ney durou quatro anos, e em 1949, Garson opta por um milionário texano, Buddy Fogelson, com quem ficará até final da vida deste (1987). Deixa a MGM e entra para a Warner Bros., onde protagoniza um western pouco ortodoxo, “Uma Estranha na Cidade”, de novo sob as ordens de Mervyn LeRoy. A sua carreira passa depois para a televisão, para o teatro, onde, em 1958, obtém um triunfo total, com “Auntie Mame”, na Broadway, substituindo a intérprete original, Rosalind Russell. Após o que se retira cada vez mais para os seus ranchos no Novo México e em Dallas, onde viria a falecer, em 1996, de ataque cardíaco, aos 91 anos.

Filmografia

Como actriz: 1934: Inasmuch... (curta-metragem); 1937: How He Lied to Her Husband (TV); Theatre Parade (TV); The School for Scandal (TV); 1939: Goodbye, Mr. Chips (Adeus, Mr. Chips), de Sam Wood; Remember? (Três sem Juízo), de Norman Z. McLeod; 1940: Pride and Prejudice (Orgulho e Preconceito) de Robert Z. Leonard; 1941: Blossoms In the Dust (Flores do Pó) de Mervyn LeRoy; When Ladies Meet (Quando Elas se Encontram), de Robert Z. Leonard; 1942: Mrs. Miniver (A Família Miniver), de William Wyler; Random Harvest (A Noiva Perdida), de Mervyn LeRoy; 1943: Madame Curie (Madame Curie), de Mervyn LeRoy; 1944: Mrs. Parkington (A Srª. Parkington), de Tay Garnett; 1945: The Valley of Decision (O Vale do Destino), de Tay Garnett; Adventure (Aventura), de Victor Fleming; 1947: Desire me (A Mulher do Outro), de George Cukor; 1948: Julia Misbehaves (Travessuras de Júlia), de Jack Conway; 1949: That Forsyte Woman (A Glória de Amar), de Compton Bennett; 1950: The Miniver Story (A História dos Miniver), de H.C. Potter; 1951: The Law and the Lady (Pomo de Discórdia),  de Edwin H. Knopf; 1952: Scandal at Scourie (Aventureira de Ocasião), de Jean Negulesco; 1953: Julius Caesar (Júlio César), de Joseph L. Mankiewicz; 1954: Her Twelve Men (Entre Doze Homenzinhos), de Robert Z. Leonard; 1955: Strange Lady in Town (Uma Estranha na Cidade), de Mervyn LeRoy; Producers' Showcase (TV); 1956: The Little Foxes (TV); Star Stage (TV); 1956-1960 General Electric Theater (TV); 1957 Father Knows Best (TV); Telephone Time (TV); 1960: Pepe (Pepe), de George Sidney (caméo); Sunrise at Campobello (Dez Passos Imortais), de Vincent J. Donehue; Captain Brassbound's Conversion (TV): 1962: The DuPont Show of the Week (TV); 1963: The Invincible Mr. Disraeli, de George Schaefer (TV); 1966: The Singing Nun (A Irmã Sorriso) de Henry Koster; 1967: The Happiest Millionaire (O Milionário Mais Feliz), de Norman Tokar; 1968: The Little Drummer Boy (voz); 1970: The Virginian (TV); 1974: Crown Matrimonial (TV); 1976: That's Entertainment, Part II (Hollywood, Hollywood); 1976: The Little Drummer Boy Book II (voz); 1978: Little Women, de David Lowell Rich (TV); Rockette: A Holiday Tribute to Radio City Music Hall; 1981: A Gift of Music, de Jeff Margolis (TV); 1982: The Love Boat (O Barco do Amor) (TV).

21 DE ABRIL DE 2015


A ESTRANHA PASSAGEIRA (1942)

Irving Rapper (1898-1999), nascido em Londres, mas respeitado cineasta norte-americano, para todos os efeitos, não se pode considerar um dos seus grandes autores, mas a verdade é que assinou alguns dos sucessos dos anos 40, estando muito associado a triunfos de Bette Davis, enquanto ambos trabalharam para a Warner Bros. Começou a carreira como actor, depois encenador na Broadway, enquanto estudava na Universidade de Nova Iorque, passando ao cinema, em 1936, como dialoguista e assistente de realização contratado pela Warner Bros. Entre 1942 e 1952 dirigiu Bette Davis em quatro filmes, considerados dos melhores desta primeira fase da actriz: “Now, Voyager” (1942), “The Corn Is Green” (1945), “Deception” (1946), e “Another Man's Poison” (1952). Mas Rapper dirigiu outros filmes particularmente interessantes, como “The Adventures of Mark Twain” (1944), o dedicado a George Gershwin, “Rapsódia em Blue” (1945), “One Foot in Heaven” (1941), “The Brave One” (1956), com o qual Dalton Trumbo ganhou um Oscar da Academia, assinando com o pseudónimo Robert Rich, pois estava inscrito nas listas negras do macarthismo, ou “The Glass Menagerie” (1950), primeira adaptação ao cinema de uma peça teatral de Tennessee Williams. Morreu dias antes de completar 102 anos.
Entretanto, Bette Davis, que entrara para a Warner em 1932, depois de uma curta passagem pela Universal, sem qualquer relevo, torna-se num dos rostos da produtora, possivelmente a sua vedeta de maior sucesso. Em 1934, consegue a primeira das suas onze nomeações para Melhor Actriz, em “Of Human Bondage”, no ano seguinte ganhou o seu primeiro Oscar com “Dangerous” e, três anos depois, repete o feito com “Jezebel”. No seu período Warner surge ainda em “Dark Victory”, “The Old Maid”, “The Letter”, “The Little Foxes”, “The Great Lie”, ou “Mr. Skeffington”. “Deception” (1946) marca o início de um curto período de apagamento, regressando em glória em “All About Eve” (1951).


“Now, Voyager” parte de um romance de Olive Higgins Prouty que integra uma saga familiar em cinco volumes, “The White Fawn” (1931), “Lisa Vale” (1938), “Now, Voyager” (1941), “Home Port” (1947), e “Fabia” (1951). Ambientado em Boston, esta terceira etapa da história da família Vale andou em bolandas pelo estúdio Warner durante vários anos. Inicialmente seria o realizador Edmund Goulding a dirigi-la com Irene Dunne como protagonista, depois coube a vez a Michael Curtiz, que pretendia trabalhar com Norma Shearer. Mas o produtor Hal B. Wallis acabou por achar que Bette Davis seria a melhor aposta, escolhendo o jovem Irving Rapper para concretizar o projecto. Bette Davis era já conhecida pelo seu mau feitio, por um lado, e perfeccionismo por outro. Apanhando pela frente um director tenrinho, terá manobrado a seu belo prazer. Parece que escolheu o guarda-roupa, seu e de outros actores, interferiu no penteado de Paul Henreid, discutiu o argumento e não seria surpresa para ninguém se tivesse dado os seus palpites à iluminação do director de fotografia, Sol Polito. Afinal ela sabia muito bem qual o seu melhor ângulo e o seu perfil predilecto. Irving Rapper ter-se-á lamentado da sua relação com Davis, o que já não era novidade, no filme anterior a actriz cortara relações com Michael Curtiz, mas sempre elogiou o extraordinário talento da actriz. Pelo resultado final, não se pode dizer que Bette Davis e Irving Rapper não tenham, em conjunto, funcionado bem, pelo menos para o espectador, dado que o resultado final acabaria por ser um dos mais belos e modelares melodramas desta época no cinema americano.
“Estranha Passageira” é uma daquelas obras onde tudo parece harmonizar-se de forma perfeita, onde o toque de magia terá imperado, onde a soma de todos os elementos acaba por ser superior ao que se poderia esperar. O argumento é extremamente interessante e desenvolve-se de forma coerente, mantendo o espectador envolvido pelo ambiente e pelo destino das personagens. Deve dizer-se que a realização é sóbria e profundamente eficaz, com momentos de subtil toque de classe, quer pelos enquadramentos, pelos movimentos discretos, pela tonalidade escolhida. Muito contribui a excelente fotografia de Sol Polito, num preto e branco particularmente sugestivo, e a partitura musical de Max Steiner, que se tornou um clássico. 
 

A protagonista é Charlotte Vale (Bette Davis), que no início nos surge como uma jovem mulher perfeitamente subjugada ao domínio tirânico de uma mãe possessiva e arrogante. Mrs. Henry Vale (Gladys Cooper) é uma velha empertigada e opressiva que encerra a filha num colete-de-forças que a leva à esquizofrenia. O retrato então composto por Bette Davis é notável, desde o cabelo aos sapatos, dos óculos ao vestidinho de ramagens que só pode ser a preto e branco ou em tons de cinzentos, passando pela postura das mãos, à forma como anda ou se senta, culminando com o tom de voz, entre o hesitante, o indeciso e o reprimido. Um dia, encontra o Dr. Jaquith (Claude Rains), que a convida a passar uns dias na sua clínica, onde reabilita Charlotte, instilando-lhe confiança, independência de movimentos, a liberta de constrangimentos, insuflando-lhe nova vida. Afasta-se da casa materna, adquire nova postura, muda de visual, transforma-se, dir-se-ia uma outra mulher. Viaja, donde o título “Now, Voyager”, citação de um verso de um poema de Walt Whitman, incluído no seu livro “Leaves of Grass” (The Untold Want/ By Life and Land Ne'er Granted/ Now, Voyager/ Sail Thou Forth to Seek and Find). Durante um cruzeiro que termina no Rio de Janeiro (a viagem era para ser pela Europa, mas o facto desta se encontrar devastada pela guerra, mudou o rumo da viagem, segundo os produtores), encontra Jerry Durrance (Paul Henreid), um arquitecto, casado e pai de uma filha com problemas. Do encontro resulta uma paixão que atravessará toda a acção restante do filme. Estamos numa época em que o código Hays imperava, por isso tudo parece permanecer no mais rígido registo da moral dominante, mas, sob a aparência desse “nada acontecer de mal”, palpita uma sensualidade fortíssima, lateja um erotismo que tudo deixa supor. Por vezes é mais forte o que se elide do que o que se mostra. É o caso, servido por actores que sabem usar as palavras, os olhares, os gestos, os subentendidos para gerarem um clima de paixão libidinal indesmentível.
Num tempo em que a psicanálise entusiasmava Hollywood, este melodrama admiravelmente concebido sobre a emancipação de uma mulher (sobre a emancipação “da” mulher) permanece um marco de invejável modernidade.

A ESTRANHA PASSAGEIRA
Título original: Now, Voyager
Realização: Irving Rapper (EUA, 1942); Argumento: Casey Robinson, segundo romance de Olive Higgins Prouty; Produção: Hal B. Wallis;  Música: Max Steiner; Fotografia (p/b): Sol Polito; Montagem: Warren Low; Direcção artística: Robert M. Haas; Decoração:  Fred M. MacLean; Guarda-roupa:  Orry-Kelly; Maquilhagem: Perc Westmore, Martha Acker, Edwin Allen; Direcção de Produção Al Alleborn; Assistentes de realização: Emmett Emerson, Sherry Shourds; Departamento de arte: Scotty Moore, John More; Som: Robert B. Lee; Efeitos especiais: Willard Van Enger; Companhia de produção: Warner Bros.; Intérpretes: Bette Davis  (Charlotte Vale), Paul Henreid (Jerry Durrance), Claude Rains (Dr. Jaquith), Gladys Cooper (Mrs. Henry Vale), Bonita Granville (June Vale), John Loder (Elliot Livingston), Ilka Chase (Lisa Vale), Lee Patrick, Franklin Pangborn, Katharine Alexander, James Rennie, Mary Wickes, Tod Andrews, Brooks Benedict, David Clyde, Yola d'Avril, Frank Dae, Donald Douglas, Charles Drake, Claire Du Brey, etc. Duração: 117 minutos; Distribuição em Portugal: Warner Bros (DVD); Classificação etária: M/ 12 anos; Data de estreia em Portugal: 21 de Janeiro de 1947.


BETTE DAVIS (1908 - 1989)
Ruth Elizabeth Davis ou Bette Davis, também conhecida como “The Fifth Warner Brother” ou “The First Lady of Film”, nasceu a 5 de Abril de 1908, em Lowell, Massachussets, EUA, e viria a falecer, aos 81 anos, em Neuilly-sur-Seine, França, no dia 6 de Outubro de 1989. Foi casada com Harmon Nelson (1932 - 1938), Arthur Farnsworth (1940 - 1943), William Grant Sherry (1945 - 1950) e Gary Merrill (1950 - 1960). Foram conhecidos os seus relacionamentos com William Wyler e Howard Hughes.
Ganhou dois Oscars da Academia, como Melhor Actriz em 1936, para “Mulher Perigosa” e, em 1939, para “Jezebel, a Insubmissa”, mas foi nomeada por mais nove vezes: 1934: “Of Human Bondage”, 1939: “Dark Victory”, 1940: “The Letter”, 1941: “The Little Foxes”, 1942: “Now, Voyager”, 1944: “Mr. Skeffington”, 1950: “All About Eve”, 1952: “The Star” e 1962: “What Ever Happened to Baby Jane?. Globos de Ouro, como Melhor Actriz, em 1950, por “All About Eve”, em 1961, por “A Pocketful of Miracles”, em 1962, por “What Ever Happened to Baby Jane?” e em 1974, Prémio Cecil B. DeMille pelo conjunto da sua obra. Prémio de Melhor Actriz para o Círculo de Críticos de Nova York, em 1950, por “All About Eve”. Foi “Emmy Awards”, como Melhor Actriz em Mini série ou Filme, em 1979, pelo trabalho em “Strangers: The Story of a Mother and Daughter”. Prémio Cecil B. DeMille. Prémio Honorário do “Screen Actors Guild Life Achievement”. Melhor Actriz, no Festival de Cannes de 1951, em “All About Eve”. Cesar honorário em 1974 (França). Melhor Actriz, no Festival de Veneza (Itália), em 1937, por “Kid Galahad”.
Bette Davis foi uma actriz muito versátil e particularmente dotada, que gostava sobretudo de interpretar personagens algo antipáticas, percorrendo dramas e melodramas, policiais, comédias ou filmes históricos. Trabalhou no teatro, no cinema e na televisão, quase até ao fim da sua vida, apesar de doente (cancro da mama). Estreou-se no teatro, passou pela Broadway, antes de aparecer em Hollywood, em 1930. As produções da Universal Studios onde participou não faziam prever o sucesso futuro, que começa logo que passa para a Warner Bros. em 1932. Foi uma diva incontestada durante os anos 40 e 50, facilmente reconhecida pelo estilo muito pessoal, pela frontalidade e coragem demonstrada nalguns confrontos com estúdios e mesmo com realizadores. Com voz forte, cigarro na mão, e imagem desembaraçada, impôs uma personagem inesquecível.
Foi uma das co-fundadoras da Hollywood Canteen, juntamente com John Garfield, Cary Grant e Jule Styne, uma iniciativa criada para angariar fundos para o Exército e entreter soldados norte-americanos durante a II Guerra Mundial e foi a primeira presidente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.
Os pais foram Harlow Morrell Davis, um advogado, e Ruth ("Ruthie") Augusta. A família era protestante, de origem inglesa, francesa e escocesa. Em 1915, depois do divórcio dos pais, “Betty”, como era carinhosamente conhecida, estudou num internato de Crestalban, em Lanesborough, cidade do planalto de Berkshire. Em 1921, Ruth Davis mudou-se com as filhas para Nova Iorque, onde trabalhou como retratista. Após assistir às representações de Rudolph Valentino em “Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse” (1921), e Mary Pickford em “O Pequeno Lord” (1921), Betty sentiu que a sua vocação era o teatro e o cinema, no que foi incentivada pela mãe. Frequentou o internato Cushing Academy, em Ashburnham, Massachusetts, onde conheceu seu primeiro marido, Harmon O. Nelson. Em 1926, assistiu a uma representação da peça “O Pato Selvagem”, de Henrik Ibsen, e "mesmo antes de a peça começar, eu queria ser actriz. Quando ela terminou, eu tinha que ser uma actriz… exactamente como Peg Entwistle", a protagonista do espectáculo. Tentou entrar no Civic Repertory Theatre, uma companhia de teatro dirigida por Eva LeGallienne, em Manhattan, mas foi rejeitada pela própria LeGallienne, que a acusou de ser "frívola" e "falsa". Pouco depois, seria aceite na John Murray Anderson School of Theatre, onde estudou dança com Martha Graham. Depois de um teste não muito conclusivo na companhia de teatro de George Cukor, este deu-lhe um papel, o de uma corista, numa peça da Broadway, durante uma semana. Depois de andar por Filadélfia, Washington D.C. e Boston, Bette Davis estreou-se na Broadway, em 1929, com a peça “Pratos Quebrados”, sendo notada por um caçador de talentos da Universal Pictures, que a convidou para um teste em Hollywood. Em “The Bad Sister” (1931), Davis fez sua primeira aparição nos cinemas, num papel insignificante. O filme, de série B, é hoje recordado por assinalar as estreias de Bette Davis e Humphrey Bogart no cinema, marcando o nascimento de dois dos mitos maiores da cinematografia mundial. Já sob contrato da Warner, Bette Davis convence os directores a cedê-la à RKO Pictures, para a produção de “Of Human Bondage”, em 1934. O filme, uma adaptação do romance homónimo do britânico W. Somerset Maugham, com Leslie Howard, obteve grande sucesso crítico. A “Life” escrevia que a Mildred Rogers de Bette Davis talvez fosse "a melhor interpretação de uma actriz americana registada em filme". Como o filme não foi nomeado para os Oscars, a actriz Norma Shearer iniciou uma campanha pela nomeação, pressionando a academia, alterando as regras para a votação do ano, permitindo que nomes não presentes nos boletins pudessem ser votados. No ano seguinte, a Warner Bros. deu-lhe o papel principal em “Dangerous”, sendo desta feita oficialmente candidata, e premiada pela primeira vez com o Oscar.
A partir daí, coleccionou trabalhos empolgantes, em “Jezebel”, de William Wyler (que foi o grande amor da sua vida, segundo ela própria confessou), “Dark Victory”, “The Private Lives of Elizabeth and Essex”, “All This and Heaven Too”, “The Letter”, “The Little Foxes”; “Now, Voyager”, “Watch on the Rhine”, “Mrs. Skeffington”, “All About Eve”, “The Star”, “A Pocketful of Miracles” ou “What Ever Happened to Baby Jane?” que a juntou à sua rival de estimação, Joan Crawford. Foi a actriz mais rentável da Warner, mas conheceu igualmente um período de apagamento, onde os fracassos se sucederam. O “Los Angeles Examiner” chegou a escrever sobre um filme seu: "um infeliz final de uma carreira brilhante".
Encarnou mais de cem papéis no cinema, na televisão e no teatro. Em 1999, no inquérito promovido pelo American Film Institute destinado a seleccionar as maiores actrizes de todos os tempos, Bette Davis ficou em segundo lugar, logo a seguir a Katharine Hepburn. No Hall of Fame, possui duas estrelas, uma relativa ao cinema, outra à televisão. Podem ser vistas frente aos nºs 6225 e 6233, em Hollywood Boulevard. Após a sua morte, Steven Spielberg comprou em leilões os dois Óscares ganhos por Bette Davis, entregando ambos à Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Kim Carnes fê-la regressar à fama mundial, sobretudo entre as gerações mais jovens, com a canção “Bette Davis Eyes”, em 1981.

Filmografia

1931: The Bad Sister, de Hobart Henley; Seed (Os Filhos), de John M. Stahl; Waterloo Bridge, de James Whale; Way Back Home, de William A. Seiter; 1932: The Menace, de Roy William Neill; Hell's House (Casa de Correcção), de Howard Higgin; The Man who Played God (O Regresso duma Alma), de John G. Adolfi; So Big!, de William Wellman; The Rich Are Always With Us, de Alfred E. Green; The Dark Horse, de Alfred E. Green; The Cabin in the Cotton, de Michael Curtiz; Three on a Match, de Mervyn LeRoy; 1933: 20.000 Years in Sing Sing (20.000 Anos em Sing Sing), de Michael Curtiz; Just Around the Corner (curta-metragem); Parachute Jumper (Em Plenas Nuvens), de Alfred E. Green; The Working Man, d'Alfred E. Green; Ex-Lady (A Intrusa), de Robert Florey; Bureau of Missing Persons (Perdidos para o Mundo), de Roy Del Ruth; The Big Shakedown, de John Francis Dillon; 1934: Fashions of 1934 (Música e Mulheres), de William Dieterle; Jimmy the Gent, de Michael Curtiz; Fog Over Frisco (Nevoeiro em São Francisco), de William Dieterle; Of Human Bondage (Escravos do Desejo), de John Cromwell; Housewife, de Alfred E. Green; 1935: Bordertown (Um Vencido da Vida), de Archie Mayo; The Girl form Tenth Avenue, de Alfred E. Green; Front Page Woman, de Michael Curtiz; Special Agent (Agente Especial), de William Keighley; Dangerous (Mulher Perigosa), de Alfred E. Green; 1936: The Petrified Forest (A Floresta Petrificada), de Archie Mayo; The Golden Arrow (A Flecha de Ouro), de Alfred E. Green; Satan Met a Lady (Relíquia Fatal), de William Dieterle; 1937: Kid Galahad (O Mais Forte), de Michael Curtiz; That Certain Woman (Cinzas do Passado), de Edmund Goulding; Marked Woman (A Mulher Marcada), de Lloyd Bacon; It's Love I'm After (A Comédia do Amor), de Archie Mayo; 1938: Jezebel (Jezebel, a Insubmissa), de William Wyler; The Sisters (As Irmãs), d'Anatole Litvak; 1939: The Old Maid (A Velha Ama), de Edmund Goulding; Juarez (A Derrocada de um Império), de William Dieterle; The Private Lives of Elizabeth and Essex (Isabel de Inglaterra), de Michael Curtiz; Dark Victory (Vitória Negra), de Edmund Goulding; 1940: If I Forget You (curta-metragem); All This, and Heaven Too (Tudo Isto e o Céu Também), de Anatole Litvak; The Letter (A Carta), de William Wyler; 1941: The Little Foxes (Raposa Matreira), de William Wyler; Shining Victory (Amargo Triunfo), de Irving Rapper; The Great Lie (A Grande Mentira), de Edmund Goulding; The Bride Came C.O.D. (Uma Noiva Caiu do Céu), de William Keighley; 1942: The Man Who Came to Dinner (Hóspede Indesejável ou O Homem que Veio para Jantar), de William Keighley; Now, Voyager (A Estranha Passageira), de Irving Rapper; In This Our Life (Nascida para o Mal); 1943: Watch on the Rhine (Horas de Tormenta), de Herman Shumlin; Old Acquaintance (Velha Amizade), de Vincent Sherman; Thank You Lucky Stars (Brilham as Estrelas), de David Butler; 1944: Mr. Skeffington (A Vaidosa), de Vincent Sherman; Hollywood Canteen (Um Sonho de Hollywood), de Delmer Daves; The Corn Is Green (O Coração Não Morre), de Irving Rapper; 1946: A Stolen Life (Uma Vida Roubada), de Curtis Bernhardt; Deception (Que o Céu a Condene), de Irving Rapper; 1948: Winter Meeting (Encontro no Inverno), de Bretaigne Windust; June Bride (Noiva da Primavera), de Bretaigne Windust; 1949: Beyond the Forest (A Filha de Satánas), de King Vidor; 1950: All About Eve (Eva), de Joseph L. Mankiewicz; 1951: Payment on Demand (A Ambiciosa), de Curtis Bernhardt; Another Man's Poison, de Irving Rapper; 1952: Phone Call from a Stranger (Chamada de um Desconhecido), de Jean Negulesco; Four Star Revue (série de TV); The Star (A Estrela), de Stuart Heisler; 1955: The Virgin Queen (A Rainha Virgem), de Henry Koster; 1956: The Catered Affair, de Richard Brooks; Storm Center (Tempestade), de Daniel Taradash; The 20th Century-Fox Hour (série de TV) – episódio Crack-Up; 1957: Telephone Time (série de TV) – episódio Stranded; The Ford Television Theatre (série de TV) – episódio Footnote on a Doll; Schlitz Playhouse of Stars (série de TV) – episódio For Better, for Worse; The Ford Television Theatre (série TV); 1957-1958: General Electric Theater (série de TV) – episódios The Cold Touch e With Malice Toward One; 1958: Studio 57 (série de TV) – episódio The Starmaker; Suspicion (série de TV) – episódio Fraction of a Second; 1959: The DuPont Show with June Allyson (série de TV) – episódio Dark Morning; The Alfred Hitchcock Hour (série de TV) – episódio Out There – Darkness; John Paul Jones (O Capitão Paul Jones), de John Farrow; The Scapegoat (O Outro Eu), de Robert Hamer; 1959-1961 Wagon Train (série de TV) – episódios The Bettina May Story, The Elizabeth McQueeny Story e The Ella Lindstrom Story; 1961: Pocketful of Miracles (Milagre Por Um Dia), de Frank Capra; 1962: What Ever Happened to Baby Jane? (Que Teria Acontecido à Baby Jane?), de Robert Aldrich; The Virginian (série de TV) – episódio The Accomplice; 1963: Perry Mason (série de TV) – episódio The Case of Constant Doyle; La Noia, de Damiano Damiani; 1964: Dead Ringer (A Morte Bate Três Vezes), de Paul Henreid; Where Love Has Gone (Para Onde Foi o Amor?), de Edward Dmytryk; Hush...Hush, Sweet Charlotte (Com a Maldade na Alma), de Robert Aldrich; 1965: The Nanny (A Velha Ama), de Seth Holt; 1966: Gunsmoke (série de TV) – episódio The Jailer; 1968: The Anniversary, de Roy Baker; 1970: Connecting Rooms (O Quarto ao Lado), de Franklin Gollings; It Takes a Thief (série de TV) Touch of Magic; 1971: Bunny O'Hare; 1972: Madame Sin (Madame Sin), de David Greene; Lo Scopone scientifico (O Jogo da Fortuna e do Azar), de Luigi Comencini; And Presumed Dead, de Morton da Costa; The Judge and Jake Wyler, David Lowell Rich (telefilme); 1973: Scream, Pretty Peggy, de Gordon Hessler David Lowell Rich; 1974: Hello Mother, Goodbye! (telefilme); 1976: Burnt Offerings (Férias Macabras) de Gerd Oswald; The Disappearance of Aimee, de Anthony Harvey (telefilme); 1977: Laugh-In (série de TV); 1978: Return from Witch Mountain () de John Hough; Death on the Nile (Morte no Nilo), de John Guillermin; The Children of Sanchez (Conflito de Gerações), de Hall Bartlett; The Dark Secret of Harvest Home (mini série de TV); 1979: Strangers: The Story of a Mother and Daughter, de Milton Katselas (telefilme); 1980: White Mama, de Jackie Cooper (telefilme); The Watcher in the Woods, de John Hough; Skyward, de Ron Howard (telefilme); 1981: Family Reunion, de Fielder Cook (telefilme); 1982: A Piano for Mrs. Cimino, de George Schaefer (telefilme); Little Gloria... Happy at Last, de Waris Hussein (telefilme); 1983: Hotel, de Jerry London (série de TV); Right of Way (O Direito de Escolher), de George Schaefer (telefilme); 1985: Murder with Mirrors, de Dick Lowry (telefilme); 1986: As Summers Die, de Jean-Claude Tramont (telefilme) ; 1987: The Whales of August (As Baleias de Agosto), de Lindsay Anderson; 1989: Wicked Stepmother (A Madrasta), de Larry Cohen.